Câmara Árabe promove Brazilian Festival com apresentação de produtos brasileiros no Egito

0

Cairo – Empresas brasileiras estreantes no mercado egípcio fazem parte do grupo de companhias que integram o Brazilian Festival, evento de promoção de produtos do Brasil que começou na noite desta terça-feira (06) no hipermercado Hyper One, na cidade de 6 de Outubro, região metropolitana do Cairo. O festival é uma iniciativa da Câmara de Comércio Árabe Brasileira com apoio da embaixada do País no Egito.

Uma destas empresas é a Lindoya, tradicional engarrafadora de água mineral que diversificou sua linha de mercadorias e agora oferece também sucos, chás e águas aromatizadas adicionadas de fibras, sob a marca Genuína. Logo na inauguração do espaço reservado ao Brasil na loja, o presidente da empresa, Martin Ruette, foi explicando aos visitantes as qualidades dos sucos feitos com frutas típicas como caju e açaí e das bebidas a base de água “voltadas para a saúde pública”, que, segundo ele, ajudam a prevenir problemas como diabetes, pressão alta e intolerância à lactose.

“Ainda não vendemos aos países árabes, é nossa primeira vez, mas há muitas semelhanças com o Brasil em termos de gosto, produtos, cultura, e as pessoas também são muito amigáveis. Afinal, temos uma população [de origem] árabe muito grande no Brasil”, disse Ruette, ele próprio neto de avó libanesa. O executivo acrescentou que as águas adicionadas com fibras têm potencial de consumo no mundo árabe dada a incidência de problemas como diabetes e intolerância à lactose na região.

A própria diversificação da linha de produtos da empresa está ligada à estratégia de conquistar o mercado externo. “A água mineral é um produto muito local, não há como ir muito longe”, declarou. O problema é que o custo da exportação de um item tão básico faz com que seu preço se torne pouco competitivo. A ideia então foi “agregar valor” à água e assim aumentar seu potencial de venda no exterior.

Alexandre Rocha/ANBA

Hannun: setores representativos no Brasil
Hannun: setores representativos no Brasil

Outra companhia que está no Egito pela primeira vez é a Suavetex, de itens para higiene bucal. No Brasil, a indústria produz creme dental sob licença da Oral-B, mas também tem sua marca, a Contente. “É nossa primeira experiência [na região]. Exportamos para países da América Latina e vir para cá foi um caminho natural para conquistar novos mercados”, afirmou o trader da companhia, Carlos Souza.

Segundo ele, a empresa havia realizado estudos sobre o mercado árabe, mas julgou necessário conhecê-lo de perto. A ideia é oferecer a produção de mercadorias para marcas próprias de potenciais clientes e também itens da linha Contente.

Já a Alibra, que fabrica ingredientes para a indústria alimentícia, chegou a vender para a região no passado, mas não de forma contínua. No espaço dentro do hipermercado, os produtos expostos são destinados ao varejo, mas a gerente de exportação Débora Lapa pretende investir nas vendas para o governo, especialmente de insumos para merenda escolar. É o que ela pretende fazer nas rodadas de negócios que vão ocorrer entre as empresas brasileiras e importadores egípcios nesta quarta (07) e quinta-feira (08), como parte do festival.

Trajetória

Alexandre Rocha/ANBA

Rui Amaral: itens do dia a dia do brasileiro
Rui Amaral: itens do dia a dia do brasileiro

ressaltou que o Brazilian Festival se insere “numa trajetória que o Brasil está seguindo no Egito”. As negociações para a realização da exposição no Hyper One começaram há um ano e o plano é promovê-la novamente nos próximos anos. “São empresas de setores extremamente significativos e representativos no Brasil”, destacou.

Além da Lindoya, Suavetex e Alibra, compõem o grupo a Nicolino (carne de frango), Seara (JBS), Bauducco, Brasil & You (café em cápsulas), Solótica (lentes de contato), Grendene e a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), responsável pela certificadora de produtos halal (feitos de acordo com a tradição islâmica) Cibal Halal.

O embaixador do Brasil no Cairo, Rui Amaral, afirmou que o objetivo do festival é mostrar aos egípcios produtos do dia a dia dos brasileiros. “Esperamos dividir um pouco com vocês o estilo de vida do nosso povo”, declarou.

Tamer Mansour/Câmara Árabe

Hannun (esq.) com Abdelkarim, da Goeic
Hannun (esq.) com Abdelkarim, da Goeic

Também participaram da abertura o empresário Emad Elsewedy, CEO do grupo Elsewedy Electrometer e presidente do Conselho Empresarial Brasil-Egito, o proprietário da rede Hyper One, Mohamed Hawari, e o gerente-geral executivo da cadeia, Tarek Sedky. Na plateia, personalidades como o ex-embaixador do Egito em Brasília, Hossalmedin Zaki, atual subsecretário-geral para Assuntos Políticos da Liga Árabe, e a embaixadora Manal Mowafi, chefe da Divisão de Câmaras de Comércio e Indústria da Liga.

Mais cedo, Hannun e o executivo de Relações Governamentais da Câmara Árabe, Tamer Mansour, tiveram reuniões com o secretário-geral adjunto da Liga para Assuntos Econômicos, Mohammed At-Twaijiri, com o presidente da Organização Geral para o Controle de Exportações e Importações do governo egípcio (Goeic), Mohamed Alaa Abdelkarim, e com o próprio Zaki.

Twaijiri e Abdelkarim confirmaram participação num fórum econômico árabe-brasileiro que a Câmara irá organizar em São Paulo em outubro. Hannun destacou que estão avançadas as negociações com a Goeic para a implantação da certificação de origem online nas exportações brasileiras ao Egito e que Abdelkarim deverá falar deste e de outros temas de interesse dos exportadores do Brasil no fórum. Com Zaki, o assunto foi o seguimento da Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), cuja última edição ocorreu na Arábia Saudita em 2015, e o fortalecimento da inciativa birregional.

Fonte: ANBA

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta