Black Friday é convite para pensar em sazonalidade na logística o ano inteiro

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Hélcio Lenz (*)

Esta semana, a Black Friday tomará conta do noticiário, da comunicação das marcas e da programação de compra dos consumidores. Para quem trabalha atendendo aos consumidores, esta é uma das datas mais importantes do mundo e momento de colher os frutos do planejamento de um ano inteiro.

De muito tempo para cá, a entrega segura e rápida migrou de um setor operacional para um dos campos com mais investimento e estratégia dentro das companhias. Quando datas como a Black Friday se aproximam, fica evidente o porquê: o consumidor vai comprar em um volume maior, em um espaço de tempo curtíssimo e espera ter o produto em casa com a agilidade e qualidade com que recebe em todos os meses do ano.

Estes períodos de oscilação de demanda não são novidades. Para alguns negócios, há datas específicas que exigem um esforço maior, como a Páscoa. Já Natal e Dia dos Namorados, por exemplo, impactam quase todos os mercados. Para a indústria de alimentos, a sazonalidade de lavouras de produtos específicos torna a oscilação uma constante. As companhias coordenam ações gigantescas para atender a essa agenda.

Em mais de 20 anos atuando no mercado de logística, consigo perceber claramente quais são as empresas que conseguem absorver melhores resultados destas oportunidades: aquelas que se programam para estas datas, mas entendem que oscilações de demanda não são apenas planejadas. Elas podem acontecer de repente e a pandemia de Covid-19 esteve aí para mostrar como.

Uma ação promocional com resultado acima da expectativa, uma viralização nas redes sociais de uma celebridade usando determinado produto ou a repercussão positiva inesperada de uma ação institucional pode fazer com que o mesmo volume gerado em uma data comemorativa chegue como uma enxurrada, do dia para a noite. É quando isso acontece que se torna possível evidenciar as companhias que estão verdadeiramente preparadas.

Quando falamos em tecnologia, essa preparação se reflete nos cuidados com soluções que tenham flexibilidade para suportar tanto estruturalmente quanto estrategicamente operações que oscilam conforme as demandas do mercado e da própria companhia. Isso porque é possível que o estoque esteja abastecido, o marketing funcione perfeitamente. Mas se o sistema que coordena a saída dos produtos do estoque não estiver preparado, o índice de avaliação do consumidor certamente deixará muito a desejar.

É por isso que defendo com veemência que, para além de funcionalidades já conhecidas, os gestores da cadeia de suprimentos tenham um especial olhar para a flexibilidade das soluções. Não apenas por conta da Black Friday, mas porque as dinâmicas do mercado podem atingir em cheio uma companhia a qualquer momento. E perder esta oportunidade só porque ela não tem data marcada não me parece uma decisão com bons frutos.

(*) Hélcio Lenz, diretor presidente da Körber Supply Chain para a América Latina

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