Brasil registra déficit recorde da série histórica no comércio bilateral com os EUA: US$ 8,9 bilhões de janeiro a julho

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Da Redação

Brasília – Nos sete primeiros meses de 2022, o Brasil acumulou o maior déficit na história do intercâmbio com os Estados Unidos para o período e também o pior resultado já obtido com qualquer um de seus parceiros comerciais em apenas sete meses. De janeiro a julho, as exportações americanas para o Brasil totalizaram US$ 29,872 bilhões, com uma forte alta de 52,6% comparativamente com o mesmo período do ano passado. Por outro lado, as vendas brasileiras para o mercado americano somaram US$ 20,932 bilhões, um incremento de 27,8% sobre o mesmo período de 2022.

Com isso, o fluxo de comércio foi desfavorável ao Brasil em US$ 8,938 bilhões. Em todo o ano passado, o saldo positivo em favor dos americanos foi de US$ 8, 240 bilhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.

O desequilíbrio no comércio bilateral deveu-se, primordialmente, ao forte crescimento das importações de produtos como óleos combustíveis, gás natural e petróleo, que entre janeiro e julho figuraram entre os cinco itens mais importados pelo Brasil no mercado americano.

Com alta de 108%, as compras de óleos combustíveis somaram US$ 7,3 bilhões e lideraram a pauta importadora. Nessa mesma linha, as importações de gás natural cresceram 131% para US$ 2,5 bilhões. Salto ainda maior foi registrado nas importações de petróleo, que totalizaram US$ 1,99 bilhão, graças a um incremento de 265% nas compras brasileiras. Outros destaques na pauta importadora foram motores e máquinas não-elétricos, com US$ 2,4 bilhões e demais produtos da indústria de transformação, responsáveis por US$ 1,19 bilhão em importações realizadas no período.

Enquanto as exportações americanas dispararam 52,6%, as vendas brasileiras cresceram pouco mais da metade, exatos 27,8%. Os principais produtos embarcados para o mercado americano foram produtos semiacabados, lingotes (US$ 2,9 bilhões e alta de 6,9%), petróleo (US$ 2,7 bilhões, com uma elevação de 90,5%), café não torrado (alta de US$ 69,9% para US$ 1,0063 bilhão), ferro gusa (US$ 1,0026 bilhão e majoração de 64,6%) e aeronaves, cujas exportações cresceram 27,6% e somaram US$ 933 milhões no período janeiro-julho.

 

Déficit é recorde histórico

O saldo negativo de quase US$ 9 bilhões em apenas sete meses marca um recorde histórico no comércio entre o Brasil e os Estados Unidos. No primeiro ano da série, que começou a ser divulgada pelo governo brasileiro em 1997, as exportações brasileiras totalizaram US$ 9,629 bilhões e as vendas americanas atingiram a cifra de US$ 13,662 bilhões. Naquele ano, o intercâmbio gerou um saldo negativo de US$ 4,039 bilhões.

No ano 2000, o Brasil alcançou o primeiro superávit da série histórica com os Estados Unidos: US$ 265 milhões, resultado de exportações no valor de US$ 13,161 bilhões e importações no montante de US$ 12,906 bilhões. Os superávits brasileiros se sucederam até o ano de 2008 e o maior saldo brasileiro foi registrado em 2005, quando as exportações superaram as importações em US$ 10,023 bilhões.

Mas a balança comercial voltou a pender para o lado americano em 2009, com um superávit de US$ 4,430 bilhões. Em 2013, o comércio bilateral registrou o maior saldo para os Estados Unidos, da ordem de US$ 12,376 bilhões.

Nos anos seguintes, novos superávits americanos, tendência quebrada em 2017, quando o Brasil alcançou um saldo de  US$ 2,026 bilhões nas trocas com os americanos. A partir de 2018, os americanos voltaram a ter uma balança comercial favorável com os brasileiros, tendência que se acentuou de forma mais expressiva, quando o superávit dos Estados Unidos somou US$ 8,240 bilhões, cifra superada em apenas sete meses de 2022, quando o saldo acumulado totalizou US$ 8,939 bilhões.

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