Agronegócio brasileiro ainda é muito vulnerável a ataques cibernéticos, diz especialista da Trend Micro

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São Paulo – Setor importante da economia brasileira, as empresas que compõem o agronegócio ainda não estão suficientemente preparadas na adoção de soluções contra ataques cibernéticos. É o que diz Itamar Corrêa, especialista em cibersegurança da Trend Micro, líder global em cibersegurança. Para o executivo, que atua como gerente regional da companhia para a região Centro-Oeste do País, os empresários do campo correm grande risco ao não darem a devida importância na promoção de investimentos em segurança da informação.

“A empresas do setor de agronegócio investem menos do que o necessário em cibersegurança, adotando soluções tecnológicas que muitas vezes contribuem para expô-las ao risco de atacantes”, diz Corrêa. Segundo ele, após o início da pandemia do novo coronavírus, os ataques cibernéticos às empresas cresceram muito, e com o setor de agronegócio não foi diferente. O especialista ressalta que a segurança da informação está muito atrelada ao aspecto operacional do negócio no campo.

Pesquisa inédita realizada pelo Sebrae, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostrou que a adoção de tecnologias no campo está cada vez mais avançada. De acordo com o estudo, 84,1% dos produtores rurais utilizam pelo menos uma tecnologia digital em seu processo produtivo. Ainda segundo a pesquisa, 67,1% dos entrevistados acreditam na necessidade cada vez maior do uso das tecnologias para o planejamento das atividades da propriedade, e apenas 15,9% ainda não utilizam nenhuma tecnologia.

Na visão do especialista da Trend Micro, isso só reforça a tese de que os empresários do setor precisarão destinar cada vez mais recursos para garantir a integridade das informações. “Com a informatização cada vez mais avançada das operações no campo, se as informações não estiverem devidamente protegidas, elas correm alto risco de ser comprometidas por atacantes cibernéticos, gerando prejuízo inestimável para as empresas e os produtores rurais”, ressalta Corrêa.

A transformação digital dos setores mais importantes da economia brasileira passa também pelo agronegócio. A força do campo pode ser comprovada por seu desempenho no Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento foi o único da economia que cresceu no primeiro trimestre deste ano, em meio à pandemia. Segundo o IBGE, o valor gerado no campo foi de R$ 120 bilhões, e estima-se que possa chegar a R$ 697 bilhões até o fim do ano.

Embora esteja avançando a conscientização do uso de tecnologia no campo, o conhecimento técnico necessário para garantir a gestão e a proteção das informações ainda é pequeno. A mesma pesquisa do Sebrae com a Embrapa mostrou que apenas 22,2% dos agricultores brasileiros utilizam programas de computador para gestão da propriedade e produção. “A grande maioria das empresas que atuam com agronegócio ainda não conta com corpo técnico qualificado em tecnologia e também não sabe o tipo de proteção que está adquirindo”, explica o especialista da Trend Micro.

Em razão da pandemia da covid-19, diversas empresas foram alvos de ataques cibernéticos neste ano, inclusive as do setor de produção agrícola. A adoção das companhias para regimes de trabalho remoto, com funcionários em casa, aumentou a vulnerabilidade das redes corporativas. Corrêa ressalta que a falta de conhecimento sobre os diferentes tipos de ataques cibernéticos pode tornar as empresas mais vulneráveis.

O especialista da Trend Micro avalia que os produtores estão muito preocupados com sua safra, investindo tanto em equipamentos e maquinários como em sua automação. A tecnologia da informação é, entretanto, a última a ter investimento.

“Os agricultores pensam que a proteção de qualquer solução de antivírus vai garantir que os atacantes não consigam invadir seu data center e cheguem a inviabilizar toda sua operação por ataques cibernéticos”, afirma. Eles ainda não têm a dimensão de que o principal ativo que fica alocado em seus servidores e nos seus parques de tecnologia estão expostos a ransomware ou outros ataques, e que podem ser vítimas de sequestro e roubo de dados. Não é qualquer solução que promove a proteção dessas informações.”

(*) Com informações da Trend Micro

 

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