Brasil se prepara para ser protagonista do Comércio Exterior de Serviços



Última atualização: 29 de Maio de 2019 - 22:06
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Angela Maria dos Santos (*)

 

O setor de serviços é um dos mais importantes dentro da atividade econômica mundial. Em 2017, por exemplo, o segmento foi responsável por mais de 63% do PIB global e mais da metade do total de empregos no planeta. O setor terciário, como também é chamado, foi responsável por 86% das riquezas geradas nos EUA e, no Brasil, essa atividade respondeu por 73% do PIB.

No entanto, a participação do Brasil no mercado internacional de comércio de serviços ainda é muito pequena, principalmente em comparação às grandes potências econômicas. Os EUA, que lideraram o ranking em 2017, tiveram 52% de suas exportações originadas desse setor. Já por aqui, as exportações de serviços somaram apenas 13,4%  – o que significa que ainda temos que evoluir muito nessa área.

A tendência global é que o comércio exterior de serviços se mantenha em alta nos próximos anos. O setor passa por importantes transformações que colaboram para essas projeções otimistas. Entre elas, os avanços tecnológicos, a mudança de hábito do consumidor nas últimas décadas, que capitanearam grandes investimentos feitos em quase todo o mundo. Sem contar o aumento da oferta de servitização, como é chamada a prática de incluir prestação de serviços aos produtos comercializados, de modo a agregar mais valor à mercadoria como um todo e fortalecer ainda mais o relacionamento de longo prazo com os clientes.

O governo, nos últimos anos, vem trabalhando para fomentar o comércio exterior de serviços, principalmente as  exportações tanto por meio de fornecimento de dados (estatísticas, comparativos e informações detalhadas sobre os tipos de serviços existentes) quanto com investimentos em tecnologia. Vale lembrar que, desde 2012, todas as operações de importação e exportação, devem ser registradas no Siscoserv (Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio).

Os profissionais que atuam nesse setor devem classificar o serviço no respectivo código da Nomenclatura Brasileira de Servios (NBS), que até final de 2018 apresentava a maioria das descrições de forma muito genérica. Porém, desde 1º de janeiro, com a publicação da versão 2.0 da NBS, ferramenta utilizada para classificar todos os serviços antes de serem registrados no Siscoserv, as descrições foram ajustadas para se adequar aos padrões internacionais da Classificação Central de Produtos (Central Product Classification – CPC) das Nações Unidas.

Além disso, todo o processo está mais preciso e detalhado. Ao todo foram mais de mil modificações que, de uma maneira geral trouxe mais agilidade. No entanto, é importante que as empresas e profissionais desse setor estejam  atentos às suas operações considerando  as novas diretrizes da NBS. A verificação minuciosa é sempre importante porque muitos códigos foram mantidos porém com outra descrição. Em outros casos a descrição do serviço continuou a mesma, porém com um novo código. Na hipótese de mudança, a adequação do serviço ao seu novo enquadramento na NBS 2.0 é necessário, evitando assim eventuais prejuízos. Sem ajuda da tecnologia, essa tarefa se transforma em um grande desafio, por isso, se recomenda a adoção de soluções que automatizem processos e evitem erros humanos.

O objetivo da mudança é facilitar o comércio de serviços entre o Brasil e outros países, além de elaborar políticas públicas para o setor. Isso se mostra ainda mais relevante em meio às várias mudanças pelas quais o comércio exterior brasileiro está passando.

A NBS 2.0 já está ajudando a melhorar o comércio exterior brasileiro em um segmento tão importante e no qual ainda não conseguimos aproveitar todo nosso potencial. As perspectivas são muito boas. Com um esforço conjunto, em breve, podemos nos inserir como um protagonista de negócios em serviços global.

(*)  Angela Maria dos Santos, especialista em Comércio Exterior da Thomson Reuters

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