AEB admite deficit de US$ 5 bilhões na balança em 2014 e que “em 2015, tudo poderá acontecer”

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Da Redação

Brasília – A balança comercial deverá fechar o ano de 2014 com um déficit de US$ 4,78 bilhões mas não será surpresa se o saldo negativo ultrapassar os US$ 5 bilhões. A previsão foi feita pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.  Em relação ao ano de 2015, o presidente da AEB afirmou em entrevista ao site Comexdobrasil.com  que “tudo pode acontecer e não será surpresa se tivermos um superávit”.

No próximo dia 17, a AEB deverá divulgar os números da  balança comercial em 2014 e também apresentará sua previsão para o no de 2015. Segundo o presidente da Associação, “a esta altura, é preciso ter uma bola de cristal funcionando perfeitamente para arriscar prognósticos. Estamos trabalhando com variáveis diversas e complexas e esperamos ter a situação um pouco mais clara nestes dias que antecedem ao anúncio dos números da balança em 2014 e da previsão para 2015”.

Ao falar sobre perspectivas da balança comercial em 2015, José Augusto de Castro deixa transparecer que a desvalorização do real frente ao dolar ainda não teve um peso relevante e que ainda não é possível mensurar os efeitos que a taxa cambial terá sobre a balança comercial em 2015.

Ainda assim, ele afirmou que “com uma taxa de câmbio mais elevada, e o dólar oscilando entre R$ 2,65 e R$ 2,85, haverá o aumento nos preços dos produtos importados, provocando queda da demanda interna. O consumo das famílias já caiu 0,3% em novembro e demanda mais fraca significa menos importações e as importações serão com preços mais elevados”.

O presidente da AEB firma que “as exportações de produtos básicos devem continuar sua trajetória de queda e esse é um dado extremamente importante na medida em que apenas três desses produtos, petróleo, minério de ferro e soja,  representam mais de 30% do total exportado pelo Brasil. Da mesma forma, as vendas externas de produtos manufaturados somente poderão aumentar no longo prazo com a redução dos custos de produção e  a implementação de uma série de reformas, como a tributária, que há muito deveriam ter sido realizadas”.

A previsão de queda nas exportações de produtos industrializados é justificada pelo presidente da AEB com o argumento de que “mais uma vez, as exportações de manufaturados estão sendo afetadas pelo  fato de que cerca de 50% delas têm como destino países da América do Sul, como a Argentina e Venezuela, que enfrentam sérios problemas cambiais, ou Chile, Peru e Uruguai, exportadores de commodities e que, a exemplo do Brasil, também terão reduzidas suas receitas em moedas fortes. Com isso, os nossos principais parceiros para os produtos manufaturados podem adotar medidas de restrição das importações”.

Com relação aos números da balança comercial no mês de novembro, José Augusto de Castro ressalta que “o deficit de US$ 2,35 bilhões apurado deveu-se a quedas de 31,7% na exportação de produtos manufaturados, de 25% na de commodities e de 6,2% nos semimanufaturados, gerando redução acumulada de 25% comparativamente ao mesmo mês de 2013. Por outro lado, as importações tiveram um queda acumulada de 5,9%. Comparando-se a corrente de comércio de novembro deste ano no montante de US$ 33,642 bilhões com o total de US$ 39,984 bilhões apurados em novembro de 2013, verifica-se forte de redução de 15,9%, o que significa impacto negativo direto sobre as atividades econômicas”.

Segundo o presidente da AEB, “os resultados de novembro projetam uma corrente de comércio (exportações+importações) no total de US$ 455 bilhões em 2014, equivalente a uma queda de 5,7% em relação aos US$ 482 bilhões de 2013, o menor valor nos últimos quatro anos.

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