Apesar do coronavírus, empresas brasileiras comemoram negócios fechados na Gulfood 2020



Última atualização: 20 de Fevereiro de 2020 - 16:03
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Dubai – No último dia da feira de alimentos e bebidas de Dubai, a Gulfood, as empresas brasileiras mostraram resultados positivos. Apesar do coronavírus, que fez com que muitos visitantes de diversas partes do mundo,  principalmente da China, não viessem para o evento, empresários reportaram que os contatos foram mais qualificados e a prospecção de negócios se manteve alta.

O executivo Felipe Ferraz, da Golden Agri-Resources (GAR), fez mais de 300 contatos ao longo dos cinco dias de feira. “Acho que com esse negócio do coronavírus, vieram menos curiosos, então você perde menos tempo com eles e fecha negócio”, disse o trader. Ele vendeu açúcar da Tailândia para Ruanda. Do Brasil, está negociando exportação de açúcar para a África Ocidental, e encontrou clientes novos e recorrentes.

Para Andreas Merz, executivo de vendas da O Primo Logística, a feira foi produtiva não só para se reunir com clientes com quem a companhia já se relaciona, mas para o desenvolvimento de novos negócios. “Foi surpreendente, nós conseguimos novos clientes e cerca de 30% dos negócios que fechamos na feira foram com empresas do Oriente Médio, para transportar doces, balas e café”, disse Merz.

Segundo ele, a empresa veio para a Gulfood majoritariamente para cotar negócios do Brasil com os árabes, mas também fechou negócios entre outros países. “Fechamos com fornecedores do Egito para exportar macarrão para a África Subsaariana”, contou. “Tivemos menos prospecção e mais gente querendo fechar negócios”, concluiu.

Marcelo Turri, diretor de exportações da Dinda, de alimentos para cesta básica, disse que fez 63 contatos durante a feira. “Alguns a gente já conhecia, e também tivemos novos clientes. Acho que foi positivo, mas pegar o cartão e fazer o contato é só 20% do trabalho, agora iremos fazer o follow up para gerar negócio em pelo menos 90 dias”, disse. A Dinda é uma das empresas do grupo Cotia Atlas. Segundo Turri, ela já é uma marca forte no mercado africano e por isso teve mais procura do que a linha de produtos saudáveis que a Cotia Atlas trouxe para o estande da Câmara Árabe. “Mas fechamos a primeira venda dos produtos saudáveis para os Emirados”, contou.

Caique Zanchetta, sócio proprietário da NP Zanchetta Cerealista, contou que fechou negócio com um cliente novo da Palestina para 300 toneladas de amendoim, e aumentou o volume exportado para outros clientes com os quais já trabalhava. “Fizemos contatos com diversos países, como Austrália, Ucrânia, Jordânia, Espanha, Portugal e Itália. Da Argélia e Rússia vieram muitos para fechar negócio, e da Índia e Sudão, muitos concorrentes passaram aqui para compartilhar preço”, declarou. Segundo ele, a feira foi muito boa, apesar de ter tido menos visitantes da Europa e da China. “O pessoal não veio por conta do coronavírus, era para estar lotado de chinês aqui, mas os outros países que vieram renderam bons negócios, a feira foi muito boa, vamos tentar voltar ano que vem”, disse.

A empresária Julia de Biase, da Royal Queen Açaí, marca nova de açaí com tâmaras lançada na Gulfood, fez suas primeiras vendas ao Egito, Arábia Saudita e Austrália e está negociando com a Índia. “Também temos duas reuniões aqui nos Emirados com uma rede de restaurantes de comida orgânica e halal, com pratos à base de açaí”, contou. Segundo Julia, a feira foi muito melhor do que o esperado. “Todos que passaram por aqui ficaram surpresos e interessados, inclusive empresas de tâmaras de outros países como Irã, Egito, Iraque e Arábia Saudita queriam saber se havia a possibilidade de produzir o açaí com as tâmaras deles, e é possível sim, só temos que avaliar a qualidade”, contou Julia. Ela pensa em produzir novos sabores do açaí com tâmaras, com morango, baunilha e frutas tropicais.

Adalberto Martins, da Aqua Amazon, gostou muito do resultado do evento. “Foi a primeira vez que participamos e temos certeza que vamos querer participar na próxima edição. Fechamos e prospectamos negócios com quase todos os países árabes, e iremos a partir de Dubai e dos Emirados chegar aos outros países em razão dos contatos realizados na Gulfood”, relatou. Segundo ele, os países que mais se interessaram foram Arábia Saudita, Kuwait, Índia, Egito, alguns europeus e principalmente os Emirados Árabes.

Bernardo Sele, vendedor da Agrícola Ferrari, que exporta milho para pipoca e gergelim, afirmou que o espaço no estande da Câmara Árabe rendeu negócios. “Estamos localizados no corredor, tivemos muito fluxo de visitantes e vendemos 15 contêineres de gergelim preto para Taiwan e Índia. Também recebemos boas prospecções do Peru e China, de onde vieram menos pessoas esse ano, além do Irã”, avaliou.

Para João Cláudio Gil, diretor de negócios internacionais da Açaí Amazonas, a Gulfood serviu como porta de entrada para o mundo árabe e outros países da região. “Mais de 100 empresas foram contatadas, entre distribuidores, indústria e importadores. Tivemos a oportunidade, inclusive, de finalizar negociação com um distribuidor na Arábia Saudita e fechamos um pedido para a Índia”, contou. Segundo o diretor, diversas empresas de Dubai ficaram interessadas em distribui seus produtos tanto na área industrial como em canais de food service.

Davi Sierra, sócio da Key Trade e da IBG Trade, rodou a feira e fez mais de 100 contatos. “Foi melhor que o ano passado porque a gente está mais estruturado aqui. Estamos com perspectivas para Turquia, Jordânia, Kuwait e Índia, e fizemos parcerias boas com empresas brasileiras para representar aqui, de biscoitos, tempero e açúcar”, contou. “Foi muito positivo, vamos ver se ano que vem a gente faz um estande junto com a Câmara Árabe”, disse.

O secretário-geral da Câmara Árabe, Tamer Mansour, também fez uma boa avaliação do evento. “Apesar de todas as complicações pelas quais a feira passou, pela preocupação com o coronavírus, com algumas empresas que optaram por não vir, a feira foi muito positiva, tivemos várias surpresas agradáveis”, disse Mansour.

Ele percebeu uma maior concentração de empresários árabes e menor volume de chineses e tailandeses. “Fico muito feliz que nossos associados realizaram negócios e fecharam parcerias. A Gulfood foi muito boa como feira e como encontro de negócios, e foi muito bom encontrar nossos parceiros árabes, renovar as conversas, convidá-los para o Fórum Econômico Brasil & Países Árabes [que será realizado em abril] e para as outras atividades da Câmara’, avaliou.

Apex-Brasil

A chefe do escritório da Apex-Brasil em Dubai, Karen Jones, também avaliou bem o público da feira. “Foi menor quantidade, mas melhor qualidade das reuniões. Os curiosos não vieram, o público que compareceu veio mais focado em negócios, veio o empresário para quem esse é um evento estratégico, e ele não poderia abrir mão”, disse. Jones afirmou que esperava que o impacto do coronavírus fosse pior. “Mas as feiras de negócios em Dubai estão se tornando estratégicas para vários setores além dos alimentos, como o setor médico, por exemplo”, declarou.

A empresa Sabor das Índias veio pela primeira vez à Gulfood com um estande no pavilhão World Food da Apex-Brasil. “Os produtos foram muito bem aceitos, temos várias prospecções de negócios e já tivemos reuniões para negociar preço, quantidade e adaptação dos produtos para vender aqui nos Emirados. Eles vieram com vontade de comprar, eles gostam muito dos produtos à base de pimenta biquinho, como o antepasto e o patê. Visitantes da Índia também ficaram interessados na linha agridoce”, contou Gustavo Aquino, CEO da empresa de molhos e geleias com sabores bem brasileiros.

A mineira Essenciale Bee Products veio para a Gulfood com a Apex-Brasil para lançar seu açaí com própolis e mel no mercado árabe. A marca de açaí tem um ano e meio, e oferece o produto somente para o mercado externo nos formatos em pó e líquido sem açúcar, sem corante, natural e adoçado com mel. O produto não é congelado e tem validade de um ano, com possibilidade de venda para o food service e para o consumidor final.

A presidente da empresa, Nivia Alcici, disse ter boas perspectivas com a feira. “Foi melhor do que eu esperava. A abordagem das pessoas foi muito profissional, não teve muito trânsito de pessoas só visitando. Nosso grande diferencial é que o produto é adoçado com mel e é super natural, é um produto que faz muito bem para a saúde”, afirmou. Segundo Alcici, foram feitos contatos promissores, principalmente com Emirados, Kuwait, Omã, Bahrein, Egito e Líbano, e com países da Europa. A companhia exporta para o Japão, Espanha, Inglaterra, Malásia, Austrália e Kuwait.

Mauricio Matos, diretor da B.You Açaí, disse que a perspectiva da feira foi melhor este ano porque a companhia já tem distribuidor de varejo trabalhando o mercado dos Emirados. “Conseguimos fechar com um distribuidor local especializado em produtos congelados para atender toda a cadeia de hotéis, restaurantes e cafés, e na feira nossa principal missão era achar distribuidores para os outros países aqui da região do Golfo e do Norte da África, onde tivemos uma demanda muito boa e estamos em conversa com diversas empresas”, falou.

Ele acredita na expansão do mercado. “Conseguimos ter um filtro maior e ser mais assertivos dessa vez, estamos bem otimistas. Dependendo de como as coisas evoluírem daqui pra frente, estamos pensando em abrir uma filial nossa aqui na Free Zone, fizemos isso na Europa ano passado e vimos que é um modelo que dá bastante certo. Acreditamos bastante nisso para poder atender os outros países da região com maior eficácia”, disse.

(*) Com informações da ANBA

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