China deve perder US$ 404 bilhões em receita com viagens de negócios devido à pandemia de coronavírus



Última atualização: 12 de Março de 2020 - 15:15
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São Paulo – O pânico causado pela pandemia de coronavírus no mundo vêm trazendo muitas consequências para vários setores da economia. Um dos mais atingidos pela crise, sem dúvidas, é o setor de turismo internacional, que já sofre grandes prejuízos frente ao surto do Covid-19.

Até a tarde de ontem, quarta-feira (11), a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicava 118.322 casos da doença em todo o mundo, e 4.292 mortes no total. No Brasil, a maioria dos casos confirmados pelo Ministério da Saúde foram registrados em São Paulo.

De acordo com levantamentos da Forward Keys, os voos internacionais para a China caíram 55,9% em relação ao mesmo período do ano passado e a taxa de turistas chineses que deixaram de viajar também impacta seriamente o setor, uma vez que mais de 400 mil destes turistas visitam, por exemplo, o Reino Unido todo ano.

De acordo com a Organização Mundial de Turismo, os gastos dos turistas da China representam cerca de US$ 277 bilhões, o que responde por 16% do total mundial em gastos com o turismo internacional. Segundo a Associação Global de Turismo de Negócios a China enfrentou uma queda de 95% nas viagens de negócios desde o início do surto de coronavírus, e ainda deve perder receitas de US$ 404 bilhões.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (AITA) estima que as perdas globais de receita do setor tendem a ficar entre US$ 63 bilhões e US$113 bilhões. Com o aumento de casos confirmados do Covid-19 em diversas nações, muitos países vêm adotando políticas de restrição de viagens, numa tentativa de conter o avanço do surto.

A Itália, que apresenta a maior quantidade de casos confirmados da doença fora da China, isolou o país e segue em estado de alerta, o que impede o turismo no país. Um voo da American Airlines que iria de Nova Iorque para Milão foi cancelado após os tripulantes da companhia se recusarem a decolar, e a Latam cancelou voos entre São Paulo e a cidade italiana.

Outros casos que impactam diretamente no turismo mundial foram registrados ao longo das últimas semanas. O tradicional Salão do Automóvel de Genebra, cuja abertura estava marcada para 5 de março, foi cancelado às pressas devido ao surto de coronavírus, interrompendo o planejamento e montagem do evento em sua 90ͣ edição. Isso aconteceu devido à determinação do governo suíço, que proibiu aglomerações com mais de mil pessoas.

A ProWein, maior feira de vinhos do mundo, localizada na Alemanha, foi adiada após o surto de coronavírus na Europa e não há previsão de reagendamento do evento. A feira estimava um público de 62 mil visitantes nos dias 15 a 17 de março.

“Eventos empresariais movimentam a maior parte do turismo de negócios e os cancelamentos devido ao surto de coronavírus geram perdas muito maiores do que os cancelamentos de turistas que viajam a lazer.” Comenta Thomas Carlsen, COO da mywork, especializada em controle de ponto online. “Questões mais delicadas também entram em cena no setor de turismo, pois toda a cadeia é impactada. Agências de viagem, companhias aéreas, o setor de hotelaria e até o comércio turístico local sofrem com as incertezas trazidas pela pandemia.”

O executivo ainda afirma que os impactos no turismo podem trazer problemas estruturais para as empresas, uma vez que o pagamento de salários dos funcionários pode ser impactado no longo prazo.

De fato, o surto da doença causou prejuízos em grande parte das empresas, que foram obrigadas a cancelar voos e modificar rotas de viagem. A Associação Internacional de Transportes Aéreos ainda projeta uma perda de quase US$ 29,3 bilhões em 2020. No Brasil, as ações de várias companhias aéreas sofreram quedas bruscas diante da crise do Covid-19 e da alta do dólar, embora medidas como o cancelamento e remarcação gratuita das passagens estejam sendo tomadas.

“Muitas empresas também têm adotado medidas para evitar o contágio do coronavírus entre os colaboradores” acrescenta Thomas. “Já estamos acompanhando muitos casos em que os gestores instituem uma política de home office nas empresas para evitar aglomerações e muitos lugares estão adotando ferramentas de controle de ponto online, para que os funcionários possam bater o ponto pelo celular e para que as empresas possam fazer a gestão da jornada de trabalho desses funcionários”.

(*) Com informações da Associação Global de Turismo de Negócios

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