CNI e Keidanren reforçam importância de acordo econômico entre Mercosul e Japão

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Brasília – Mercosul e Japão devem aprofundar suas relações comerciais e o caminho para ampliar a parceria entre o país asiático e o bloco integrado pelo Brasil é a assinatura de um Acordo de Parceria Econômica (EPA, na sigla em inglês). O início das negociações pelos países – que prevê livre trânsito de pessoas, bens, capital, serviços e informações – é a principal reivindicação da declaração conjunta divulgada nesta quarta-feira (14), em Tóquio, pelo Conselho Empresarial Brasil-Japão, secretariado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação Empresarial do Japão (Keidanren), no encerramento da 25ª Reunião Plenária do Conselho Empresarial Brasil-Japão.

Na reunião, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destacou a importância das discussões realizadas ao longo da plenária Brasil-Japão e do fortalecimento da relação entre os países, considerando que o intercâmbio bilateral já experimentou momentos de maior pujança.

O Conselho tem como objetivo promover o aprofundamento das relações entre os países, por meio da discussão de temas centrais para o aumento dos fluxos comerciais e de investimento. No encontro, as lideranças empresariais reforçaram que cooperarão junto aos respectivos governos para acelerar o processo do Acordo de Parceria Econômica Japão-Mercosul, iniciativa que deve ampliar e diversificar as exportações brasileiras, equalizar condições de competição com países com os quais o Japão tem acordos similares e diminuir as barreiras comerciais.

 

Líderes empresariais discutiram desafios, como situação das cadeias de suprimentos

Durante a reunião realizada em Tóquio, empresários dos dois países discutiram soluções para questões enfrentadas pelas duas economias em decorrência de fatores como a pandemia da Covid-19 e do conflito entre Rússia e Ucrânia, como o aumento mundial dos preços das commodities, o instável fornecimento de energia e alimentos e a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos.

Os setores empresariais dos dois países também apresentaram suas perspectivas sobre tendências industriais emergentes em áreas como transformação digital e verde e trataram, ainda, do enfrentamento de questões como segurança de recursos, energia e alimentos e resposta às mudanças climáticas – questões consideradas prioritárias.

“Precisamos ampliar a participação mútua nas cadeias de valor. É necessário desmistificar a crença de que a formação de uma rede de fornecedores mais próxima é a única alternativa para evitar as rupturas experimentadas durante a pandemia. O Brasil e o Japão devem prospectar novas colaborações e evitar a concentração da produção em poucos países. Para isso, precisamos reorganizar os arranjos produtivos de forma eficiente, fortalecer a gestão de riscos e aumentar os investimentos em tecnologias e em digitalização de processos”, disse Robson Andrade.

Os representantes do setor privado dos dois países também apresentaram suas perspectivas sobre tendências em inovação, transformação digital e sustentabilidade – questões consideradas prioritárias, e debateram sobre os desafios enfrentados no ambiente de negócios, como carga tributária e insegurança jurídica.

Para esta edição da reunião plenária, a comitiva japonesa foi liderada pelo presidente do Comitê Econômico Japão-Brasil, Tatsuo Yasunaga; e a seção brasileira foi chefiada pelo presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e pelo presidente do Conselho Empresarial Brasil-Japão e CEO da Vale, Eduardo de Salles Bartolomeo.

 

Agenda bilateral Brasil-Japão

Desde 2015, os setores empresariais de ambos os países têm trabalhado em conjunto em prol do acordo de parceria econômica. Em 2018, a CNI lançou um roteiro com sugestões de pontos que deveriam ser abrangidos pelo Acordo de Parceria Econômica. Apesar de as negociações ainda não terem sido iniciadas pelos países, houve avanço nas relações bilaterais nos últimos anos.

Em abril de 2017, teve início o projeto-piloto entre o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e o Japan Patent Office (JPO) que garante acesso recíproco e uso voluntário das análises, para que uma patente seja concedida em tempo reduzido e para evitar esforços duplos nas avaliações dos pedidos.

Já em março de 2019, o visto de turismo e de negócios para japoneses no Brasil passou a ser dispensado pelo prazo de até 90 dias, prorrogável por igual período.

(*) Com informações da CNI

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