Cenário Mundial transformou o comércio exterior diz presidente da Câmera de Comércio Árabe Brasileira

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São Paulo – A pandemia de covid-19 e o conflito no Leste Europeu estão transformando as bases do comércio exterior. O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Osmar Chohfi, fez a afirmação nesta segunda-feira (04) na abertura do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, promovido pela instituição em formato híbrido, com parte presencial na capital paulista.

Chohfi disse que reciprocidade e cooperação estão entre os novos pilares da relação internacional. “A experiência vivida por todos os países na pandemia de covid-19 e no contexto do conflito que se desenrola no Leste Europeu, deixou claro que o comércio exterior precisará ser feito em bases muito sólidas de proximidade, reciprocidade, cooperação e tecnologia”, afirmou.

Chohfi contou que a Câmara se antecipou a esse processo de transformação ao criar o primeiro sistema de despacho de documentos aduaneiros entre Brasil e países árabes baseado em blockchain. “O módulo de despacho documental Easy Trade, hoje integrado à nossa plataforma Ellos, já permite a validação de documentos de cargas de forma totalmente digital, sem papel e num prazo antes impensável de até dois dias”, disse.

O presidente relatou em que patamar se encontram as relações entre Brasil e países árabes atualmente. De acordo com ele, os mercados do Norte da África são hoje importante destino do agronegócio brasileiro e o Brasil exerce importante papel na segurança alimentar de 420 milhões de árabes.

“Por outro lado, os países árabes contribuem para a competitividade do Brasil, ao garantir, por exemplo, o suprimento de hidrocarbonetos e parte dos fertilizantes demandados por nosso agronegócio”, disse Chohfi. O presidente da Câmara Árabe lembrou que o comércio Brasil-países árabes alcançou US$ 24 bilhões no ano passado e cresce a cada ano, caminhando para uma relação de maior equilíbrio entre os dois lados.

Segundo Chohfi, a presença de produtos de valor agregado vem crescendo nas trocas comerciais, favorecida pela implementação de acordos de livre comércio, como do Mercosul com o Egito. “Mais acordos desse tipo são necessários e, neste fórum, podem ser avaliadas formas para superar entraves e sensibilidades que travam discussões para a celebração de novos acordos de livre comércio entre o Brasil e os países árabes’, falou o presidente.

O fórum, que ocorre com o tema Legado e Inovação, celebra os 70 anos da Câmara Árabe. Chohfi contou um pouco dessa história aos participantes do evento. A instituição foi fundada em 1952 por empresários árabes, seus filhos e netos. Segundo o presidente da entidade, eles viram no comércio uma forma de estreitar laços e lançar pontes aos países de seus antepassados.

“Nesses 70 anos, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira se tornou uma referência em intermediação negocial de qualidade e, sobretudo, segura para empresas árabes e brasileiras em busca de negócios de benefício mútuo”, disse. De acordo com ele, essa relação tomou impulso em outro momento do mundo, que como hoje, exigiu dos países adaptação a novas e desafiadoras condições da economia e do comércio mundiais.

“Refiro-me aos anos 1970 e 1980, durante os quais o Brasil, por sua política de ponderação e equilíbrio intensificou suas trocas comerciais com o mundo árabe, tendência que cresceu na década de 1990 e nestas duas décadas do século 21”, disse. Segundo ele, petróleo, gás, fertilizantes, veículos, aviões, materiais de construção e serviços de engenharia enriqueceram o intercâmbio.

Chohfi chamou todos a discutirem formas de aprofundar a relação comercial do Brasil com o mercado árabe e questões essenciais sobre o futuro da parceria Brasil-países árabes no Fórum Econômico Brasil & Países Árabes. O encontro reúne autoridades, diplomatas, especialistas e empresários das duas regiões. O fórum é realizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em parceria com a União das Câmaras Árabe e apoio da Liga dos Estados Árabes.

São patrocinadores Travel Plus, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Fambras Halal, Embraer, Parque Tecnológico Itaipu, Pantanal Trading, Embratur, Khalifa Industrial Zone Abu Dhabi (Kizad), Cdial Halal, Modern Living, BRF, Egyzone/Am Development, Antika Openet/BV, First Abu Dhabi Bank, Egyptian Financial & Industrial (EFIC), Suez Company for Fertilizers (SCFP), Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança (Capebe), Prima Foods e Afrinvest.

(*) Com informações da CCAB

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