Brasil relega a segundo plano a COSBAN, principal mecanismo de diálogo político com a China

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Da Redação

Brasília – O governo brasileiro tem se dado ao luxo de não utilizar a principal plataforma de diálogo com a China, que é a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) nestes momentos dramáticos de combate  ao avanço da pandemia de Covid-19 no pais, que se aproxima da trágica marca de 300 mil vidas perdidas para o coronavírus. Além disso, o governo subutiliza o dirigente mais bem preparado e diplomaticamente oficializado para esse diálogo, que é o vice-presidente Hamilton Mourão.

A constatação é de um respeitado profissional e profundo conhecedor das relações entre o Brasil e a China, José Ricardo dos Santos, CEO do LIDE China, para quem o Brasil não otimiza os mecanismos apropriados existentes na COSBAN para intensificar ainda mais as relações com seu principal parceiro comercial e maior fornecedor mundial de vacinas e insumos para a sua fabricação, que é a China.

Após destacar que é nítida a necessidade que o Brasil tem de se aproximar dos fabricantes internacionais de vacinas, especialmente a China e a Índia, o especialista  afirma que tem acompanhado as notícias de diversos articuladores políticos interessados em aproximar ainda mais o Brasil da China e lamenta que a COSBAN não esteja sendo usada como deveria.

A COSBAN foi criada em 2004 e em quase 17 anos foram realizadas apenas cinco reuniões, a última delas em junho de 2019, em Pequim, quando o vice-presidente Hamilton Mourão foi à China. Mourão co-preside a Comissão em parceria com o vice-presidente chinês, Wang Qishan.

Para o dirigente do LIDE China, “o Brasil está deixando de lado o seu principal instrumento de diálogo, em que pese todo o esforço e boa vontade de diversos articuladores políticos, mas não há ninguém não só mais  bem preparado mas também diplomaticamente oficializado como o vice-presidente Mourão. Ele é a pessoa, na área do governo federal, mais apropriada e mais indicada (para conduzir o diálogo com a China) por presidir a COSBAN. Por certo, se conseguirmos aprimorar esse diálogo através do principal instrumento de concertação política entre o Brasil e a China, não tenho dúvidas de que teremos melhores e mais efetivos resultados. Volto a dizer que não podemos deixar de usar nossa principal arma contra a Covid-19 no que tange ao pedido de vacinas e de ajuda ao nosso maior parceiro comercial que é a China”.

Em uma conversa com o Comexdobrasil.com -e sob a condição do anonimato- uma outra fonte também criticou o governo brasileiro pela não realização de uma nova reunião da COSBAN quase dois anos após o último encontro de 2019.
Segundo a fonte, “com a chegada e recrudescimento da pandemia em 2020, o governo brasileiro poderia ter sugerido ao governo chinês a realização de uma reunião da COSBAN, ainda que sob o formato virtual. A COSBAN conta com 12 subcomissões, entre elas a Subcomissão de Saúde e a Subcomissão de Ciência, Tecnologia e Inovação. Nelas, temas como o combate à Covid, o fornecimento ao Brasil de insumos e vacinas poderiam ter sido abordados de forma efetiva, contribuindo decisivamente na luta contra a pandemia em nosso país. Infelizmente nada disso foi feito e o preço que está sendo pago por essa imprevidência é do conhecimento de  toda a população brasileira”.

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