ANUFOOD Brazil: árabes buscam mercado para sardinhas, tâmaras e temperos, entre outros produtos



Última atualização: 10 de Março de 2020 - 10:34
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São Paulo – Tâmaras da Palestina, sardinhas do Marrocos, temperos e chás do Egito, energético de Dubai. Esses e outros produtos estão em exposição na segunda edição da Anufood Brazil, feira do setor de alimentos e bebidas que teve início nesta segunda-feira (09) e vai até 11 de março no São Paulo Expo, na capital paulista.

Khader Zawahrah é proprietário da Al-Rwad Company, que comercializa tâmaras do tipo “medjool” da Palestina, e está participando pela segunda vez da feira. No ano passado, sua vinda rendeu a abertura do mercado brasileiro. “Depois da Anufood [2019], fechei negócio com uma empresa de São Paulo e vendi seis contêineres. Este ano pretendo duplicar essa quantidade”, disse Zawahrah à ANBA. As tâmaras são embarcadas pelos portos de Israel ou da Jordânia e chegam ao Brasil pelo Porto de Santos, no litoral paulista.

King Pelagique Group é uma companhia marroquina de peixes com sede em Dakhla, no sudoeste do país, na região do Saara Ocidental. O representante de vendas Hassane Aferyad contou à ANBA que a empresa participa pela primeira vez de uma feira no Brasil. “Cerca de 50% das exportações de peixes do Marrocos vêm para o Brasil, são sardinhas que vão ser enlatadas por empresas como a Gomes da Costa e a Camil [marca Coqueiro]”, disse Aferyad.

A King Pelagique exporta a sardinha congelada e produtos prontos como empanados de peixe. “Já exportamos para o Brasil em pequena quantidade, mas nossa empresa não exportou para o Brasil ano passado porque não valeu a pena financeiramente. Este ano temos mais peixe, então estamos buscando retomar este mercado, é um foco nosso”, contou. Segundo ele, os principais mercados da companhia são África do Sul, Europa e Ásia.

Manjerona, tomilho, coentro, hibisco, orégano, menta, hortelã, anis, camomila são algumas das ervas comercializadas pela Royal Herbs, empresa egípcia que participa da Anufood e veio pela primeira vez ao Brasil tentar abrir o mercado. A companhia vende ervas e temperos a granel e chás em pacotinhos unitários.

A empresa também está aberta à possibilidade de personalizar os chás com o chamado private label, sob demanda para empresas que querem ter marca própria, como redes de supermercados, por exemplo. “Todo o processo, as fazendas, o cultivo, estoque, até a exportação, nossa companhia que faz”, disse o líder de relacionamento com clientes Ahmed Sherbiny à ANBA. A Royal Herbs já exporta para países como Alemanha, Japão, Inglaterra, Arábia Saudita, Kuwait, Uganda, Líbano, Estados Unidos, Canadá e Austrália.

Outra companhia de origem árabe presente na feira é a Alyah Sweets. Criada por libaneses no Brasil, a empresa de apenas três meses tem sede em Indianópolis, zona sul de São Paulo, e comercializa doces típicos libaneses, aqueles folhados com damasco, nozes e pistache.

Pela primeira vez com estande próprio em um evento no Brasil, a Dubai Exports se uniu à Dubai Chamber para trazer cinco empresas do emirado. “Esta é a primeira vez que a Dubai Exports está participando da Anufood, e é a primeira vez que está ocorrendo a importante parceria entre a Dubai Chamber e a Dubai Exports. As empresas no geral vieram porque realmente estão interessadas no mercado brasileiro e estão bem confiantes que com essa edição da Anufood irão fechar negócios”, declarou a especialista do departamento de serviços de exportação da Dubai Exports, Zilda Rosa.

As entidades parceiras trouxeram a Dubai Star Food, de bebidas energéticas, a Palletco, de soluções em plástico para a indústria alimentícia, a empresa de facilitação The Corporate Group, a companhia aérea Emirates e as tâmaras e derivados da Al Foah.

Palletco já vende suas soluções de embalagens industriais para países da África, seu principal mercado, e também para a Alemanha, Espanha e Portugal, e agora busca abrir o mercado brasileiro. Os produtos são racks de galões de 20 litros de água, pallets e engradados plásticos, entre outros. “Por questões de higiene, é uma boa solução transportar e armazenar produtos alimentícios em plástico”, disse Ajmal Wahab, gerente de desenvolvimento de negócios.

O gerente de marketing do energético Dubai Energy Drink, do grupo Dubai Star Food, é Ali Awada. Ele está pela primeira vez no Brasil e pretende exportar o produto para o País. A companhia tem um ano e meio, e está finalizando contratos de exportação para diversos mercados depois da exposição na Gulfood, feira de alimentos que ocorreu em Dubai, em fevereiro.

“Nosso diferencial é o sabor e o preço. Nossa estratégia é ter um preço 30% menor do que as marcas que já estão no mercado”, disse Awada. A Gulfood foi o primeiro evento para exportação da marca. A versão do produto sem açúcar é adoçada com stevia, segundo ele, outro diferencial.

A Dubai Chamber participou com estande institucional ano passado. “As entidades trabalham de forma conjunta e alinhada, essa é uma parceria inédita. A Al Foah, de tâmaras, participa pela segunda vez conosco e agora agregando também o açaí com tâmaras da Royal Queen Açaí”, disse João Paulo Paixão, chefe do escritório da Dubai Chamber em São Paulo.

Câmara Árabe

Com um estande na entrada da feira, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira participa pela segunda vez. “Esta feira é de grande importância para o mercado de alimentos e bebidas do Brasil e para os países árabes. O Brasil é o maior fornecedor de alimentos e bebidas para os países árabes, e o bloco árabe é o segundo destino das exportações brasileiras no setor. A participação da Câmara Árabe em feiras e eventos desse tipo ajuda a fomentar os negócios e investimentos entre os países. Já temos uma relação forte e de economias complementares e queremos continuar crescendo”, disse Janine Bezerra de Menezes, diretora de marketing e estratégia da entidade.

Também estiveram presentes no estande o diretor William Atui, a gerente de relações institucionais Fernanda Baltazar, o executivo de vendas Hanz Lazarte, o executivo de relacionamento árabe Amr Ghorab e o analista de negócios internacionais Thiago Dias.

Abertura

A cerimônia de abertura da Anufood 2020 contou com a presença do CEO global da Koelnmesse, Gerald Böse, de autoridades governamentais como Fernando Schwanke, secretário da Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura; Gustavo Ene, secretário de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia; Edervaldo Teixeira, diretor de Gestão Corporativa da Apex-Brasil; Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do estado de São Paulo; Gustavo Junqueira, secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo; e de empresários e representantes do setor privado como João Dornellas, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia); Alexandre Kruel Jobim, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (Abir), entre outros.

Böse afirmou que, do ponto de vista da Koelnmesse, São Paulo é o centro de negócios no Brasil, e o local ideal para a indústria alimentícia da América Latina e do mundo fazerem negócios na região. A Koelnmesse é a organizadora da Anufood.

“Este ano, estamos contentes de ter tido um crescimento significativo em nossa feira, com 200 empresas expositoras de 24 países”, declarou. O diretor geral da Koelnmesse do Brasil, Cassiano Facchinetti, também presente na solenidade, disse que a expectativa de público é de 10 mil visitantes ao longo dos três dias da feira.

(*) Com informações da ANBA

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