CEO do LIDE China: futuro da cooperação Brasil-China passa pela agricultura 5.0, 5G e economia digital

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Da Redação

Brasília – “Precisamos parar de bater naquela tecla que confina a pauta de exportação entre o Brasil e a China na venda de commodities como a soja, minério de ferro, petróleo e celulose, por mais que essas exportações sejam relevantes. É preciso melhorar essa pauta. E existem alternativas para essa mudança: agricultura 5.0 impulsionada pela sustentabilidade, o 5G e também o comércio eletrônico”.

A projeção foi feita ao Comexdobrasil.com pelo CEO do LIDE China, José Ricardo dos Santos Luz Júnior, para quem é preciso pensar no aprofundamento das relações entre o Brasil e a China para além do comércio de produtos primários agrícolas e outras commodities, ainda que essa seja uma vertente importante no contexto das trocas bilaterais. 

Segundo ele, deve-se ir além e avançar na direção daquilo que classifica como as “cooperações pragmáticas”, como é o caso da manufatura inteligente, baseada em Inteligência Artificial, Big Data, Internet das Coisas, e também o comércio eletrônico.

José Ricardo dos Santos Luz Júnior, CEO do LIDE China – Foto: Original123 Comunicação

É na seara da agricultura 5.0 que o CEO do LIDE China identifica as mais promissoras perspectivas de modernização e conquistas relevantes no contexto da parceria Brasil-China. Na avaliação de José Ricardo dos Santos Luz Júnior, “a agricultura 5.0 é uma mistura da agricultura 4.0, conhecida como agricultura digital, na qual já eram aplicados a Inteligência das Coisas (IoT na sigla em inglês), o Big Data, com a robótica, inteligência artificial, equipamentos de agricultura autônomos, sistemas integrados com capacidade de autoaprendizado e realidade virtual, utilização de drones e rovers, onde esses tipos de equipamentos permitem aos produtores implantar uma agricultura de precisão. Esses equipamentos monitoram a colheita por meio de vídeos enviados à nuvem pelo 5G e tudo isso é processado em tempo real na nuvem. Esses dados são analisados por inteligência artificial. Identificam e classificam as ervas daninhas, permitem uma melhor aplicação dos defensivos agrícolas, uma utilização mais inteligente dos recursos hídricos em determinadas áreas do plantio. Tudo isso propicia uma melhor qualidade do produto agrícola e, é claro, uma utilização mais racional da água e dos defensivos agrícolas e agrotóxicos”, com nítido atendimento às regras e protocolos pertinentes à sustentabilidade, tão valorizado hoje pelo mercado chinês.

Ao falar sobre o comércio eletrônico, ele chama a atenção, a título de curiosidade, para um caso específico que é a campanha do Single’s Day, ou o Dia do Solteiro (“Black Friday chinês”), se assemelhando a figuras de bastão solitário, comemorado na China no dia 11 de novembro: “em 2017, durante a campanha, foram realizados negócios no montante de US$ 25,4 bilhões (numa única campanha), cifra que cresceu em 2018 para US$ 30,8 bilhões em vendas de produtos pelo Grupo Alibaba, aumentando para US$ 38,4 bilhões em 2019 e saltando para US$ 74,1 bilhões em 2020, em pleno ano de pandemia. Esses números, por si sós, mostram o quanto a China tem a ensinar ao Brasil em termos de comércio eletrônico”.

Para o CEO do Lide China, “existem várias alternativas para conseguirmos desenvolver uma melhor relação com a China. E todas elas são factíveis dado o know how que a China possui e que pode compartilhar com o Brasil mediante uma cooperação ganha-ganha. E lembrando que a China valoriza e respeita os cinco princípios de coexistência pacífica que são respeito mútuo, equidade, justiça, cooperação e relação ganha-ganha. Então, é muito importante se levar tudo isso em conta quando se fala sobre a relação sino-brasileira, respeitando-se sempre essa questão dos princípios de coexistência pacífica, que são aplicados também na relação profícua com o Brasil”.

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