Brasil deixa de ser superavitário e deve fechar 2019 com deficit bilionário no comércio com os EUA

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Da Redação

Brasilia – Pela primeira vez em muitos anos, o Brasil deverá fechar 2019 com um deficit superior a US$ 1 bilhão no intercâmbio comercial com os Estados Unidos. De janeiro a novembro, o saldo na balança comercial com a maior economia do planeta alcançou a soma de US$ 1,016 bilhão. Em todo o ano passado, as trocas bilaterais geraram para os americanos um saldo de US$ 271 milhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

Após um crescimento de 6,79% em 2018, este ano as exportações brasileiras para os Estados Unidos  tiveram uma alta de 2,78% e somaram US$ 26,950 bilhões. Segundo principal parceiro comercial do Brasil num ranking liderado com ampla folga pela China, o mercado americano foi o destino final de 13,1% das exportações totais brasileiras.

Do lado  das importações, as compras de produtos americanos cresceram este ano 6,29% (contra uma expressiva alta de 16,59% apurada em 2018) e geraram receita no valor de US$ 27,967 bilhões. Nos onze primeiros meses deste ano os Estados Unidos responderam por 17% do volume total importado pelo Brasil.

Ao contrário da China, que concentra as importações de produtos brasileiros em itens básicos, de menor valor agregado (apenas três produtos, soja, petróleo e minérios de ferro responderam por 88,9% das vendas totais brasileiras para o gigante asiático), os Estados Unidos são um dos países industrializados que mais importam manufaturados brasileiros.

Nas exportações por valor agregado, os itens básicos tiveram uma participação de 17,4% nas exportações para os Estados Unidos, no valor de US$ 4,68 bilhões. Apesar da queda de 7,2% comparativamente com 2018, os produtos semimanufaturados responderam por 18,9% nos embarques para o mercado americano, com receitas no montante de US$ 5,1 bilhões. Por outro lado, os manufaturados, com aumento de 13,6%, totalizaram US$ 17,18 bilhões, respondendo por 63,8% das exportações para os Estados Unidos.

De janeiro a novembro, o petróleo foi o principal item exportado para os EUA, no total de US$ 2,79 bilhões, seguido pelos manufaturados de ferro ou aços, com uma receita  de US$ 2,57 bilhões (participação de 9,6% no total embarcado). Aviões foram o terceiro principal produto exportado para o mercado americano e geraram receita no valor de US$ 1,81 bilhão, o que fez dos Estados Unidos o maior importador dos aviões fabricados pela Embraer em todo o mundo. Entre os cinco principais itens da pauta exportadora para os EUA figuram ainda demais produtos manufaturados (receita de US$ 1,47 bilhão e participação de 5,5% nos embarques totais) e gasolina (US$ 1,13 bilhão, correspondentes a 4,2% do volume total exportado).

Em contrapartida,  os produtos manufaturados responderam por 90,6% das vendas americanas para o Brasil entre os meses de janeiro e novembro. Com uma alta de 6,0%, os produtos industrializados produziram uma receita de US$ 25,33 bilhões, contra US$ 2,28 bilhões obtidos com os embarques de produtos básicos (participação de 8,15%), enquanto as exportações de semimanufaturados totalizaram US$ 358 milhões (participação de 1,28% no total embarcado para o Brasil.

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