Brasil deve considerar aspectos técnicos, jurídicos e Plano Decenal ao implantar 5G, diz LIDE China

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Da Redação

Brasília –  A implantação da tecnologia 5G no Brasil deve ser analisada não apenas sob os aspectos comerciais e de política externa mas também é preciso considerar aspectos técnicos e jurídicos e nessa análise é importante levar em consideração o fato de que em 2021 será formulado um novo Plano Decenal Brasil-China que estará em vigor até 2030 e vai balisar as relações sino-brasileiras nos mais relevantes setores do intercâmbio bilateral nos próximos dez anos.

As negociações em torno do 5G devem ser inseridas nesse contexto, o que permitiria ao Brasil tratar também da exportação de produtos de maior valor agregado para o mercado chinês. As afirmações foram feitas com exclusividade ao Comexdobrasil.com por José Ricardo dos Santos Luz Junior, CEO do LIDE China, ao analisar informações de que o presidente Jair Bolsonaro estaria avaliando a possibilidade de proibir a Huawei de participar do leilão a ser realizado no primeiro semestre de 2021 para decidir sobre a implantação da tecnologia 5G no país.

Na opinião de José Ricardo dos Santos, “se nós temos hoje em relação ao 5G uma disputa entre a Huawei, a Ericsson e a Nokia e esse tema de telecomunicação 5G pode ser uma tópico de negociação para o Brasil melhorar sua pauta de exportação para a China, por que não utilizá-lo?”

Para o CEO do LIDE China,o 5G trará uma série de benefícios para o Brasil, até mesmo por conta do megaprojeto de infraestrutura e cooperação “Cinturão e Rota, a Nova Rota da Seda”, que vem sendo implantado pelo governo chinês, e do qual o Brasil poderá vir a participar.

Além disso, o especialista com sólidos conhecimentos das relações sino-brasileiras, destaca que o Brasil tem diante de si uma grande oportunidade para inserir as negociações em torno da implantação do 5G nas tratativas de elaboração do novo Plano Decenal Brasil-China, que vai vencer em 2021 e será substituído por um novo documento que estará em vigor até 2030.

Segundo ele, “o Plano Decenal é um plano de metas e envolve projetos-chave desenvolvidos entre os dois países, com “flagship projects” (“projetos de bandeira”) de grande relevância para o aumento da cooperação e das parcerias entre os dois países. E esse pode ser um momento muito interessante para o governo brasileiro negociar melhores relações com a China sob o ponto de vista de exportar produtos com maior valor agregado para o mercado chinês. Temos que ter uma visão macro e não micro sobre as relações com a China”.

José Ricardo dos Santos vê ainda um outro motivo para o governo brasileiro analisar a questão do 5G a partir de uma perspectiva mais abrangente e coloca uma questão pertinente: “será que a China não pode abrir mão, por exemplo, de importar certos produtos brasileiros e começar a importar de outros mercados, caso o Brasil decida rechaçar a chinesa Huawei do leilão do 5G sob o ponto de vista de política externa? Temos adiante um bom momento para negociarmos efetivamente nossas relações bilaterais e melhorarmos a pauta exportadora para a China”.

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