China supera Arábia Saudita e assume liderança na importação do frango brasileiro



Última atualização: 13 de Dezembro de 2019 - 09:30
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São Paulo – Após oito anos na liderança dos embarques de carne de frango brasileira, a Arábia Saudita perdeu o posto para a China, devido à peste suína que gerou uma crise de abastecimento em países asiáticos. Em volume, o reino saudita comprou de janeiro a novembro 429 mil toneladas do Brasil, uma queda de 1% em relação a igual período de 2018. Os embarques para a China foram de 513 mil toneladas, alta de 28% na mesma comparação.

Em quarto lugar nas exportações de frango estão os Emirados Árabes Unidos, com 316 mil toneladas, alta de 12%, pelo fato de o país estar assumindo uma posição de centro de distribuição de produtos para a região do Golfo. A brasileira BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, tem uma fábrica em Abu Dhabi. O Kuwait aparece na nona posição, com queda de 7%, para 104 mil toneladas.

A fatia de mercado do Oriente Médio, porém, teve leve alta de 33,2% de janeiro a novembro de 2018 para 34,5% no mesmo período deste ano. A Ásia cresceu mais, de 34,3% para 37,2%.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (12), o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, disse que a fatia de mercado de 37% para a Ásia é “um passo gigantesco” para o Brasil.

 

“A Arábia Saudita liderou a exportação de frango por oito anos. Este ano, ela perdeu espaço para a China, que liderou com folga. O fato novo para nós foi a entrada fortíssima da China, que até agora já levou 14% das nossas exportações do ano. A Arábia Saudita caiu um pouco, se assustou quando fez um movimento no início do ano visitando plantas, criando dificuldades, alegando produção própria. Mas quando ela viu a compra em massa da China, entrou firme e disputou, mas perdeu, porque a China além de comprar muito, pagou bem”, explicou. No entanto, a BRF anunciou no final de outubro que pretende abrir uma fábrica também na Arábia Saudita.

Mercado árabe

O diretor de mercados e futuro presidente da ABPA, que vai assumir em abril do ano que vem, Ricardo Santin (com microfone, na foto), disse que o Brasil continua sendo o maior produtor e exportador de carnes halal do mundo, ou seja, produzidas para consumidores muçulmanos. “Nos mercados nós continuamos confortavelmente, tivemos a Arábia Saudita, que houve uma diminuição nos períodos passados, mas agora entra num processo de estabilização, diminuiu somente 4 mil toneladas esse ano, então parou aquela redução que houve no passado no número de plantas que estão habilitadas e mostra uma estabilidade nesse mercado halal, que pode ter crescimento sim”, disse.

Mas os países árabes devem sofrer efeitos correlatos da crise na China, porque uma parte dos produtos que vão para o Oriente Médio poderão ser desviados para o gigante asiático. “Por exemplo, a China começou a comprar peito de frango. Ela historicamente nunca comprou, e a partir de outubro começou a comprar, e esse peito de frango vai sair de mercados que eram do México, Europa e Oriente Médio. Esses mercados podem ter uma diminuição no fornecimento que pode ser suprido pela indústria local ou ter uma deficiência no abastecimento”, disse Santin.

Segundo o diretor, o mercado árabe continua sendo o principal destino do frango brasileiro. “E não vai deixar de ser. Lógico, com toda essa disrupção que a China está fazendo em todos os mercados, também o mercado halal vai sentir efeito. Se a China começar a comprar frango inteiro, por exemplo, aí vai ter consequências. A gente não sabe, mas continua sendo uma bela relação de importância vital pra nós, nós mantemos o mercado halal como um dos principais clientes do Brasil”, afirmou.

Parte dos embarques de frango que até 2018 seguia para a Arábia Saudita agora encontra destino em outros mercados, como Emirados, Iêmen, Catar, Iraque, Omã e Bahrein, além de mercados menos expressivos como o Afeganistão, que dobraram suas importações este ano, segundo a ABPA.

Projeções

Turra prevê manutenção e possível crescimento para o mercado árabe em 2020. “Não fizemos estimativa, mas é um mercado que está fidelizado”, afirmou.

Segundo Santin, a associação não fez projeções de países para o ano que vem, mas o bloco de 22 países árabes segue sendo o maior cliente do Brasil depois do mercado interno. “Nós gostaríamos de ter crescimento [nos países árabes] para que, junto com todo consumo global e a própria mudança do consumo que a crise na Ásia vai gerar, possam crescer também os mercados árabes, mas no mínimo a gente trabalha com estabilidade. Se a China começar a crescer cada vez mais, isso não vai tirar importância dos árabes. Olha, falta muito pra ela conseguir consumir o mesmo tanto de carne halal”, afirmou.

Geral

As exportações de frango de janeiro a novembro acumularam alta de 2%, com 3,822 milhões de toneladas embarcadas. Em receita, a alta foi de 6,1%, somando US$ 6,358 bilhões. A previsão para 2019 até o fim é que as vendas alcancem 4,2 milhões de toneladas, volume 2,4% maior que em 2018.

A produção de carne de frango deve crescer 2,3% este ano, fechando em 13,15 milhões de toneladas. O consumo per capita deve aumentar 2,2% em relação a 2018, com 42,6 quilos per capita ao ano.

Ovos

As exportações totais de ovos deverão alcançar 8 mil toneladas, 30% a menos que o desempenho de 2018, devido à alta do consumo interno. “Não sobrou para exportar”, disse Turra. Os Emirados Árabes são o maior comprador de ovos brasileiros. De janeiro a novembro, foram embarcadas 4.046 toneladas, uma queda de 28% em relação a igual período do ano passado. Em sexto lugar, vem o Bahrein, com 236 toneladas, alta de 32%, e a Arábia Saudita aparece em sétima posição, com 220 toneladas, queda de 43% no mesmo comparativo.

Material Genético Avícola

A exportação de ovos férteis de janeiro a novembro teve queda de 13% em volume e de 8,5% em receita no comparativo com o ano passado. Foram exportadas 11,96 mil toneladas, somando US$ 51,72 milhões. Os pintos de um dia tiveram queda de 5,4% em volume, mas cresceram 7,6% em receita de exportações. Foram embarcadas 953 toneladas, totalizando US$ 74,81 milhões. Os maiores mercados de material genético avícola foram Senegal e Paraguai. A Arábia Saudita aparece na terceira posição, com 2.004 toneladas, alta de 1% em relação aos primeiros 11 meses de 2018. Em quinto lugar, os Emirados Árabes compraram 24% menos, somando 1.439 toneladas.

(*) Com informações  da ANBA

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