Brasil e México assinam Acordo para o Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila

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Brasília – O Acordo para o Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila como Indicações Geográficas e Produtos Distintivos do Brasil e do México foi assinado na última segunda-feira (25) por ocasião da visita do ministro das Relações Exteriores, José Serra, ao México.

Enquanto a Tequila é protegida em mais de 46 países, incluindo a União Européia, com o reconhecimento, o México é o terceiro país a reconhecer a Cachaça como um destilado exclusivo do Brasil. Antes, apenas, Estados Unidos e Colômbia reconheciam a Cachaça como destilado genuinamente brasileiro.

As tratativas entre os dois países estavam em andamento há alguns anos, mas foi a partir de junho de 2014, com a renovação de um convênio firmado entre o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) e o Conselho Regulador de Tequila (CRT), que a movimentação em torno do processo de reconhecimento recíproco recebeu maior atenção do Governo. O resultado final deste esforço conjunto entre as entidades representativas da Cachaça e da Tequila acontece agora.

A ida de representantes do IBRAC ao México em 2014 integrou as ações do Projeto Setorial de Promoção às Exportações de Cachaça desenvolvido em parceria entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a entidade. A visita teve como objetivo a realização de ações de benchmarking com a Tequila com o intuito de melhorar o trabalho de promoção e defesa da Cachaça em mercados internacionais.

Segundo Cristiano Lamêgo, Presidente do Conselho Deliberativo do IBRAC, entidade representativa do setor produtivo da Cachaça, “a assinatura do acordo é um marco na história da Cachaça, que neste ano completa 500 anos”. Além disso, reforça o Presidente do IBRAC: “O reconhecimento é o resultado dos esforços conjuntos entre o Governo Brasileiro e o setor privado”.

As exportações de Cachaça atualmente estão aquém do potencial de mercado. Estima-se que apenas 1% do volume produzido é exportado e com o reconhecimento da Cachaça, Lamêgo acredita que as empresas aumentarão seus investimentos no mercado mexicano e isso poderá representar um bom aumento nas exportações de Cachaça.

Enquanto em 2015 o México exportou mais de 180 milhões de litros de Tequila para mais de 120 países, o Brasil exportou pouco mais de 7 milhões de litros do destilado exclusivamente Brasileiro para 61 países. Deste total, apenas 0,54% do total (quantidade) exportado de Cachaça foi para o México.

Parte do sucessso da projeção da Tequila no mundo deve-se à forma de organização do setor no México, que tem sido um exemplo perseguido pelos produtores de Cachaça. O IBRAC defende, há alguns anos junto ao Governo Brasileiro, que a Cachaça tenha o mesmo modelo organizacional existente no México.

Além da possibilidade de aumento das exportações, segundo o Presidente do IBRAC, o reconhecimento da Cachaça pelo México tem um valor imensurável e impedirá o uso da denominação Cachaça por produtores de outros países. Cristiano também destaca a necessidade de assinatura de outros acordos para promoção, valorização e proteção da Cachaça como destilado genuíno e exclusivo do Brasil, a exemplo do que tem feito o México, com a Tequila, e o Reino Unido, com o Scotch Whisky.

Os números da Cachaça: 

· O Brasil possui quase 2.000 produtores devidamente registrados, com 4.000 marcas.

· Estima-se que esses produtores possuam uma capacidade instalada de produção de aproximadamente 1,2 bilhão de litros anuais da bebida, porém, anualmente são produzidos aproximadamente 800 milhões de litros.

· Exportações: Em 2015 a Cachaça foi exportada para 61 países. Atualmente são mais de 60 empresas exportadoras (40 dessas apoiadas pela Apex-Brasil), gerando uma receita de US$ 13,32 (7,7 milhões de litros).

· Principais Regiões Produtoras: São Paulo, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e Paraíba.

· Principais Regiões Consumidoras: São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Bahia e Minas Gerais.

 

Fonte: Apex-Brasil

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