Canadá é uma potência para os negócios, mas é preciso visão para conquistá-lo, mostra estudo da CNI

0

Brasília – O Canadá é uma das principais economias desenvolvidas, mas é um mercado pouco lembrado pelo setor privado brasileiro. A negociação, em andamento, de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá criará condições para a expansão do comércio e dos investimentos do Brasil com esse mercado. Mas é preciso visão para aproveitar essas oportunidades, num processo que começa antes de tudo por uma mudança cultural do setor empresarial brasileiro.

A expectativa do setor privado é que o acordo comercial com o Canadá seja concluído em 2021. Estudo da CNI mostra que essa negociação criará oportunidades para a exportação de 321 grupos de produtos brasileiros.

Hoje, por falta de um compromisso bilateral, chegam mais caros e competem em desigualdade na economia canadense. Indústrias brasileiras ainda encontram tarifas de importação elevadas nesse mercado, como para os setores de autopeças (6%) e calçados (16%). No caso de bens agroindustriais, essa barreira pode chegar a 70%

Oportunidades para o empreendedorismo feminino

“O acordo comercial com o Canadá será bastante moderno e terá, inclusive, um capítulo sobre comércio e gênero, para incentivar o empreendedorismo de lideranças femininas nos dois países, além de desenvolvimento sustentável e da tradicional parte que prevê a liberalização de bens industriais e agrícolas, serviços e investimentos”, diz Abijaodi.

O acordo em negociação deverá contemplar a criação de um comitê bilateral sobre o tema, com participação do setor privado e da sociedade, bem como uma cláusula voltada a fomentar o financiamento a empresas lideradas por mulheres.

O texto deve ainda fazer referência à necessidade de Brasil e Canadá manterem adesão a instrumentos internacionais de proteção e promoção dos direitos das mulheres.

Gigantes que se conhecem muito pouco

Paulo de Castro Reis, diretor de relações institucionais da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, destaca que o Canadá é um dos dez maiores importadores do mundo e demanda uma pauta diversificada de produtos e serviços.

A seu ver, o desafio do Brasil é mostrar que o país não é um destino interessante apenas para os estudos, mas também para o comércio. Ele afirma que, mesmo durante a pandemia, a câmara tem realizado rodadas de negócios virtuais para aproximar empresários dos dois países.

“O Canadá e o Brasil são gigantes que se conhecem muito pouco. O canadense não apenas quer comprar como também tem dinheiro no bolso”, afirma Reis.

Multinacional brasileira de soluções digitais, a CI&T já enxergou o potencial desse mercado. A empresa, que já trabalhava com clientes no Canadá, abriu este ano um escritório em Toronto. O investimento na nova operação que deve chegar a US$ 2 milhões até 2022 e foi acompanhado também de uma expansão para a Europa. A companhia já possuía escritórios nos Estados Unidos, China e Japão.

“Atuar no mercado canadense é chave para suportar nossos clientes não só no Canadá, mas também nos EUA, onde a escassez de talentos está chegando a níveis crônicos”, destaca.

A inclusão de um capítulo de compras públicas no acordo comercial com o Canadá também é uma prioridade para o setor privado brasileiro. O país é o segundo maior mercado de compras públicas do mundo, atrás apenas da União Europeia.

O valor das compras governamentais do Canadá equivale a cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e a um terço dos gastos públicos, com cifras que crescem ano a ano.

De 2009 a 2018, em números absolutos, esse valor passou de US$ 192,4 milhões para US$ 237,7 milhões, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Uma das peculiaridades desse mercado é que 90% dos gastos são realizados pelas instâncias subnacionais, as províncias, e não pela nacional.

(*) Com informações da CNI

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta