Brasil vive epidemia de ‘fuga de cérebros’ para o exterior

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Rodrigo Lins (*)

Aumentou o número de profissionais brasileiros que estão deixando o país. Uma emigração qualificada de graduados, especialistas, mestres e doutores brasileiros que enxergam fora do país um futuro melhor para si e para suas famílias.

Em três anos, o número de brasileiros aprovados para morar nos Estados Unidos, por exemplo, deu um salto. Em 2018, foram emitidos 4.300 vistos de imigração para cidadãos do Brasil – um aumento de 74% em relação a 2015, quando houve 2.478 vistos concedidos, segundo o Departamento de Estado americano. Esta onda de emigrantes conta, principalmente, com profissionais qualificados que procuram oportunidades em outro país.

Ancorados na lógica de continuar suas vidas e carreiras profissionais na américa do norte, este é o novo perfil de brasileiros imigrando aos Estados Unidos. Esta grande virada tem dado uma diferente roupagem ao imigrante brasileiro que, há pouco mais de 10 anos, vinha aos EUA para atuar em serviços mais operacionais e braçais, mas que hoje, apostam em suas capacidades intelectuais para consolidar a nova vida no novo país.

Esta emigração de brasileiros qualificados já é considerada uma fuga de capital humano, e que pode ser verificada em números. Em 2011, a Receita Federal brasileira registrou a saída definitiva de 8.170 pessoas. Em 2017, pelo menos 21.701 saídas definitivas foram registradas — um aumento de 165%. Já em 2018, foram 22.538. Muito além de viver em outro país, na mala, os emigrantes levam projetos de empreendedorismo e trabalho, além de suas carreiras profissionais e experiências consolidadas no Brasil.

A descoberta mais recente das possibilidades de vistos que premiam com documento de residência permanente profissionais estrangeiros altamente qualificados – conhecido como visto Einstein – contribuiu para essa fuga em massa de brasileiros intelectuais para os EUA. Estes novos imigrantes brasileiros estão em busca de uma espécie de novo sonho americano: empreender e alçar vôos maiores e sem fronteiras em suas carreiras profissionais.

Engenheiros, profissionais da saúde, professores, escritores, atletas, cientistas, músicos, administradores, entre outros, formam uma verdadeira onda de novos profissionais brasileiros que estão sendo absorvidos silenciosamente no mercado de trabalho americano pela porta da frente, muito longe da polêmica imigração ilegal pela fronteira dos EUA com o México.

O que vemos nos Estados Unidos é uma parcela significativa de brasileiros que estão fazendo a diferença. O Brasil foi o segundo país que mais gerou empregos nos EUA, atrás apenas do México. Levantamento desenvolvido pela Apex-Brasil, divulgado este ano, mostra que empresas brasileiras empregaram 74.200 funcionários nos Estados Unidos

Um outro estudo elaborado pelos pesquisadores Álvaro de Castro e Lima e Alanni Barbosa divulgado em 2017 mostrou que os domicílios chefiados por imigrantes brasileiros tiveram uma renda domiciliar média de US$ 55.463 de dólares. Este rendimento anual foi superior ao dos domicílios chefiados pelos outros imigrantes (US$ 49.484) e superior ainda ao dos chefiados por americanos nativos (US$ 54.455).

A pesquisa com base nos dados do governo americano e do Itamaraty revelou que a comunidade brasileira nos Estados Unidos está mais integrada do que a média dos outros imigrantes no país, é mais qualificada e ganha melhor até do que os próprios americanos. De acordo com o levantamento, os brasileiros nos Estados Unidos têm maior nível educacional que a média de todos os imigrantes, sendo que 46% têm ensino médio completo e superior incompleto e 30% são graduados no ensino superior, contra 35% e 23% dos demais.

Estes dados nos revelam a face deste novo sonho americano acreditado e almejado por tantos brasileiros. Um cenário promissor para os novos profissionais brasileiros, mas que acende um alerta ao Governo do Brasil pela perda acentuada de cérebros altamente qualificados que certamente farão falta ao país num médio prazo.

É importante lembrar que estes jovens profissionais brasileiros que internacionalizam suas carreiras raramente voltam a residir no Brasil. Um momento que exige reflexão e ações por parte dos governantes para que políticas de retenção dessa força jovem passem a ser formuladas e implementadas. Medidas que possam convencer o profissional jovem brasileiro que o país é mais atrativo que outras nações mundo afora. Enquanto isso, a epidemia de ‘fuga de cérebros’ segue intensa

(*) Rodrigo Lins – Mestre em Comunicação, Especialista em linguagem audiovisual, Professor universitário, jornalista e escritor, reside nos Estados Unidos e é autor do livro “Internacionalize-se: Parâmetros para levar a carreira profissional aos EUA legalmente”. É CEO da agência de Comunicação, Marketing e Imprensa multinacional Onevox Creative Solutions

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