Com Brasil fora da lista de países confiáveis para investir, EUA seguem atraindo brasileiros



Última atualização: 25 de Julho de 2019 - 14:07
0
1110

Boca Raton/FL – A atual falta de confiança de investidores internacionais pode ter reaquecido a discussão sobre uma possível reforma tributária no Brasil. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou no último dia 22 um texto da reforma tributária, que deve ser debatido em uma comissão especial. Enquanto isso, dados do Mapa Bilateral de Investimentos Brasil / USA 2019, mostram que o estoque de IED (Investimento Estrangeiro Direto) brasileiro nos Estados Unidos cresceu 356% entre 2008, quando era de US$ 9,3 bilhões para US$ 42,8 bilhões em 2017.

Em maio deste ano, em um ranking divulgado por uma consultoria internacional, o Brasil não ficou entre os 25 países mais confiáveis para se investir. Desde 1998 – quando a consultoria A.T. Kearney começou a fazer este ranqueamento – o país nunca havia ficado fora do top 25. Mercados sólidos, como os dos Estados Unidos e Alemanha, estiveram no topo do ranking de 2019.

Segundo o Mapa Bilateral de Investimentos Brasil-EUA, desenvolvido pela Apex-Brasil em parceria com o Brazil-U.S Business Council e a Amcham Brasil os Estados Unidos foram a segunda maior origem das importações brasileiras, totalizando US$ 25,1 bilhões em 2017. Do ponto de vista americano, o Brasil foi o 12º lugar maior mercado de destino de suas exportações, com 2,08 % do total, e foi o 17º maior fornecedor de bens e serviços importados nos EUA em 2017, com 1,20% do total.

Para o economista e analista político Carlo Barbieri, o Brasil vive um cenário de dificuldade recorrente entre os países emergentes e precisa buscar uma solução imediata para a questão. Segundo Carlo Barbieri, além de não estar na lista de países seguros para investir, aumentou o número de brasileiros que estão investindo nos Estados Unidos.

“Assim como Turquia e África do Sul, por exemplo, a economia brasileira não está transmitindo segurança para o investimento externo. Então, os investimentos costumam ser pontuais e de curto prazo. Isso resulta em um capital especulativo e com alta variação e instabilidade. Essa situação precisa ser resolvida o quanto antes, pois além de não estar atraindo investidores estrangeiros, aumentou o número de brasileiros que busca investir nos EUA”, explica Carlo Baribieri que é CEO do Oxford Group, consultoria brasileira com sede nos EUA há mais de 30 anos.

Para o economista a reforma tributária, a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos, deve atrair empresas estrangeiras e investimentos ao Brasil. Os benefícios são inúmeros. “Sem uma reforma tributária o Brasil entrará em uma dificuldade muito grande de crescimento porque os investimentos acabam se tornando onerados demais para estrutura tributária injusta e complexa. Esse cenário precisa mudar. Nos EUA, a redução da alíquota do imposto para empresas teve resultado excelente, alcançando o menor desemprego nos EUA nós últimos 49 anos”, explica Carlo Barbieri.

Reforma Tributária no Brasil

O texto aprovado mais recentemente na Câmara dos Deputados, a Emenda à Constituição (PEC) 45/19, é de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP). A proposta extingue três tributos federais – IPI, PIS e Cofins. Acaba também o ICMS, que é estadual, e o ISS, municipal. Todos eles incidem sobre o consumo. No lugar, é criado o IBS – Imposto sobre Operações com Bens e Serviços, de competência de municípios, estados e União, além de um outro imposto, sobre bens e serviços específicos, esse de competência apenas federal. O tempo de transição previsto é de dez anos.

O texto tem como referência proposta desenvolvida pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF). Confiantes em uma reforma que pode resgatar a confiança do Brasil no exterior, especialistas aguardam os próximos passos. “Na medida que avancem os processos de reforma tributária e que se coloquem em pauta de forma definitiva um processo que venha a dar mais segurança para o país, o Brasil tem tudo para ser a maior fonte de atração de capitais externos que busquem um país com condições de crescimento e com estabilidade econômica interna”, prospecta Barbieri que também auxilia americanos a investir em todo o mundo.

(*) Com informações do Grupo Oxford

Comentários

Comentários

Deixar uma resposta