Com exportações de máquinas e equipamentos em forte alta, indústria brasileira busca ampliar vendas para a América do Sul

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Brasília – No primeiro semestre deste ano, as exportações de máquinas e equipamentos aumentaram 29%, gerando um faturamento de US$ 5,6 bilhões à balança comercial. O principal destino são os Estados Unidos, mas chama cada vez mais a atenção a participação dos países vizinhos: a América Latina passou a responder por 44% das exportações, com variação positiva de 37,2%, e para os países do Mercosul o crescimento foi de 49%.

Ao identificar a ascensão e o potencial do segmento, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) promoveu a participação de cerca de 30 empresas nacionais em missão comercial em Assunção, capital do Paraguai, e em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, entre os dias 12 e 16 de setembro.

A programação envolveu seminários, visitas técnicas e rodadas de negócios com potenciais compradores nos dois países, de forma que cada empresa participante tivesse de quatro a seis reuniões em cada país. A missão se insere no escopo do Programa de Aceleração para a Exportação da ApexBrasil, idealizado para montar ações para empresas que estão iniciando sua inserção no mercado internacional e que já participaram do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) da ApexBrasil.

“As empresas que estão nesta missão ainda são iniciantes em seu processo de internacionalização. Foi escolhido o setor de máquinas e equipamentos, porque observamos na base de empreendimentos atendidos pelo PEIEX entre 2017 e 2022 cerca de 765 empresas pertencentes ao segmento.  Então, esse é, sem dúvidas, um setor no qual o Brasil tem grande vantagem e potencial”, explica a coordenadora de Qualificação da ApexBrasil, Rita Albuquerque.

Uma das empresas participantes foi a Jatek Máquinas, de Santa Catarina, que atua há 18 anos no mercado e, desde a qualificação do PEIEX, exporta para Peru, Equador e Colômbia. Segundo o diretor da empresa, Rudinei Wendt, estar na missão é importante para fazer novos clientes de forma segura e bem orientada.  “Queremos chegar a novos mercados. O Paraguai, por ser um país vizinho e importar quase 100% de suas máquinas e equipamentos, já estava no nosso radar”, conta Wendt.

Além das visitas técnicas e das rodadas com compradores locais, a ação permite aos participantes tirarem suas dúvidas com uma empresa de consultoria, com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, parceria da ApexBrasil em diversas ações setoriais, e com entidades comerciais que atuam no país. Também participaram da missão a Câmara de Comércio Brasil-Paraguay, Banco do Brasil Paraguai, Câmara Binacional Paraguaya Boliviana, Agência Digital Quimera, Câmara da Indústria e do Comércio da Bolívia, Consultoras Procyon e UIP.

A empresa Add Motivon, também de Santa Catarina, esteve na comitiva. O empreendimento trabalha há 30 anos com soluções industriais e está buscando agora se internacionalizar. A diretora comercial Franciele Trein explica que a Add Motion ainda não exporta, mas que, depois de passarem pelo PEIEX e entender mais sobre as normas de exportação, agora se sentem seguros para dar início ao processo.

“Fizemos muitos contatos no Paraguai e na Bolívia e acredito que em breve negócios serão fechados. É importante considerar que a nossa participação no PEIEX não só foi uma qualificação de como exportar, como nos colocou em contato com importantes ações da ApexBrasil, como essa, e os estudos de mercado”, diz Franciele.

 

Vantagens

“O Paraguai é um mercado atrativo seja pela proximidade geográfica e cultural e também pela facilidade que oferece na hora de realizar negócios. Fomos muito bem recebidos pelos parceiros locais e esperamos gerar bons negócios nos próximos meses. E a Bolívia, por sua vez, é cada vez mais atrativa para esses investimentos, porque ela está passando por um processo intenso de industrialização, de forma que há cada vez mais procura por maquinário industrial”, explica Marcello de Moraes Martins, chefe de Operações do Escritório da ApexBrasil na Colômbia, que foca na atração de investimentos e suporte a empresários brasileiros na América Latina.

Segundo o presidente da Câmara de Comércio Brasil- Paraguay, Antônio Carlos dos Santos, que ministrou uma roda de conversa sobre mercado, legislação paraguaia e exigências para exportação e especificidades do segmento de maquinário durante o evento, o ambiente de negócios do Paraguai é vantajoso para investimentos estrangeiros por uma série de fatores: baixa carga tributária para importação, custos de energia elétrica para indústrias mais baixos do que no Brasil, reformas estruturais promovidas pelo atual governo que facilitam investimentos privados e externos e economia diversificada. Não à toa, o país ocupa 1º lugar no índice de Clima de Negócios na América Latina.

“O Paraguai é um país atrativo para a indústria brasileira, por isso, essa ação da ApexBrasil é estratégica para os empresários. O Brasil é o 4º país que mais tem investimentos estrangeiros diretos aqui e há potencial para ampliar ainda mais essa realidade. Principalmente no setor que estamos tratando hoje, uma vez que em 2021 o Paraguai importou cerca de US$ 220 milhões em máquinas e equipamentos brasileiros”, ressalta.

A principal demanda é por equipamentos de refrigeração. Em 2020, por exemplo, as importações de produtos brasileiros de refrigeração comercial e industrial totalizaram mais de US$ 24 milhões. O Brasil posiciona-se, inclusive, como o 4º maior fornecedor de produtos de refrigeração para o Paraguai.

A busca do mercado vizinho por câmaras frias importadas está relacionada, principalmente, à baixa produção local e benefícios de isenção tarifária — em função de o Mercosul conceder diversas oportunidades para empresas brasileiras interessadas no mercado paraguaio. Além disso, a indústria farmacêutica, dependente da refrigeração industrial, está em ampla ascensão no Paraguai e ambiciona investir em sua infraestrutura e na exportação de seus produtos.

Na Bolívia, também há vantagem em relação à logística, pela proximidade geográfica, e tem importado cada vez mais maquinário, com mais de US$ 200 milhões investidos em máquinas e equipamentos do Brasil em 2021.

(*) Com informações da ApexBrasil

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