Baixo investimento em pesquisa e tecnologia explica irrelevância do Brasil no comércio mundial de serviços, diz AEB

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Da Redação (*)

Brasília –  “Quem não produz não vende e o Brasil não produz serviços porque não investe em tecnologia. E se o País não investe em tecnologia e pesquisa, não gera serviços e não tem o que vender em termos de exportação de serviços. Em contrapartida, como não desenvolvemos tecnologia e pesquisas tecnológicas, temos que importar os serviços que são desenvolvidos por outros países”.

A afirmação é do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, às vésperas da realização do 13º. Encontro Nacional de Comércio Exterior de Serviços (Enaex), programado para esta terça-feira (12), no Rio de Janeiro.

Em sua análise, o executivo lamentou o desinteresse que o tema desperta junto às autoridades do País e especialmente em relação aos dois candidatos até o momento mais bem posicionados na corrida para as eleições presidenciais de outubro próximo: “os  candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro não falam uma palavra sequer sobre o comércio de serviços. Falando claramente, esse é um tema que não traz votos. Por outro lado, os candidatos da chamada terceira via também não se posicionaram em relação ao tema. Teoricamente, algum deles pode vir a fazer uma menção superficial com relação aos serviços, mas será algo pouco relevante, porque, como disse, o tema serviços não garante votos e não vai fazer com que os candidatos percam seu tempo falando de um tema que eles sabem que será pouco entendido pelo eleitor”.

Segundo o executivo da AEB, “o problema do Brasil reside basicamente na falta de investimentos em pesquisa e tecnologia, principalmente em pesquisa, área em que o Brasil investe muito pouco. E isso faz com que o País esteja sempre  em posições pouco expressivas em  termos de estatísticas internacionais. Esse é um problema antigo. A nossa conta e serviços é eternamente deficitária, porque essa conta tem que sustentar a conta de todos os serviços que o Brasil faz pelo mundo”.

Décima segunda economia mundial, em 2020 o Brasil figurou na 26ª. sexta posição entre os países exportadores de bens e 29º. Importador de produtos de toda espécie. No tocante aos serviços, a posição do País é ainda mais irrelevante e o país ocupa um nada honroso 30º.lugar entre os países que mais se destacam no setor.

Ao comentar o assunto, José Augusto de Castro traçou um paralelo entre as exportações brasileiras de bens e de serviços: “no tocante à balança comercial de bens, temos um superávit considerável, gerado principalmente pelas exportações de commodities. Na balança de serviços, temos um déficit histórico, porque temos pouca coisa a agregar em termos de exportação de serviços”

O fato de o Brasil não dispor de uma marinha mercante é uma das razões destacadas pelo presidente da AEB para o déficit crônico do país no comércio internacional de serviços.

Segundo José Augusto de Castro, “não podemos nos esquecer de que o Brasil tem zero de receita de serviços com fretes e seguros, principalmente fretes, porque como não temos marinha mercante de bandeira nacional, todo transporte de exportação e importação é feito por navios de bandeiras estrangeiras, o que significa que temos que pagar às empresas transportadoras os fretes gerados internacionalmente. A conta frete é eternamente deficitária porque nós só temos o débito, que é aquilo que nós pagamos, e não temos o crédito do que recebemos”.

O turismo é, na opinião do presidente da AEB, outro importante fator de desequilíbrio a balança brasileira de serviços: “o turismo é outra forma de se gerar serviços, mas quando se compara o turismo que se faz no Brasil com o turismo em outros países, vemos que nesses países o turismo é bem mais organizado e programado, ao contrário do que ocorre no Brasil. Nós exploramos mais as belezas naturais, mas a criatividade humana nos pacotes turísticos brasileiros nem sempre equivale ao que existe no exterior”.

AEB promove o Enaserv nesta terça-feira 

No ranking de exportadores globais de serviços, o Brasil amarga a 37ª posição – a 13ª entre os países em desenvolvimento -, apesar de seu grande peso na economia interna. Com o intuito de contribuir com crescimento das exportações do setor e com a criação de uma política mais assertiva de inserção do país no comércio mundial de serviços, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) realizará nesta (12)  o 13º Encontro Nacional de Comércio Exterior de Serviços (Enaserv).

