Como a vivência internacional me preparou para os cargos de liderança

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Kwami Alfama Correia (*)

Inicio dizendo que as relações de trabalho mudaram muito nas últimas décadas. Ter vivências extraordinárias, fora do comum, deixou de ser, há muito tempo, um diferencial e tornou-se premissa básica para quem almeja mudanças disruptivas. Pensando nisso, recorro sempre ao meu mapa efetivo. Tive minha primeira experiência fora de casa com apenas 15 anos, quando sai de Cabo Verde, meu país de origem, para estudar em Portugal, na cidade de Coimbra.

Decisão importante para a minha educação e maturidade. Hoje, quando resgato essa passagem da minha vida, entendo muito do que sou e do líder que me tornei, pela administração das minhas responsabilidades, ainda que muito novo. Estudar, trabalhar, ou apenas passar algum tempo de sua vida em algum país estrangeiro pode trazer muitas vantagens que, inclusive, vão além do “upgrade” no currículo. Gosto de pensar que o mundo é uma sala de aula transformadora, que te tira da zona de conforto e, consequentemente, te potencializa. É o famoso longlife learning.

Entendo que para ter sucesso na carreira, as movimentações precisam começar em nós mesmos, é necessário ser líder da própria trajetória para depois inspirar os demais. Portugal me apresentou e me ensinou, para além da diversidade cultural, a me virar sozinho, a gerenciar minha conta bancária, pagar aluguel, cuidar da minha alimentação, o básico. Eu precisei aprender a organizar a casa, para que eu pudesse entender, mesmo que minimamente, como ser visionário e construir impulsos para o futuro.

Após quase 4 anos em Portugal, embarquei em um novo desafio: a vinda para o Brasil. Era um sonho de criança ser engenheiro mecânico. Como não consegui ingressar nesse curso em Portugal, através de um convênio entre países de língua oficial portuguesa, iniciei o meu curso em Engenharia Mecânica na Escola Federal de Engenharia de Itajubá, hoje Universidade Federal de Itajubá, uma pequena cidade no Sul de Minas Gerais.

Foram vários aprendizados nessa trajetória, mas destaco a importância de criar relações fortes e genuínas com pessoas que, de alguma forma, foram família e suporte para um jovem longe de casa, em um momento em que a comunicação era tão difícil, já que em 1995 o acesso a telefone era para poucos e tão pouco existia a internet; a riqueza em conviver com culturas e pessoas diferentes que me ajudaram a entender a diversidade e a sua importância, e por último, a sagacidade e jogo de cintura para lidar com desafios, dificuldades que o mundo nos apresenta. Sim, algumas crises também fizeram parte da minha história e aprendi que o caminho não precisa ser linear, as curvas fazem parte do processo.

Hoje, enquanto CEO, por meio dessas vivências, entendo e costumo falar que um empresário de ponta precisa ter 4 importantes características: visão estratégica, gestão de pessoas, capacidade de execução e geração de resultados consistentes. Há mais tempo no Brasil do que em Cabo Verde, acredito que o desenvolvimento de laços e relações genuínas, somadas a um forte senso de responsabilidade e capacidade de resolver problemas são bases fundamentais para um executivo de sucesso, humanizado e real. Com isso, destaco, que a cada degrau que subo em minha carreira, os pontos de referência de minha trajetória são saudados grandiosamente.

(*) Kwami Alfama é CEO da multinacional Tereos Amido & Adoçantes Brasil, subsidiária brasileira da Tereos, líder global nos mercados de açúcar, álcool, etanol e amidos.

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