Brasil precisa adotar medidas de facilitação do comércio e firmar acordos comerciais, diz CNI

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Brasília – “O Brasil precisa adotar medidas de facilitação do comércio exterior, como a implantação do Portal Único para o registro de operações de exportação e importação, e as negociações de acordos comerciais com a União Europeia e outros países, como Estados Unidos e México”.  A afirmação foi feita pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

Na entrevista à Agência CNI de Notícias, o presidente da Confederação falou sobre a saída da crise e a retomada do crescimento, abordou questões ligadas ao emprego, à infraestrutura e aos investimentos, entre outros assuntos.

Abaixo, a íntegra da entrevista do presidente Robon Braga de Andrade:

 Robson Andrade presidente da CNI
Robson Andrade presidente da CNI

Agência CNI de Notícias – Como o senhor avalia o governo do presidente em exercício Michel Temer?

Robson Braga de Andrade – As perspectivas são positivas. O presidente Michel Temer tem dado diversas demonstrações de que está aberto ao diálogo, disposto a construir consensos e a buscar um futuro promissor para o Brasil. Exemplos disso são a prioridade dada à área econômica e a disposição para tocar as reformas necessárias à criação de um ambiente favorável à produção e ao emprego. Medidas como a fixação de um limite para o crescimento dos gastos públicos melhoraram a confiança dos empresários e da população. Nossa expectativa é que as ações do governo, daqui para a frente, abram caminho para a saída da crise e a retomada do crescimento econômico.

Agência CNI de Notícias – Na sua opinião, o que precisa ser feito para tirar o país da crise?

Robson Braga de Andrade – O Brasil precisa de mudanças estruturais, de reformas para voltar a crescer. Precisamos investir em infraestrutura, ampliar a participação do Brasil nos mercados internacionais, fazer uma reforma da Previdência Social, modernizar as relações do trabalho e melhorar a qualidade dos gastos públicos. Medidas nessa direção trazem investimentos, animam os empresários e, consequentemente, geram empregos, movimentando a economia. É a retomada de um círculo virtuoso.

Agência CNI de Notícias – Essas medidas precisariam de consenso e muita vontade política para fazê-las. O senhor acredita que isso realmente possa acontecer?

Robson Braga de Andrade – Felizmente, o Brasil está, aos poucos, recuperando a normalidade política.  Neste ambiente de menos incertezas, não podemos adiar, mais uma vez, as ações que abram o caminho para o desenvolvimento econômico e social. Eu acredito no entendimento. Com vontade política e espírito público dos governantes, a participação da sociedade e a união de todos em torno de um projeto de país, chegaremos a um consenso e criaremos as condições para aprovar e implementar as medidas necessárias ao crescimento.

Agência CNI de Notícias – Quais medidas imediatas ajudariam a melhorar o ambiente de negócios no país?

Robson Braga de Andrade – Há uma série de ações que não trazem custos adicionais ao governo e podem ser adotadas imediatamente. São medidas que reduzem a burocracia e trazem mais segurança aos investidores. Entre as ações capazes de transformar a economia brasileira, estão a transferência das administrações portuárias ao setor privado e o aumento da participação do capital privado nas obras de infraestrutura, como a construção de rodovias e ferrovias e redes de saneamento básico. O Brasil também precisa adotar medidas de facilitação do comércio exterior, como a implantação do Portal Único para o registro de operações de exportação e importação, e as negociações de acordos comerciais com a União Europeia e outros países, como Estados Unidos e México.

Agência CNI de Notícias – A CNI defende a modernização das leis trabalhistas. Quais pontos, mais especificamente?

Robson Braga de Andrade – Nós, da indústria, entendemos que a legislação trabalhista deve acompanhar as transformações do mundo do trabalho, garantindo os diretos dos trabalhadores e segurança jurídica para as empresas. Um avanço importante nessa direção é a valorização da negociação coletiva, que permitirá a empregados e empregadores fecharem acordos que atendam às suas necessidades. Naturalmente, esses acordos preservarão os diretos legais dos trabalhadores. Outra ação importante é a regulamentação da terceirização. A falta de regras para a contratação de serviços especializados traz insegurança para as empresas e desestimula a criação de empregos formais. Além disso, é importante a revisão da Norma Regulamentadora nº 12, a NR 12, cujas exigências para a segurança de máquinas e equipamentos são mais rigorosas do que as reconhecidas em países como a Alemanha e os Estados Unidos. Da forma como está, a NR 12 é inexequível e inviável.

Agência CNI de Notícias – Por que a CNI defende a reforma da Previdência?  Quais as propostas da Confederação nesse tema?

Robson Braga de Andrade – O rombo nas contas da Previdência Social indica que, num futuro muito próximo, o Brasil não terá dinheiro para pagar os aposentados.  A reforma na Previdência é inadiável porque precisamos garantir que todos – nós, nossos pais e nossos filhos – tenham as merecidas aposentadorias. Pesquisa recente da CNI mostra que os brasileiros apoiam essas mudanças. Para a CNI, a reforma deve estabelecer idade mínima para aposentadoria, equiparação do tempo de contribuição de homens e mulheres, e a desvinculação do reajuste dos benefícios da Previdência do aumento do salário mínimo.

Agência CNI de Notícias – Qual deveria ser o papel do empresário hoje para alavancar uma agenda de desenvolvimento no país?

Robson Braga de Andrade – Os empresários são os protagonistas do desenvolvimento econômico, pois investem na produção, criam empregos e geram renda. Especialmente neste momento de crise, a participação dos empresários no debate nacional é imprescindível para a superação dos obstáculos ao crescimento. É por isso que a CNI, como representante dos interesses da indústria, colabora com o setor público e os demais segmentos da sociedade. Nosso objetivo é a competitividade da indústria e o crescimento vigoroso e sustentado da economia, com distribuição de riquezas, e educação e saúde de boa qualidade para os brasileiros.

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