Brasil deveria aproveitar o G20 para lucrar com guerra entre China e EUA, avalia economista



Última atualização: 5 de Julho de 2019 - 07:08
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Boca Raton/FL – Crescimento econômico, protecionismo e tensões comerciais pautam o encontro G20. Jair Bolsonaro chegou nesta quinta-feira (27) em Osaka, no Japão, para participar da cúpula. Logo ao desembarcar, o presidente brasileiro afirmou que o Brasil não tem um “lado” na guerra comercial travada entre Estados Unidos e China. As duas maiores potências econômicas mundiais se veem em um impasse recíproco de tensão e imposição de tarifas e sanções comerciais a produtos de exportação.

A questão é que, com o desacordo comercial travado entre as potências, o Brasil turbinou as exportações brasileiras para a China em US$ 8,1 bilhões, de acordo com levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em maio. As vendas nacionais passaram de US$ 22,589 bilhões, em 2017, para US$ 30,706 bilhões, no ano passado.

Em meio à guerra comercial, segundo Carlo Barbieri, economista e analista político brasileiro, radicado nos EUA há 30 anos, o Brasil pode aproveitar de forma bilateral, aumentando sua capacidade de exportação para ambos países. “Temos visto uma grande oportunidade comercial para que o Brasil tenha maior participação nestes mercados, principalmente nos Estados Unidos. O país tem as condições ideais para ocupar o centro dessa disputa e ganhar com ela”, pondera Barbieri.

Em curto prazo, o Brasil sentiu efeitos positivos da tensão comercial. “No caso da China, o Brasil pôde entrar em mercados como carne bovina, sucos de laranja e castanha do Pará, além de se beneficiar no caso da soja. Já no caso dos Estados Unidos, além dos produtos que o Brasil já exporta, temos o fator da proximidade geográfica, favorecendo condições ideais”, pondera o especialista.

ENCONTROS BILATERIAIS

Na sexta (28), Bolsonaro terá um encontro com o presidente Donald Trump – o segundo encontro em menos de três meses, já que Bolsonaro foi recebido na Casa Branca, nos Estados Unidos, em março deste ano. Além do chefe de estado americano, haverá reuniões bilaterais com Emmanuel Macron, da França, e Xi Jinping, da China, com os primeiros-ministros Narendra Modi, da Índia, e Lee Hsien-Loong, de Singapura.

Uma das mais reuniões esperadas acontecerá neste sábado (29). Bolsonaro se encontrará com o Xi Jinping, presidente da China, e a expectativa de especialistas é que a economia seja a principal pauta da conversa. A China é o principal parceiro econômico do Brasil. Entre os destinos das exportações brasileiras, em janeiro deste ano, o país asiático liderou com um aumento da participação em relação a janeiro de 2018, de 18,3% para 20,9% da fatia do mercado.

“Esperamos que o Brasil possa estreitar suas relações com a China e mudar o cenário atual de exportação brasileira para o país asiático. Hoje, a maior participação do Brasil é com commodities. Exportar produtos de alto valor agregado seria muito mais interessante para a economia brasileira”, explica o economista.

RETOMADA DA CONFIANÇA

Neste ano, pela primeira vez, o Brasil ficou foram do ranking da A.T. Kearney, de países que mais devem atrair investimentos estrangeiros no mundo. No levantamento, o Brasil não ficou entre os 25 países mais confiáveis para receber investimentos. Barbieri explica que “a economia brasileira não está transmitindo segurança para o investimento externo. Então, os investimentos costumam ser pontuais e de curto prazo. Isso resulta em um capital especulativo e com alta variação e instabilidade. Essa situação precisa ser resolvida o quanto antes”.

Desde 1998 – quando a consultoria A.T. Kearney começou a fazer este ranqueamento – o país nunca havia ficado fora do top 25. Mercados sólidos, como os dos Estados Unidos e Alemanha, estiveram no topo do ranking de 2019.

“O G20 é uma oportunidade de reposicionar o Brasil no mercado externo e reconquistar a confiança no exterior. Será preciso aproveitar ao máximo as reuniões bilaterais para rever alguns pontos que possam favorecer para ambos lados, mas que, principalmente, reflitam no Brasil posicionando-o como nação atraente para novos investimentos estrangeiros”, analisa Barbieri.

(*) Com informações da Onevox Press

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