Brasil e China devem ampliar cooperação para impulsionar finanças verdes rumo à agricultura sustentável

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Rio de Janeiro –  Brasil e China precisam ampliar os mecanismos de cooperação e de troca de informações nas áreas de finanças verdes e agricultura sustentável, defenderam participantes do Diálogo Brasil-China em Agricultura Sustentável, cuja primeira sessão foi realizada nesta quinta-feira e que se encerra nesta sexta-feira (21).

O presidente do Institute of Finance and Sustainability (IFS) da China, Ma Jun, afirmou que o país asiático tem recursos e 700 fundos verdes, mas carece de informações sobre projetos de agricultura sustentável no Brasil que poderiam receber financiamentos.

“Se o setor financeiro pode prover recursos para apoiar uma cadeia de suprimentos verdes, então os produtores se beneficiam com o aumento de cultivos que podem reduzir emissões, evitar desmatamento e prevenir perda de biodiversidade”, disse Ma.

Foto: Divulgação

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, ressaltou que o Brasil tem um dos maiores programas do mundo de agricultura de baixo carbono, o Plano ABC+, que já levou à adoção de tecnologias do tipo em 20% da área cultivada do país. Tang Renjian, ministro da Agricultura e Assuntos Rurais da China, apresentou quatro propostas para aprofundar a cooperação bilateral em agricultura, incluindo o desenvolvimento conjunto de tecnologias que viabilizem a produção sustentável, além de um pilar voltado a estreitar visitas técnicas e intercâmbios.

O presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Marcos Troyjo, ressaltou que o aumento da renda em países asiáticos, como a Indonésia, elevará o consumo de alimentos no mundo, o que torna ainda mais urgente a adoção de tecnologias que aumentem a produtividade rural de maneira sustentável. Organizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em conjunto com o IFS, o Diálogo foi o primeiro evento a reunir representantes de governos, empresas e thinks tanks de ambos os lados para uma ampla discussão sobre agricultura sustentável.

Foto: Divulgação

O desafio agora é aumentar as trocas de informações e conexões entre o setor financeiro e fundos verdes da China e produtores no Brasil. Na avaliação de Ma Jun, o CEBC pode contribuir para a criação de mecanismos permanentes de intercâmbio entre os dois lados. “É um desafio estimulante, que está em linha com a prioridade do Conselho de promoção da sustentabilidade no relacionamento bilateral, particularmente entre empresas brasileiras e chinesas”, declarou o embaixador Castro Neves sobre a sugestão de Ma.

Debates

No primeiro painel da manhã, O Papel das Finanças Verdes no Apoio à Agricultura Sustentável, Ma destacou que as finanças verdes são baseadas em quatro pilare: a definição de sua taxonomia, indicando claramente seus objetivos, a transparência e divulgação dos benefícios dos projetos, a variedade de produtos, como empréstimos, especialmente de longo prazo, e as políticas de incentivo envolvidas. As finanças verdes, salientou Ma, apoiam diversos segmentos, para além de correlatos à agricultura, como energia limpa e transporte.

Com moderação do ex-embaixador do Brasil na China, Marcos Caramuru, o painel reuniu ainda o ex-chefe de análise de risco do Fundo de Cooperação China-América Latina e Caribe, Fan Xiwen, o diretor de Agronegócio do Banco do Brasil, Antônio Chiarello, a diretora de Produção Sustentável e Irrigação da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do MAPA, Mariane Crespolini, e o diretor de Agronegócio do Bradesco, Roberto França.

O segundo painel, Práticas Sustentáveis na Agropecuária e Ações Corporativas, ressaltou iniciativas de sustentabilidade das empresas. Participaram o CEO Global na BRF S.A., Lorival Luz, o diretor de Estratégia e Planejamento do Centro Nacional para Estratégia de Mudança Climática e Cooperação Internacional do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China, Chai Qimin, o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura, Muni Lourenço, a presidente da Divisão Crop Sicence da Bayer no Brasil, Malu Nachreiner, e o vice-presidente da Pengdu Agriculture & Animal Husbandry, Li Yebin.

Foto: Divulgação

Frases dos participantes

“Existe no Brasil uma grande oportunidade de negócio e demanda para parcerias internacionais: os produtores rurais se beneficiam com o crédito e a assistência técnica e financeira, é um ciclo oportuno para o financiamento verde.”
Diretora de Produção Sustentável e Irrigação da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do MAPA, Mariane Crespolini

“O Brasil emite muitos títulos verdes e promove muitos estímulos para a agricultura sustentável. A cooperação internacional e as relações com a China podem impulsionar para que esses ativos sejam monetizados, com o intuito de trazer mais recursos ao Brasil e ampliar a agricultura sustentável brasileira”.
Diretor de Agronegócio do Banco do Brasil, Antônio Chiarello

“No Fundo de Cooperação China – América Latina, grandes investimentos estão na área de agricultura sustentável, sendo que mais de 50% do montante total está localizado no Brasil”.

