A China é o principal parceiro comercial de 120 países; entre eles, o Brasil

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Da Redação
Brasília – Dados totalizados do ano de 2012 divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) confirmaram que pela primeira vez a China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil em todo o mundo, tanto no que se refere às exportações quanto às importações, superando o maior parceiro comercial brasileiro dos últimos tempos, os Estados Unidos.

Ano passado, o volume total do comércio entre o Brasil e a China somou US$ 75,476 bilhões e apesar de ter sido inferior à cifra recorde de US$ 77,105 bilhões registrada em 2011, pela primeira vez na história a China figurou como o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2012, as exportações brasileiras para a China atingiram o montante de US$ 41,227 bilhões, uma queda de 6,97% comparativamente com 2011. Apesar da redução, a China foi o destino de 17% de todas as exportações realizadas pelo Brasil.
Enquanto isto, as exportações chinesas para o Brasil somaram US$ 34,248 bilhões, com um crescimento de 4,46% em relação ao ano anterior. A China forneceu 15,37% de todas as compras realizadas pelo Brasil no exterior em 2012, ano em que o Brasil registrou um superávit de US$ 6,979 bilhões no intercâmbio com a China.

Com os números registrados em 2012, o Brasil passou a figurar na relação expressiva dos países que têm na China seu maior parceiro comercial em todo o mundo. Ao todo, esse grupo é formado por pelo menos 127 países, que têm em comum a China liderando o ranking de seus parceiros comerciais.

A entrada do Brasil nesse clube que a cada ano é integrado por um número maior de países é um dado a mais numa impressionante performance da China no comércio internacional. Foram necessários apenas cinco anos para que o país asiático ultrapassasse os Estados Unidos em parcerias comerciais até mesmo com aliados tradicionais dos americanos, como a Coreia do Sul e a Austrália, entre outros.
Até 2006, os Estados Unidos figuravam como maior parceiro comercial para 127 países, ao passo em que a China era o parceiro número um de apenas 70 países. Em 2011, a China mudou completamente esse panorama e tornou-se o principal parceiro de 124 países, deixando para os Estados Unidos a liderança nas transações comerciais com um grupo composto por apenas 76 países.
Maior superávit x Maior deficit
Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) referentes à Balança Comercial de Países/Blocos Selecionados mostram uma diferença impressionante nos intercâmbios comerciais da China e dos Estados Unidos.
Segundo esses dados, de janeiro a novembro de 2012, a China obteve o maior superavit comercial entre todos os países do mundo, com um saldo de US$ 199,536 bilhões, um aumento de expressivos 44,1% em comparação com os US$ 138,436 bilhões registrados em igual período de 2011.
A relação dos grandes superavitários é integrada pela Rússia (saldo de US$ 165,556 bilhões de janeiro a outubro do ano passado), Coreia do Sul (saldo de US$ 27,508 bilhões), Brasil (US$ 17,165 bilhões), Argentina (US$ 10,103 bilhões), Chile (US$ 2,700 bilhões) e México (US$ 431 milhões).
Por outro lado, os Estados Unidos apareceram como líderes entre os países deficitários, com um megassaldo negativo de US$ 624,033 bilhões no período janeiro/outubro de 2012 (contra US$ 614,356 bilhões em igual período de 2011), seguidos pela India (deficit de US$ 180,335 bilhões de janeiro a novembro), União Europeia (deficit de US$ 123,080 bilhões de janeiro a outubro de 2012, com uma redução expressiva de 42,7% no saldo negativo de US$ 214,676 bilhões registrados em 2011), Japão (saldo negativo de US$ 79.519 bilhões de janeiro a novembro de 2012 contra US$ 29,798 bilhões em igual período de 2011) e África do Sul (deficit de US$ 13,161 bilhões, um crescimento de expressivos 370,3% aos US$ 2.798 bilhões computados em 2011).

Os Estados Unidos continuam sendo o maior importador do mundo, mas a China está ganhando terreno. Foi um mercado maior que os EUA para 77 países em 2011, bem mais do que os 20 em 2000.
A história que emerge é a de um alucinante crescimento chinês, e não um declínio dos EUA. O comércio com a China,, em 2002, foi, em média, equivalente a 3% do PIB dos países, em comparação com 8,7% com os EUA. Mas a China eliminou o atraso e saltou à frente em 2008. No ano passado, o comércio médio com a China foi equivalente a 12,4% do PIB para outros países, maior do que com os EUA em qualquer período nos últimos 30 anos.

Gigante também nos investimentos

O próximo passo na evolução comercial da China é ir além da exportação de TVs e móveis para jardins, partindo para a venda de serviços e investimentos no exterior.
Dados igualmente relevantes são registrados nos números dos investimentos chineses no exterior. A participação chinesa nesse segmento é ainda pouco relevante e em 2012 totalizavam pouco mais de US$ 67,6 bilhões, cerca de um sexto dos quase US$ 400 bilhões em investimentos americanos – mas podem chegar a US$ 2 trilhões em torno de 2020, de acordo com uma previsão da Rhodium Group, uma empresa americana de pesquisas.

No que diz respeito ao Brasil, a China ainda não figura entre os principais investidores no País De acordo com dados fornecidos pelo Banco Central, o estoque de investimentos chineses no Brasil soma US$ 10,4 bilhões. Esses recursos se concentram nos setores de extração de petróleo e gás mineral (66%), extração de minerais metálicos (17%) e serviços financeiros e atividades auxiliares (3%).
A expectativa é de que em breve terá início uma chamada terceira onda de investimentos chineses no Brasil, na sequência de um processo que se iniciou com a vinda de grandes empresas para investimentos na produção de commodities e em infraestrutura e, numa etapa seguinte, para fabricação de automóveis. A terceira etapa deverá reunir empresas de menor porte, produtoras de máquinas e equipamentos, além do agronegócio e instituições ligadas aos serviços financeiros.

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