AEB vê Brasil despreparado para ter relações profissionais e previsíveis com os EUA de Joe Biden

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Da Redação

Brasília – O Brasil não está preparado para um relação com os Estados Unidos em que os dois países sejam profissionais e ajam com previsibilidade. O governo brasileiro precisa avançar, mudar algumas posturas internas para ter um bom relacionamento com os Estados Unidos e aumentar a presença brasileira na vitrine do mundo que é o mercado americano. As relações com os Estados Unidos deverão se tornar mais previsíveis com Joe Biden e o Brasil poderá se beneficiar ao deixar uma política de alinhamento automático e passar a se relacionar com o governo americano com mais profissionalismo.

A avaliação foi feita pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ele considera inclusive a possibilidade de que os acordos de facilitação comercial  e anti-corrupção firmados pelos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro venham a ser rediscutidos e que até mesmo possam vir a ser revogados.

Na  avaliação do executivo, “a posse do presidente Joe Biden nesta quarta-feira (20) fará com que o Brasil passe por um período de análise porque vai sair do relacionamento familiar que mantinha com o presidente Donald Trump, para ter que se relacionar com um governo que pensa, que tem governabilidade. Será uma mudança muito drástica”.

A percepção do presidente da AEB é de que, no aspecto comercial, o Brasil terá que deixar de se limitar a atender demandas americanas e passar a gerar demandas para os Estados Unidos: “o mercado americano é a vitrine do mundo e o sonho de todo exportador é estar presente nesse mercado porque exportar para os EUA significa ter preço, qualidade, pontualidade e que os produtos atendem aos elevados níveis de exigênca do governo americano”.

José Augusto de Castro considera funndamental que o Brasil recupere uma posição ocupada no passado recente, quando figurou como um grande exportador de produtos manufaturados para os Estados Unidos. Segundo ele, “hoje nós premos essa capacidade e precisamos mudar essa postura”.

Para o Brasil voltar a exportar bens inustrializados em maior escala para o exigente e sofisticado mercado americno, o presidente da AEB ressalta que “precisamos fazer o dever de casa, ou seja, implementar reformas estruturais, pois sem elas não teremos preços competitivos para exportar não só para os Estados Unidos mas também para outros mercados exigentes, como por exemplo a União Europeia.Temos que fazer as reformas e não apenas para atender  determinadas situações, porque se não for uma coisa completa deixa de ter validade”.

José Augusto de Castro tem uma visão extremamente pessimista em relação aos acordos assinados no ano passado pelo Brasil e Estados Unidos com o objetivo de dar maior dinamismo às relações comerciais entre os dois países:”em relação a esses acordos, infelizmente, acho que nada vai se aproveitar. O Acordo de Facilitação Comercial e o acordo sobre corrupção, acho que era tudo mais ‘para inglês ver’ do que efetivamente para se ter comércio. Então, tudo o que foi feito poderá ter que ser rediscutido ou simplesmente considerar que nada daquilo existiu. Basicamente, vamos iniciar uma nova era (nas relações Brasil-Estados Unios) e esperamos que essa nova era permita que hajam contatos mais concretos entre os dois países”.

O primeiro ano do governo de Joe Biden será um ano de análise para os dois lados, na ótica do presidente da AEB, para que, passado esse período inicial, se possa ver melhor o que fazer. Segundo José Augusto de Castro, “acredito que até mesmo os acordos entre os Estados Unidos e a China serão discutidos, de forma que possam efetivamente ser aplicados e viabilizados. Por enquanto o que temos a fazer é acompanhar as ações dos Estados Unidos sem emitir opinião. Opinar nestes momentos pode comprometer o futuro”.

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