Brasil pode agregar valor às exportações para a China com aumento das vendas de proteína animal, frutas e café

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Da Redação

Brasília – O Brasil poderá agregar valor à sua pauta exportadora para a China, mas isto não se dará através da ampliação das vendas de produtos eletroeletrônicos, celulares, automóveis e televisores, dentre outros bens, mas sim com o aumento nas exportações de alimentos processados, tais como proteína animal, frutas e café. Ampliando a venda desses produtos, o país agregará valor às exportações para seu principal parceiro comercial, hoje concentrada em mais de 80% em soja, minério de ferro, petróleo e celulose. A afirmação foi feita pelo CEO do LIDE China, José Ricardo dos Santos Luz Júnior.

A China já expressou o interesse em ampliar a importação de produtos industrializados, e recentemente, o Embaixador Yang Wanming afirmou a disposição do governo de Pequim de colocar a parceria com o Brasil em “novo patamar” e que a China está disposta a expandir o leque de bens agropecuários importados do Brasil, para além da soja, principal item da pauta entre os dois países. De acordo com o embaixador chinês, “a relação comercial bilateral não deve se limitar apenas a compra e venda. Tem que ter parceria segura, confiável e duradoura”.

O embaixador disse também que “a China vai manter uma demanda forte por diversificação de produtos agrícolas e fomentar investimentos no setor. Estamos dispostos a aprofundar a cooperação com o Brasil em áreas novas, como a agricultura inteligente, orgânica, e sofisticar o nível da parceria através da capacitação de recursos humanos”.

Segundo o CEO do LIDE China, é importante destacar o fato de que a China está dando uma abertura para um diálogo com o Brasil com o enfoque de exportarmos produtos com maior valor agregado: “quando falo em produtos com maior valor agregado, me refiro a aumentar a venda de produtos processados, especialmente proteína animal, frutas e café. Mas não vamos nos enganar pensando que aumentar a pauta de exportação brasileira significa, por exemplo, exportar produtos eletroeletrônicos, automóveis, celulares, televisores, dentre outros, porque não temos essa hipótese na área de alta tecnologia. O que temos é a Embraer, que já tem uma relação positiva com a China, tanto na instalação de uma fábrica em Harbin, como na exportação de aeronaves para a China. Mas não temos um histórico na relação para a produção de outros produtos eletroeletrônicos”.

O especialista faz questão de frisar que “o que nós temos é uma grande possibilidade de intensificação da exportação, especialmente dos produtos agrícolas acima mencionados. Além deles, recentemente tivemos a aprovação, pelo governo chinês, para a exportação de melão e existe ainda uma série de outros produtos que também podem ser exportados para o mercado chinês”.

José Ricardo dos Santos Luz Júnior vê nas declarações do embaixador Yang Wanming uma clara manifestação do interesse do governo chinês em intensificar o diálogo com o Brasil visando melhorar a relação bilateral através da ampliação qualificada das exportações brasileiras. Segundo ele, “nos últimos dez anos, essa pauta sempre foi concentrada, do lado brasileiro, principalmente em soja, minério de ferro, petróleo e celulose. São apenas quatro produtos que respondem por cerca de 80% do volume total exportado para a China e isto precisa ser alterado. Nós temos um espaço, conforme o embaixador chinês deixou bem claro, e há um interesse, um apetite de melhoria dessa relação, que foi ressaltado, inclusive, após a posse do novo chanceler brasileiro, o embaixador Carlos França”.

A troca no comando do Itamaraty, com a saída de Ernesto Araújo e sua substituição por Carlos França é vista por José Ricardo dos Santos Luz Júnior como um fato relevante para a criação de um ambiente mais favorável para a intensificação das relações sino-brasileiras: “temos visto desde a posse do novo chanceler uma retomada do diálogo e da relação entre os dois países. No último dia 10 de abril, o novo chanceler brasileiro recebeu uma ligação do ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, e tiveram um contato amistoso, com ênfase na harmonia da relação sino-brasileira. Na conversa, foram reforçados não só as relações bilaterais mas a coordenação multilateral, o combate conjunto à pandemia e a promoção e recuperação econômica. Todos esses assuntos debatidos pelos dois chanceleres só reforçam o que foi discutido e o que foi objeto do discurso do embaixador Carlos França ao assumir o Itamaraty”.

O especialista nas relações sino-brasileiras destaca que “o que ficou claro para mim no discurso de posse do embaixador Carlos França foi a relevância na retomada do diálogo, também enfatizada pelo embaixador Yang Wanming ao participar de um evento da revista Exame, no qual o diplomata chinês falou em se elevar as relações entre a China e o Brasil a um novo patamar. Em sua interpretação sobre o alcance dessa afirmação de dar ainda maior expressão às relações entre os dois países, o CEO do LIDE China sublinhou que essa mudança deve se registrar no ponto de vista econômico e comercial e não sobre um ponto de vista político.

E, para reforçar sua argumentação, ele fez referência a uma série de iniciativas implementadas por autoridades dos dois países na história recente: “em 1993, durante a visita do presidente Jiang Zemin, e do então vice-primeiro ministro Zhu Rongji, foi estabelecida uma parceria estratégica entre o Brasil e a China. Depois, em 2012, na visita do ex-primeiro ministro Wen Jiabao à então presidente Dilma Rousseff, o Brasil foi elevado à categoria de parceiro estratégico global da China. Então, nesses tempos, tivemos uma elevação importante das relações bilaterais, com uma série de ações e incentivos visando aprimorar anda mais as relações bilaterais”.

Com esses argumentos, José Ricardo dos Santos Luz Júnior reforça que objetivo do embaixador Yang Wanming ao falar sobre elevar as relações entre a China e o Brasil a um novo patamar, considerava que “isto não significa apenas retomar essa boa a harmoniosa relação ganha-ganha, uma relação Sul-Sul positiva e de cooperação entre o Brasil e a China, mas sim aumentar e diversificar a pauta exportadora brasileira, com uma elevação do valor agregado das nossas exportações. Como o embaixador disse, não se trata apenas de uma lição de casa brasileira, mas uma das prioridades para a nossa cooperação, para colocar a parceria em outro patamar”.

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