As redes sociais e a cultura médica

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Maeve Nóbrega (*)

Nos últimos meses, empresários, pequenos varejistas e profissionais liberais intensificaram as suas ações online, de modo a se manter presentes na vida dos seus clientes. As compras físicas acabaram sendo substituídas pelos carrinhos de compras online e a consulta médica passou a acontecer virtualmente, por exemplo. Em virtude dessa mudança de comportamento, aplicativos de troca de mensagens e de vídeos foram os mais baixados no Brasil, durante o mês de julho, de acordo com os dados da consultoria mobile Sensor Tower.

Assim, todas as ações digitais passaram a ganhar mais espaço e mais adeptos. “O grande problema dessa adesão desenfreada é que muitos profissionais acabam criando conteúdo por impulso, ignorando as regras e o bom-senso” – alerta Maeve Nobrega, especialista em Marketing Médico.
Segundo a profissional, se os médicos resolverem surfar essa onda da exposição sem se atentar às regras do Conselho Federal de Medicina, o problema pode ser ainda maior. “Os médicos sempre ocuparam uma área de prestígio e ao usar as redes sociais erroneamente, eles podem prejudicar a sua imagem e automaticamente desvalorizar toda a classe. Em linhas gerais, o médico precisa planejar e saber tirar proveito dessas ferramentas, mas sem prejudicar um valor que está atrelado à medicina” – resume.

Alguns Conselhos Regionais de Medicina no Brasil, já alertaram seus profissionais sobre essa postura. Para alguns, constitui falta de ética os vídeos em redes sociais onde médicos, utilizando-se da sua condição, apareçam em situações indecorosas, apresentando danças ou simulações, principal modelo de negócio do Tik Tok, por exemplo.

Maeve Nobrega reforça que o paciente é impactado diretamente pela maneira como o médico se comporta, dentro e fora do ambiente de trabalho e exemplifica com os profissionais que acabaram virando memes “quem se tornou, talvez nunca seja esquecido. E não é porque a divulgação na mídia digital deu certo com um médico que a mesma receita irá dar certo com outro, e se isso não for bem planejado, a má impressão será prejudicial para sua carreira médica” – resume.

Uma projeção correta minimizando qualquer risco de publicidade errada junto ao Conselho Regional de Medicina é uma estratégia que merece cuidado e atenção. A especialista que atua implantando estratégias de marketing há 18 anos, sendo 11 deles destinados para a área da saúde alerta que qualquer equívoco no entendimento de como usar as redes sociais, vai interferir diretamente no fluxo, na receita e nos objetivos desse médico. “Infelizmente muitos acabam perdendo boas oportunidades, sendo advertidos e atpenalizados pelo Conselho Regional de Medicina, apenas pela falta de conhecimento em como fazer marketing da forma correta” – finaliza.

(*) Maeve Nóbrega – Com experiência em Estratégias de Marketing, Publicidade e Comunicação Empresarial, Maeve Nóbrega é graduada em Publicidade e Propaganda com Especialização em Marketing, MBA em Gestão Empresarial e Gestão de Projetos pela FGV. CEO e CMO da empresa Marketing e Valor, que orienta médicos, profissionais da saúde e empresas no posicionamento estratégico e aconselhamento de marketing, implantando estratégias para o desenvolvimento da reputação e conquista de clientes/pacientes potenciais.

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