Apesar do saldo de US$ 4,5 bilhões, balança comercial tem em maio pior resultado para o mês desde 2015

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Da Redação

Brasília – O superávit de US$ 4,5 bilhões registrado na balança comercial no mês de maio pode parecer um bom resultado, especialmente em tempos de pandemia, mas não é. Foi o pior saldo apurado no mês desde 2015. Pior também que o superávit registrado em maio do ano passado, quando as exportações superaram as importações em US$ 5,6 bilhões.

De acordo com dados divulgados hoje (01) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, o baixo saldo deveu-se ao somatório da queda tanto nas exportações quanto nas importações, na comparação pela média diária (o total dividido pelo número de dias do mês) com maio de 2019. Segundo esse critério, as exportações caíram 4,2%, enquanto as importações tiveram uma contração de 1,6%.

Apesar dos claros reflexos da pandemia de Covid-19 sobre o comércio exterior de todos os países, atestado pela queda tanto nas exportações quanto nas importações, o governo segue bancando a aposta de que o país deverá fechar o ano de 2020 com um superávit (exportação-importação) de US$ 46,6 bilhões, uma estimativa na qual ninguém acredita no meio empresarial e entre as instituições ligadas ao comércio exterior brasileiro.

A expectativa divulgada pela Secex é de que em 2020 as exportações totalizem US$ 199,8 bilhões, com uma retração de 11,4% comparativamente com 2019 e as importações alcancem a cifra de US$ 153,2 bilhões, com uma queda de 13,6% em relação ao ano passado.

Ao explicar a queda nas exportações, a Secex destacou que a redução deveu-se à contração dos preços internacionais, acentuando que em termos de volume embarcado houve um crescimento de 5,6% em relação ao mês de maio do ano passado.

De acordo com o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, “a queda do valor exportado foi resultado direto do forte recuo dos preços internacionais, em função do enfraquecimento da demanda global, que reduziu em 15,6% os preços dos bens exportados pelo Brasil, em relação ao mesmo mês do ano anterior”.

Segundo o secretário, “com preços mais baixos em dólar, o produto fica mais competitivo no mercado internacional e mais atraente, o que aumenta as exportações em volume. Por outro lado, a queda nos preços faz com que o superávit caia”.

A Secex informou ainda que as exportações de soja, petróleo bruto, açúcares e melaço, farelo de soja, óleos combustíveis, alumina, carna de aves e bovina e café tiveram recorde histórico de vendas. No tocante as principais mercados, as exportações para o mercado asiático subiram 27,7% em relação ao mesmo mês de 2019. Para China, Hong Kong e Macau, o aumento foi de 25%, destaca a Secretaria.

Lucas Ferraz afirmou ainda que “o bom desempenho do volume de exportação no mês de maio foi determinado pela alta expressiva de 36,1% no volume das vendas externas do setor agropecuário, medido pelo índice de quantum, dada a forte competitividade do país nas exportações desta categoria de bens, somada à elevada demanda mundial, sobretudo a asiática”.

Importações

Em relação às importações, a queda só não foi maior porque duas plataformas de petróleo, no valor de US$ 2,7 bilhões, foram nacionalizadas devido ao regime do repetro, implantado em 2018 e que estabelece que equipamentos admitidos temporariamente na importação, com pagamentos de afretamentos e aluguéis possam ser nacionalizados. Não fosse  pelo uso desse artifício, a queda das exportações atingiria o percentual de 21,7%, marca há muito não registrada em um único mês no país.

E os dados da balança comercial em maio só não foram piores devido ao elevado desempenho do setor agropecuário, que apresentou bons resultados no mês de maio e deve ter esses dados majorados para cima com a revisão da projeção a ser realizada no mês de junho pela Secex.

Ao comentar as esperanças depositadas no desempenho do agronegócio, Lucas Ferraz acrescentou que “esperamos a continuidade do bom desempenho das exportações do agronegócio brasileiro, sobretudo com destino a Ásia”. Ele também disse aguardar por um recuo mais acentuado das importações industriais do país, que já acontece de forma generalizada e vem sendo acompanhado pela Secex

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