A importância de detectar o elo fraco para um negócio sustentável

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Flávio Padovan (*)

Via de regra, quando iniciamos um trabalho de planejamento estratégico é bastante usual utilizar ferramentas que nos ajudem a entender e definir os caminhos a percorrer. Um dos métodos mais utilizados é o SWOT para identificar as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças nos negócios. No entanto, existem outras opções que devem ser avaliadas para auxiliar no desenvolvimento desses trabalhos, sendo uma delas o TOC, em português a Teoria das Restrições, criada por Eliyahu M. Glodratt, autor do livro “A Meta”, escrito em 1984. É um clássico da área de Administração.

Trata-se de uma teoria baseada na identificação das restrições que limitam o desenvolvimento das empresas, os elos frágeis do sistema, e permitem abrir, ou não, caminho para o processo de Melhoria Contínua, prática usada ininterruptamente para aperfeiçoamento do negócio. Por definição, uma restrição é qualquer coisa que possa impedir um sistema de atingir o seu objetivo. Por isso, é importante entender e classificar as restrições externas e internas.

De um lado, as restrições externas, ou de mercado, são normalmente relacionadas à falta de competitividade ocasionada por problemas de posicionamento de preço, qualidade, imagem da marca e reputação, entre outras. Por outro lado, as internas se referem às capacidades no âmbito de processos, equipamentos, competências dos colaboradores e também às políticas corporativas, que muitas vezes limitam e impedem o desenvolvimento da criatividade e da cultura da inovação, fundamental em qualquer corporação.

Saber quais tipos de restrições estão presentes e como elas impactam os negócios é um atalho para definir quais mudanças são mais urgentes. No varejo, por exemplo, isso pode corrigir problemas relativamente comuns – e que causam bastante estrago financeiro -, como perda de estoque por exemplo. Já na indústria, as restrições relacionadas a processos são determinantes e causam falhas na produtividade e consequentemente perda de competitividade no mercado.

Importante destacar ainda que uma restrição pode mudar ao longo do tempo em função das transformações no ambiente de negócios. Nesses casos, a análise deve recomeçar à medida em que essas mudanças são observadas.

Para uma análise efetiva das restrições, três perguntas são fundamentais:
1. O que mudar?
2. Por que mudar?
3. Como causar a mudança?

É fato que o objetivo principal de toda organização é obter melhores resultados, mas a TOC é uma ferramenta prática, que faz com que se possa planejar soluções a partir de situações reais, que atrapalham a empresa, sem perder tempo com quesitos de pouca relevância. Ela ajuda obter eficiência agora, mas principalmente para o futuro do negócio. O que se traduz na tão almejada sustentabilidade.

(*) Flávio Padovan é sócio da MRD Consulting e foi diretor de operações da Ford na América do Sul, ocupou o cargo de vice-presidente na Volkswagen do Brasil e foi presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa).

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