“Os serviços ganham cada vez mais espaço na pauta de comércio global, agregando valor aos produtos, criando empregos mais qualificados e ampliando as oportunidades de negócios para todos. Infelizmente, a participação brasileira nesse fluxo crescente ainda é módica. A AEB preparou uma edição dinâmica e abrangente do Enaserv, onde grandes nomes irão partilhar conhecimentos e experiências para que, juntos, possamos ajudar o Brasil a entrar definitivamente nesse mercado”, afirma José Augusto de Castro, presidente executivo da AEB.

Com formato 100% virtual e gratuito, o evento terá como tema central Criando uma cultura exportadora de serviços. O Enaserv 2022 contará com 18 palestrantes, figuras renomadas do governo, iniciativa privada e entidades representativas do comércio internacional (vide programação em anexo). Ao todo serão 11 painéis com temas como Modernização da lei cambial: impactos para as exportações de serviços; Criptoativos e blockchain no comércio exterior de serviços; Serviços globais e sustentabilidade; Mediação e negociação fortalecendo o comércio exterior de serviços; A importância das micro e pequenas empresas (MPE) na exportação de serviços; Agenda de serviços e indústria na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre outros.

SERVIÇO:

ENASERV 2022 

Data: 12 de abril de 2022 (terça-feira)

Horário: 9h às 17h30 

Formato online

Inscrições gratuitas e obrigatórias:http://enaserv.com.br

PROGRAMA DO 13º ENASERV

Horário Atividade
 

8h-9h

 

Credenciamento 

 

9h-9h30h

 

Solenidade de Abertura

 

– José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB);

 

– Ana Paula Lindgren Alves Repezza, secretária executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Economia;

 

– José Roberto Tadros, presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC);

 

– Carlos Melles, diretor presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae);

 

– Renato da Fonseca, superintendente de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI);

 

 Augusto Souto Pestana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimos (Apex-Brasil);

 

9h30h -10h

 

Painel 1:A Apex-Brasil e a agenda de internacionalização dos serviços brasileiros

 

– Lucas Fiuza, diretor de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil)

 

– Maria Paula Velloso, gerente de Indústria e Serviços da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil)

 

10h -10h30

 

Painel 2: Agenda de trabalho para o comércio exterior de serviços

 

– Ignácio Parini Fernandez Alcazar, secretário executivo adjunto substituto da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Economia

 

10h30 –

11h

 

Painel 3: Comércio de serviços na economia do Século XXI

 

– Jorge Arbache, vice-presidente do Setor Privado no Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), em Lima, Peru

 

11h –

11h30

 

Painel 4: Serviços como componentes essenciais dos produtos de exportação da indústria

 

– Alexandre D’Ávila Cunha, sócio-diretor da Cebra Ltda. e presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação da Fiesc

 

11h30 – 12h

 

Painel 5: Novas metodologias para as estatísticas do comércio exterior de serviços

 

– Hérlon Brandão, subsecretário de Inteligência e Estatística de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia

 

12h – 14h

 

Intervalo para almoço

Horário Atividade
 

14h – 14h30

 

Painel 6: A importância das MPEs nas exportações de serviços

 

Palestrante: Gustavo Reis Melo, analista de competitividade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)

 

14h30 – 15h

 

Painel 7Serviços globais e sustentabilidade, uma oportunidade de agregar valor

 

– Javier PeñaCapobianco, secretário geral da Associação Latinoamericana de Exportadores de Serviços (ALES), em Montevidéu, Uruguai

 

15h – 15h30

 

Painel 8Mediação e negociação fortalecendo o comércio exterior de serviços

 

 Roberta Portella Geraldo, co-fundadora da Câmara AEB de Mediação e Conflitos

 

15h30 – 16h

 

Painel 9Criptoativos e blockchain no comércio exterior de serviços

 

– Lisandro Vieira, CEO da WTM

 

–  Rafael Santiago, sócio da WTM

                   16h – 16h30  

Painel 10Modernização da Lei Cambial: impactos positivos para as exportações de serviços

 

Palestrante: TicianeGaleazi, diretora de Compliance do M&S Bank

 

16h30 – 17h

 

Painel 11Agenda de serviços e indústria na OCDE: Prioridades para o Brasil 

 

– Constanza Negri Biasutti, gerente de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

 

17h – 17h15

 

Encerramento

 

José Augusto de Castro, presidente executivo da AEB.

(*) Com informações da AEB

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