Comércio Brasil-China segue batendo recordes e país asiático responde por 65% do superávit brasileiro

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Da Redação

Brasília – O comércio entre o Brasil e a China não para de bater recordes e de janeiro a setembro o intercâmbio entre os dois países superou a marca histórica registrada em todo o ano de 2020 e registrou uma corrente de comércio (exportação+importação) superior a US$ 100 bilhões e atingiu o total de US$ 105,628 bilhões.

O comércio bilateral segue em ascensão e o Brasil tem pela frente um grande desafio: aumentar a participação de produtos industrializados na pauta exportadora para a China, ainda fortemente concentrada em produtos básicos, de baixo valor agregado.

No período janeiro-setembro, o comércio com a China proporcionou ao Brasil um superávit recorde de US$ 37,608 bilhões, superior aos US$ 37,010 bilhões de saldo registrado em todo o ano passado. A participação chinesa no saldo acumulado pelo Brasil foi de aproximadamente 65% até setembro. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.

Os números do comércio sino-brasileiro impressionam e seguem trajetória de forte alta. Em 2020, as exportações brasileiras para o principal parceiro comercial do País tiveram uma alta de 7,0%, comparativamente com o ano anterior, e totalizaram US$ 67,788 bilhões. Este ano, o crescimento foi muito mais robusto, com uma alta de 34,1%, que levou as exportações ao patamar de US$ 71,618 bilhões.

Com isso, a participação chinesa nas vendas externas totais brasileiras passou de  32,4% em 2020 para 34,1% de janeiro a setembro deste ano. Ou seja: mais de um terço de todo o volume exportado pelas empresas brasileiros teve a China como país de destino.

As exportações chinesas para o Brasil tiveram desempenho semelhante, ainda que em valores totais inferiores. Em todo o ano passado, as vendas chinesas somaram US$ 34,778 bilhões, com uma retração de 3,5% em relação ao ano anterior.

Este ano, de janeiro a setembro, as exportações chinesas aumentaram 35,2% e totalizaram US$ 34,010 bilhões e a participação chinesa nas importações brasileiras teve uma ligeira queda dos 21,9% em todo o ano de 2020 para 21,7% em nove meses deste ano.

Mas nem só de recordes e números robustos é feito o comércio entre o Brasil e a China e nesse panorama altamente favorável destoa o fato de que as exportações brasileiras para o país asiático seguem concentradas, como nunca, em commodities de baixo valor agregado.

Apenas três desses produtos foram responsáveis por 81% das vendas totais aos chineses: a soja, com exportações no total de US$ 237 bilhões (aumento de 10,8% em comparação com o mesmo período de 2020 e participação de 33% nas vendas totais); minério de ferro, com um volume de embarques no valor de US$ 23,5 bilhões (com alta de expressivos 89,4% e participação de 33% das exportações totais) e petróleo, com uma receita de US$ 10,5 bilhões (aumento de 9,85% e participação de 15% nas exportações para a China até setembro).

Enquanto as exportações brasileiras seguem concentradas em produtos primários, a China tem uma pauta integrada exclusivamente por bens industrializados. Até setembro, os principais produtos embarcados pelos chineses para o Brasil foram equipamentos de telecomunicações (US$ 3,6 bilhões), válvulas e tubos termiônicas (US$ 2,6 bilhões) compostos organo-inorgânicos (US$ 1,69 bilhão), demais produtos da indústria de transformação (US$ 1,64 bilhão) e medicamentos (US$ 1,4 bilhão).

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