CNI adverte: acordo Mercosul-Coreia do Sul pode gerar deficit de US$ 7 bilhões para indústria nacional

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Brasília – Caso um acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul seja concluído, ele contribuirá para reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) da maioria dos setores da agricultura, indústria extrativa, indústria de transformação e serviços. Simulação elaborada por especialistas para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, com a eliminação das tarifas de importação, como prevê a negociação em andamento, 51 setores econômicos no Brasil serão prejudicados.

Do total de setores com perdas, 21 são na indústria, 18 no setor de serviços, quatro na indústria de transformação e 8 na agricultura. Apenas 11 setores terão ganho de PIB. Esses cálculos mostram que o crescimento para os setores da Coreia do Sul será oito vezes maior do que para os setores do Brasil.

CNI adverte: acordo Mercosul-Coreia do Sul pode gerar deficit de US$ 7 bilhões para indústria nacionalPara o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, a negociação precisa ser suspensa. “Não faz sentido, em meio a uma crise sanitária e a uma recessão econômica que poderá bater recorde histórico, o Brasil e o Mercosul negociarem um acordo de livre comércio que prejudica a maior parte dos setores e beneficia, de forma desproporcional, a Coreia do Sul. Há outros parceiros com quem podemos negociar outros tipos de acordos mais equilibrados, com ganhos mútuos, como os Estados Unidos e o México”, afirma Abijaodi.

Déficit comercial da indústria com a Coreia do Sul poderá ser ampliado em US$ 7 bilhões

O acordo também poderá aprofundar o déficit comercial do Brasil justamente em um período em que o país precisa minimizar os impactos da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. A indústria brasileira ampliará em US$ 7 bilhões seu déficit comercial com a Coreia do Sul caso o acordo seja aprovado.

Em abril, a CNI pediu ao governo federal que suspendesse as negociações do acordo. Na semana passada, dia 6, a entidade participou de reunião com o Ministério da Economia em que reafirmou o seu posicionamento.

“É uma negociação que tem sido feita com pouca transparência e diálogo com o setor privado, e que não parece seguir os parâmetros utilizados por outros países que já negociaram com a Coreia do Sul. Precisamos lembrar que as exportações coreanas são o segundo maior alvo de medidas antidumping no mundo, atrás apenas da China. Esse é um indicativo de que não há concorrência leal em alguns setores”, ressalta Abijaodi.

O acordo em negociação com a Coreia do Sul prevê livre comércio para 90% dos produtos importados e exportados para o Mercosul.

(*) Com informações da CNI

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