Balança comercial de SC acumula déficits mas empresário projeta equilíbrio em médio e longo prazos

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Da Redação

Brasília – Entre os meses de janeiro e agosto, a balança comercial do estado de Santa Catarina acumulou um déficit de US$3,964 bilhões, com exportações no total de US$ 5,470 bilhões (queda de 10,4% comparativamente com o mesmo período do ano passado) e importações no montante de US$ 9,434 bilhões (queda de 15,0%). Em todo o ano passado, a balança catarinense registrou um saldo negativo de US$ 7,969 bilhões, o terceiro maior entre todas as unidades da Federação, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Ao analisar os números da balança comercial do estado, Sandro Marin, diretor da Tek Trade,  diretor da Tek Trade, empresa de comércio exterior com sede na cidade de Balneário Camboriú (SC), afirmou que apenas num longo prazo Santa Catarina poderá reverter esse processo e chegar a um ponto mais próximo do equilíbrio.

Segundo ele, “a nossa economia está começando a se restabelecer, mas não é algo simples. O impacto maior foi registrado no varejo e especialmente entre as pequenas e médias empresas. Quem estava exportando conseguiu se manter de uma forma  razoavelmente equilibrada, mas de forma geral, o mercado interno está muito recessivo. Acredito que no médio e longo prazos o dólar deverá cair abaixo de R$ 5, mantendo as exportações num patamar muito favorável. No tocante às importações, sabemos que 80% o que é importado é matéria-prima e insumos e, infelizmente, a maioria desses produtos não pode deixar de ser importada. Quem está sentindo menos a variação cambial é o empresário que consegue exportar, pois ele compra na mesma moeda que vende e é uma excelente saída”.

De acordo com o empresário, Santa Catarina conta com alguns mecanismos que podem contribuir para o fortalecimento do seu comércio exterior. Entre eles, Sandro Marin menciona que “temos um histórico positivo de reduzir a carga tributária na entrada do produto importado , visando a arrecadação do ICMS na saída do estado. Isto porque, teoricamente, esse produto que está vindo para Santa Catarina com entrada de alíquota um pouco menor, é um produto que pode ir para outros estados e isso agrega mais cargas. São mais produtos entrando por Santa Catarina e também empresas que se instalam aqui. É algo que se reflete no desenvolvimento de outros setores, como a logística e o despacho aduaneiro”.

Infraestrutura privilegiada

Outro ativo importante de que dispõe o estado é uma infraestrutura moderna e eficiente, com destaque para os cinco portos que, na visão do empresário, têm um volume considerável de movimentação de cargas tanto na exportação quanto na importação. Ele destaca também que “temos  também um setor muito organizado em termos de trade, com uma entidade sindical forte, o Sindicato das Empresas de Comércio Exterior de Santa Catarina (Sinditrade) atuante e que ganhou algumas ações nas quais resguardou a questão do IPI, por exemplo. Isso faz com que os empresários, além o ICMS, venham atrás dessa redução do imposto federal, o que é significativo dentro da cadeia tributária que atualmente os empresários enfrentam”.

Em relação à infraestrutura, conforme destaca o diretor da Tek Trade, “temos cinco portos através dos quais movimentamos nossas cargas.  Alguns deles são mais especializados em contêineres e outros em carga solta, o  chamado break-bulk, navios que levam cargas que não estão em contêineres. Recentemente tivemos a internacionalização de cargas  através do aeroporto de Florianópolis, uma extensão do aeroporto de Navegantes, além do aeroporto de Joinville, que já era reconhecido internacionalmente. Percebemos que a logística catarinense sempre foi muito positiva, juntamente com os benefícios fiscais. Além disso, temos vários armazéns tanto alfandegados quanto não alfandegados, especializados em receber a carga, fazer o cross docking –retirar do contêiner e colocar no baú- ou então fracionar e distribuir para o Brasil inteiro”.

Sandro Marin aponta a diversidade da pauta exportadora como fator positivo para Santa Catarina, comparativamente com os outros estados brasileiros, diversos deles exportadores quase exclusivamente de commodities agrícolas, de baixo valor agregado: “o estado é mundialmente reconhecido por suas marcas de congelados, carnes, frango, suínos e laticínios e tem também muita indústria metal-mecânica, exportações  importações de automóveis e de outros segmentos como os setores náutico e têxtil”.

Assim como acontece em todos os países do mundo, enfrentar a pandemia é um desafio também para o comércio exterior catarinense: “não só a Tek Trade, mas os empresários como um todo tiveram que se adequar a essa nova realidade. Parte dos nossos colaboradores permanecem em casa até hoje e tiveram que se adaptar ou até mesmo reaprender a forma de trabalhar em casa. Além de treinar a equipe para o atual momento, a empresa estava preparada com as autorizações da Anvisa para a importação dos produtos de saúde. Dessa forma, conseguimos ajudar muitos hospitais e clínicas na importação de testes rápidos e produtos específicos relacionados ao combate à Covid-19. Além disso, temos autorização do Exército para importar armamentos, do Ministério da Agricultura para exportar produtos agrícolas, enfim, temos todas as anuências dos órgãos governamentais para poder comercializar os produtos”.

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