Argélia tem superávits com o Brasil e acena com oportunidades de negócios do Plano Quinquenal

0

Da Redação

 

Brasília – Entre os anos de 2003 e 2012, o Brasil acumulou um déficit de mais de US$ 15 bilhões no comércio com a Argélia e este ano, de janeiro a março, o saldo já está negativo em US$ 307 milhões. O forte desequilíbrio na balança comercial entre os dois países se deve, entre outros fatores, à forte concentração das exportações brasileiras em produtos básicos, de pouco valor agregado, tais como açúcar, carne bovina, milho e café.  De outro lado, a Argélia exporta para o Brasil principalmente nafta, petróleo e gás natural liquefeito.

 

Mas o saldo negativo deve-se também, e principalmente, ao baixo interesse demonstrado pelos empresários brasileiros em conhecer e buscar negócios no atraente mercado argelino.  Oportunidades como as que são oferecidas por um ambicioso Plano Quinquenal 2010/2014, que vem sendo implementado e no qual o governo argelino investirá US$ 286 bilhões de dólares.

 

Segundo Abdelhamid Rahmani, ministro-conselheiro da embaixada da Argélia em Brasília, “o comércio entre a Argélia e o Brasil é importante mas poderia ter números ainda mais expressivos. Para que isso possa acontecer, é importante que os dois parceiros se conheçam melhor, que divulguem melhor as oportunidades de negócios que seus mercados oferecem. Os empresários argelinos não conhecem o Brasil e suas oportunidades como deveriam e o mesmo acontece com os homens de negócios brasileiros, que pouco sabem sobre o grande mercado que é a Argélia para um número expressivo de produtos fabricados neste País. Dessa forma, a melhor maneira de se  reduzir esse desconhecimento é organizar mais eventos e criar mais oportunidades de contatos entre os empresários dos dois países”.

 

Após destacar que “outra maneira de incrementar os negócios bilaterais é promover uma maior participação dos empresários nas feiras internacionais organizadas na Argélia e no Brasil”, Rahmani lamenta que em 2006 os dois países assinaram um acordo de transporte marítimo e que o documento foi ratificado pelo governo argelino dois ou três anos depois e até hoje, passados quase sete anos, ainda aguarda a ratificação do Congresso brasileiro para entrar oficialmente em vigor.

 

Além disso, o diplomata argelino ressalta que “a Argélia tem um grande mercado.

Um mercado aberto e que atrai as atenções de grandes companhias da China, Europa, Estados Unidos e de diversos outros países mas, infelizmente, parece não atrair o empresariado brasileiro. O mercado argelino é um dos maiores e mais sólidos de toda a África e do mundo árabe e compete à indústria brasileira conquistar espaços nesse mercado. Empresários de todo o mundo visitam a Argélia frequentemente em busca de novos negócios e não há motivo para os brasileiros não fazerem o mesmo”.

 

Na opinião do ministro-conselheiro, as empresas brasileiras não deveriam se limitar a realizar um esforço visando aumentar suas exportações para a Argélia. Segundo ele, “exportar não é a única maneira de se conquistar um novo mercado. As trocas comerciais são voláteis e um bom cliente hoje pode deixar de sê-lo amanhã. Por isto, o mais importante é fazer-se presente no país, realizando investimentos e promovendo a transferência de tecnologia. A Argélia tem uma das regulações mais modernas e atraentes de todo o mundo,  capaz de garantir toda a segurança aos investidores internacionais e os empresários brasileiros deveriam utilizar essas garantias e facilidades para marcar maior presença em território argelino”.

 

Plano Quinquenal

 

Abdelhamid Rahmani lembra ainda que desde o ano de 2010 o governo da Argélia vem implementando um ambicioso Plano Quinquenal, que é parte do processo de reconstrução do País iniciado há dez anos. O Plano se estenderá até  2014 e prevê a aplicação de US$ 286 bilhões de dólares numa série de projetos nas áreas da construção civil, infraestrutura (transportes ferroviários, construção de estradas, abastecimento d’agua, modernização dos portos e aeroportos, etc), do desenvolvimento rural e agrícola, entre outros setores.

 

Segundo o diplomata, “com o Plano Quinquenal, a Argélia passa por profundas transformações e apenas nas obras com ferrovias, estradas e abastecimento d’agua estão sendo investidos cerca de US$ 130 bilhões de dólares. Nada menos que 40% dos US$ 286 bilhões a serem investidos em todo o Programa estão sendo destinados ao desenvolvimento humano. Esses recursos permitirão a criação de 5 mil instituições de ensino em todos os níveis, mais de 1.500 estabelecimentos de saúde, incluindo 172 hospitais, 45 complexos de saúde especializados,  construção de 2 milhões de

habitações, ligação de um milhão de residências à rede de gás natural. São grandes obras que atraem a atenção e vêm sendo disputadas por empresas de países como a China, Estados Unidos, França, Espanha, Portugal e muitos outros. Apesar das dimensões do Plano Quinquenal e do volume de recursos a ele destinados, as empresas brasileiras se mantêm à margem do processo e ignoram as licitações abertas pelo governo argelino. Com isto, estão perdendo grandes negócios para empresários chineses, americanos e de diversos outros países”.

 

Comércio bilateral

 

Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), nos três primeiros meses de 2013, as exportações brasileiras para a Argélia somaram cerca de US$ 204 milhões. No mesmo período, as vendas argelinas ao mercado brasileiro totalizaram US$ 511 milhões.

 

Em 2012, o Brasil  teve o segundo maior déficit da história do intercâmbio comercial com a Argélia, fruto de exportações de apenas US$ 1,1670 bilhão e importações superiores a US$ 3, 198 bilhões.

 

Para a manutenção de déficits históricos contribuem a composição da pauta exportadora brasileira, fortemente concentrada em produtos primários, de baixo valor agregado, e o pequeno, para não dizer nulo, interesse do empresariado brasileiro em conhecer e disputar espaços no principal mercado do Norte da África.

 

De acordo com o ministro-conselheiro Rahmani, “costumo ouvir empresários brasileiros justificarem esse desinteresse com a alegação de que a Argélia é um país onde se  fala francês e árabe e que o inglês é pouco conhecido, o que dificulta os contatos.

Obviamente esse não é um argumento para se levar a sério. O que falta mesmo é interesse em conhecer e disposição em estar presente num grande mercado onde competem algumas das maiores empresas do mundo nos mais diferentes setores da economia”.

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta