Ano Novo Chinês deve trazer alívio para os portos, mas tendência é gargalo, diz Hedgepoint Global Markets

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São Paulo – Responsável por sete dos dez maiores portos do mundo, a China enfrenta lentidão na atividade portuária num contexto em que as cadeias de abastecimento estão saturadas a nível global. Com o Ano Novo Chinês, entre 1 e 15 de fevereiro, o fluxo de cargas deve diminuir, mas a tendência é que o cenário de congestionamento, com alta no valor do frete, continue ao longo do ano, aponta a Hedgepoint Global Markets.

“O atual momento inflacionário mundial está sendo impulsionado principalmente pelo baixo estoque de commodities e pelo aperto nas cadeias logísticas. Portanto, as políticas monetárias recentemente adotadas pelos Bancos Centrais, para combater a inflação, poderão não ser suficientes para resolver este problema”, observa o analista de inteligência de mercado da empresa, Heitor Paiva.

No relatório desta semana, os especialistas destacam que a falta de contêineres mantém elevados os preços do frete, pressionam a inflação no varejo e justificam os atuais baixos níveis de estoque ao redor do mundo. “É consenso do mercado que a maior parte da atual inflação global está relacionada com o quão apertadas estão as cadeias de abastecimento”, pontua Paiva.

Recentemente, Pequim anunciou medidas de estímulo ao crédito para sustentar o seu crescimento econômico em 2022, o que deve pressionar ainda mais sua logística. Já em novembro, por exemplo, as importações de ferro cresceram 7%, em relação ao mesmo mês de 2020, no país. Isto significa que a atividade em seus portos deverá aumentar em um momento que é normal ver menos trabalhadores nos portos em função do Ano Novo Chinês.

“Considerando que os estoques globais estão baixos, encontrar fornecedores é uma necessidade para que os varejistas possam reabastecer-se em 2022”, analisa Paiva. “Se a nova política fiscal chinesa começar a ter efeitos positivos, é altamente esperado que a demanda por matérias-primas importadas aumente no país”, acrescenta.

O analista da Hedegepoint prevê que os portos devem ficar ainda mais movimentados ao longo do ano, pressionando a cadeia logística e elevando os preços no âmbito internacional. “O atual aumento da inflação global é predominantemente causado pela alta dos preços ao produtor, já que os fretes e matérias-primas permanecem caros”, conclui Paiva, lembrando que a política de tolerância zero contra o Covid-19 é outro agravante para gargalos logísticos no país.

(*)  Com informações da HedgePoint Global Markets

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