Comércio Brasil-Chile bate recordes da série histórica e deve crescer ainda mais com novo acordo comercial

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Da Redação

Brasília – O intercâmbio entre o Brasil e o Chile estabeleceu recordes históricos em 2021, com marcas expressivas na corrente de comércio (exportação+importação), nas exportações e no superávit brasileiros. O fluxo comercial bilateral totalizou US$ 11,421 bilhões, o maior da série histórica, impulsionado por US$ 6,999 bilhões de exportações brasileiras, e o saldo em favor do Brasil atingiu a cifra de US$ 2,547 bilhões.

E as perspectivas para o comércio com o país, que no ano passado foi o quinto principal destino das exportações e décimo-segundo maior fornecedor de produtos ao Brasil, poderá ser ainda mais expressivo neste recém-iniciado 2022. Isto porque no último dia 28 de janeiro entrou em vigor o novo acordo de livre comércio concluído no final do governo do presidente Michel Temer e aprovado pelo Congresso Nacional no mês de setembro.

O ampliado acordo Brasil-Chile é considerado o mais moderno já firmado pelo país com um de seus vizinhos sul-americanos e abrange os setores de serviços, investimentos, compras governamentais, indicações geográficas, simplificação aduaneira e barreiras sanitárias e fitossanitárias.

Na avaliação da CNI, um dos principais benefícios a serem gerados pelo documento é o acesso a um mercado chileno de US$ 11 bilhões por ano em compras governamentais. A expectativa da Confederação é de que as indústrias brasileiras passem a ter acesso em condições especiais nas licitações realizadas pelo governo chileno em serviços portuários, tecnologia da informação e construção civil, entre outros.

O agronegócio é outro setor que também poderá ser beneficiado com a entrada em vigor do acordo. Segundo fontes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o novo documento estabelece o “pre-listing”, através do qual, deixam de ser realizadas as inspeções individuais de frigoríficos e passa-se a adotar a habilitação de novas plantas exportadoras de carnes em conjunto, baseando-se nos critérios adotadas pelas autoridades sanitárias brasileiras.

Em 2021, o fluxo de negócios entre o Brasil e o Chile viveu o melhor ano da série histórica iniciada em 1997. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia, as vendas brasileiras para o país vizinho registraram um aumento de expressivos 81,8%, comparativamente com 2020 e somaram US$ 6,999 bilhões.

As exportações chilenas também apresentaram uma alta relevante de 52,7% para US$ 4, 422 bilhões. O Chile foi o destino final de 2,49% das exportações totais do Brasil e por 2,02% das importações brasileiras no período.

No comércio com os chilenos, destaca-se o fato de as exportações se concentrarem, em larga escala, nos produtos manufaturados, de maior valor agregado. Entre outros se destacam automóveis de passageiros, ônibus, tratores, materiais elétricos, máquinas e equipamentos, além de petróleo em bruto e carnes bovina e de frango.

Com uma alta de impressionantes 205% comparativamente com 2020, o petróleo em bruto liderou a pauta exportadora para o Chile, com uma receita de US$ 1,94 bilhão, correspondentes a 28% de todo o volume vendido ao país vizinho. Na sequência, a carne bovina gerou negócios no total de US$ 563 milhões, com um aumento de 50,4% sobre o ano anterior e uma participação de 8,0% nas vendas brasileiras.

Entre os produtos industrializados, os destaques foram veículos de transporte de cargas (US$ 313 milhões, com um aumento de 172% e participação de 4,5%), automóveis (US$ 282 milhões, alta de 248% e participação de 4,0%) e demais produtos da indústria de transformação (US$ 246 milhões, apesar da queda de 28% e participação de 3,5% nas vendas brasileiras aos chilenos).

Em relação às importações, o cobre liderou com ampla margem os embarques chilenos ao Brasil. As exportações cresceram 84,2% e somaram US$ 1,95 bilhão, respondendo por 44% das vendas ao mercado brasileiro. Em segundo lugar no ranking das exportações, os pescados totalizaram US$ 600 milhões (alta de 66,9% e participação de 14%).

Outros destaques na pauta exportadora chilena foram os minérios de cobre e seus concentrados geraram receita no valor de US$ 330 milhões, equivalentes a uma fatia de 7,5% das vendas chilenas. Também merecem ser citados os minérios e concentrados de metais de base, com um total de US$ 231 milhões e participação de  5,2%; álcoois, fenóis e seus derivados, com US$ 221 milhões (5,0% das exportações ao Brasil) e bebidas alcóolicas (vinhos principalmente), no total de US$ 183 milhões, equivalentes a uma fatia de 4,1% do volume geral embarcado pelas empresas chilenas para aquele que é o maior mercado do Chile na América Latina e um dos principais em todo o mundo.

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