BLTA alerta sobre golpes de que seus hoteis associados têm sido vítimas nas redes sociais

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São Paulo – É indiscutível não admitir a contribuição das redes sociais à sociedade enquanto relevantes ferramentas de comunicação. Um papel que se fortaleceu mais ainda com o início da pandemia de coronavírus, quando empresas e prestadores de serviços reforçaram seus atrativos no meio digital e as pessoas, diante do necessário distanciamento social, passaram a recorrer às plataformas com mais frequência para comunicação, informação, lazer, consumo e inspiração para novos cenários.

No setor da hotelaria de luxo não foi diferente. Cibercriminosos têm criado falsos perfis para aplicarem golpes por meio da obtenção indevida de dados dos seguidores de hotéis e pousadas. De acordo com a diretora executiva da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), Simone Scorsato, os fraudadores estão atuando de norte a sul do país e, dos 39 empreendimentos associados, somente dois não foram vítimas de golpes no Facebook e no Instagram.

“Isso não é uma situação exclusiva da BLTA, outras associações de hotelaria e turismo relatam o mesmo problema. No grupo de WhatsApp dos membros da BLTA se tornou frequente os relatos de contas fakes e pedidos de denúncia das mesmas”, diz Simone.

Alguns desses empreendimentos, inclusive, foram vítimas de fraude mais de uma vez. É o caso, por exemplo, da Pousada Estrela D’Água (de Trancoso/BA), que teve duas contas falsas criadas com seu nome que ofereciam sorteios de diárias. Diante do golpe, o hotel-boutique promoveu os devidos ajustes no Instagram por meio do preenchimento de formulários específicos, fazendo a “denúncia de marca comercial” para que o perfil fake fosse removido em até 24 horas. Mas, apesar da rápida tomada de medidas, dois seguidores relataram ter fornecido dados pessoais, que é o principal objetivo dos fraudadores.

No Estado de São Paulo, os hotéis Unique e Unique Garden (localizados na capital e Mairiporã, respectivamente) lutam para excluir cinco perfis fakes ainda ativos no Instagram. Todos já foram exaustivamente denunciados, mas os porta-vozes da plataforma afirmam que as contas falsas não ferem suas diretrizes. Por dia, são mais de 30 respostas junto aos usuários, mas o hotel comenta que já chegaram a cerca de 50 mensagens diárias.

No Ceará, o Rancho do Peixe teve seu perfil clonado três vezes.  Em todas as situações o hotel foi avisado pelos clientes, que enviaram mensagens via direct alertando sobre a tentativa de golpe e a existência de contas similares que ofereciam diárias gratuitas após envio de dados pessoais. Em todos os casos o hotel agradeceu o alerta recebido, orientando seus seguidores a não compartilharem nenhum dado pessoal e a solicitarem a imediata denúncia da conta fake.

Complementarmente, o empreendimento conta com os serviços de uma agência digital que ajuda no processo de eliminação das contas clonadas e na autenticação dos reais perfis do Rancho do Peixe com o selo azul, que indica que a conta foi verificada oficialmente pela rede social, ou seja, significa que aquele é o perfil original da marca dentro da plataforma. No entanto, ainda aguarda confirmação da rede social, sinalizando que nem sempre a plataforma possui tal agilidade em certificar contas originais.

Na capital fluminense, o Janeiro Hotel teve seu perfil clonado quatro vezes. Segundo o CEO da propriedade, Carlos Werneck, há uma necessidade de tornar público esses golpes em que objetivo é o mesmo: usar o perfil falso para pedir informações pessoais dos seguidores para clonarem o WhatsApp e, assim, extorquir dinheiro da lista de contatos.

Em Alta Floresta (MT), o Cristalino Lodge, a exemplo de outros hotéis que enfrentam a mesma situação, chegou a publicar um comunicado (em português e inglês) em seu perfil no Instagram, alertando seus clientes e seguidores sobre o golpe. Para Alex Riva, sócio-diretor do hotel, “isso é um absurdo e deve ser tratado como associação ao crime e ser investigado, uma vez que as tentativas de golpe não param”.

Cada vez mais audaciosos em suas abordagens, em sínteses os golpes seguem a mesma sistemática. Depois da criação de contas falsas com nomes parecidos (geralmente se adiciona um número no final, um ponto, underline _br, etc.) ao oficial que oferecem vantagens e assim que recebem os dados pessoais das vítimas que acreditaram estar acessando um perfil verdadeiro, os estelionatários enviam uma mensagem de texto que, ao ser acessada, clona-se o WhatsApp da vítima automaticamente, abrindo espaço para a extorsão.

Embora não exista uma estatística atual, há indícios de que o número de vítimas de golpes de clonagem de WhatsApp já ultrapassa a 3 milhões de usuários no Brasil em 2020, segundo previsão do Psafe (dfndr lab), laboratório especializado em segurança digital. Para ter uma ideia da dimensão desses golpes, apenas em 2019 o Facebook excluiu 6,5 bilhões de contas falsas.

(*) Com informações da BLTA

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