“Brasil e China podem ser líderes na agricultura sustentável e no aumento da produtividade. Combinados, os dois países podem prover comida básica para mais de 4 bilhões de pessoas, mais de 50% da população total do mundo”.
Ex-chefe de análise de risco do Fundo de Cooperação China-América Latina e Caribe, Fan Xiwen

“Como um player global, temos o desafio de produzir alimentos para uma população mundial que deve chegar a quase 10 bilhões em 2050″.
CEO Global na BRF S.A., Lorival Luz

“A atividade agropecuária é um pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável do Brasil, que já se configura como uma potência agroambiental no mundo, conseguindo balancear a produção de alimentos e a preservação e conservação ambiental.”
Presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura, Muni Lourenço

“Há grandes oportunidades para o estabelecimento de soluções comuns para a agricultura sustentável. Melhorar a comunicação, intercambiar conhecimento, tecnologia e informações de origem e aperfeiçoar a conexão entre os setores financeiro dos dois lados pode ser um roteiro para a cooperação bilateral”.
Malu Nachreiner, presidente da Divisão Crop Science da Bayer no Brasil

“O Brasil tem muitas vantagens em termos de sustentabilidade agrícola e políticas relacionadas a esse setor e também ao seu mercado. A China pode aprender com essas políticas brasileiras e devemos fomentar a promoção de trocas entre os dois países, uma maior colaboração entre os setores para que os dois países encontrem soluções comuns e para que as políticas sejam ainda efetivas para tornar esses setores ainda mais verdes”.
Chai Qimin, diretor de Estratégia e Planejamento do Centro Nacional para Estratégia de Mudança Climática e Cooperação Internacional (NCSC) do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China

“Enfrentamos problemas realmente grandes, como as mudanças climáticas, a redução da biodiversidade, grande aumento populacional, aumento da pobreza e disparidade de renda. Podemos usar a agricultura de maneira positiva para tratar destas questões”.
Vice-presidente da Pengdu Agriculture & Animal Husbandry, Li Yebin.

As propostas do ministro chinês

O ministro da Agricultura e Assuntos Rurais da China apresentou quatro propostas ao Brasil, principal parceiro comercial da China em produtos agrícolas há três anos consecutivos: 1)  ampliar aprendizagem mútua, com visitas, simpósios e cursos de capacitação; 2) fortalecer a inovação tecnológica; 3) fomentar o comércio bilateral, alinhando projetos de investimento e comércio; e 4) consolidar a cooperação multilateral em organismos como FAO, OMC e os BRICS, além de outros fóruns multilaterais.

Segundo dia

No segundo e último dia, o Diálogo Brasil-China sobre Agricultura Sustentável terá abertura do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. Os temas são biodiversidade e economia circular. Biodiversidade está na pauta da China neste ano, pois o país é sede da COP15 sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas, marcada para outubro, na cidade de Kunming. Já sob o âmbito da economia circular, o destaque é para o desafio de substituição do plástico e de fibras fósseis.

A transmissão começa às 7:30, horário de Brasília. As inscrições têm de ser feitas previamente por meio do link bit.ly/2Qp8DZ9.

PROGRAMAÇÃO DE SEXTA

Dia 21

Painel III – Agricultura Sustentável e Biodiversidade

Participarão da discussão a vice-presidente de Marca, Inovação, Internacionalização e Sustentabilidade e membro do Comitê Executivo da Natura, Andrea Álvares, o professor catedrático e reitor de Global Food Economics and Policy na China Agricultural University, Fan Shenggen, o vice-presidente e diretor de Operações do Novo Banco de Desenvolvimento, Zhu Xian, o secretário-adjunto de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do MAPA, Cléber Soares, o chefe de Sustentabilidade e Negócios Responsáveis da Syngenta, Juan Gonzales Valero, e o especialista e engenheiro sênior do Foreign Environmental Cooperation Center (FECO) do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China, Yu Zhidi. A moderação será do diretor-geral da Agroicone, Rodrigo Lima.

Painel IV – Bioeconomia e Economia Circular

Participam a secretária-geral do Committee of Green Circular and Inclusive Development of All-China Environment Federation, Jiang Nanqing, o CEO da Suzano S.A, Walter Schalka, o CEO da Klabin, Cristiano Teixeira, a fundadora e administradora da R. Cubic, Zhang Miao, e o diretor-geral da Huilin New Material Technology, Liu Wu. A moderação ficará a cargo do diretor-executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), José Carlos da Fonseca Júnior.

(*) Com informações do CEBC

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