Compromisso da indústria com sustentabilidade pode impulsionar acordo Mercosul-UE, diz presidente da CNI

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Brasília – O empenho da indústria brasileira em alcançar uma economia de baixo carbono pode impulsionar a assinatura e internalização do Acordo de Associação Birregional entre Mercosul e União Europeia, destacou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, na abertura do  38º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA). Andrade pediu cooperação aos empresários alemães para avançar com a integração dos dois blocos, observando os esforços brasileiros em prol da agenda sustentável.

“Gostaríamos de contar com o apoio dos empresários alemães para afastar os obstáculos e reforçar junto ao Parlamento da Alemanha a importância da internalização do tratado para o fortalecimento da nossa aliança. Especialmente neste momento em que se discute a necessidade de novos compromissos ambientais para combater o aquecimento global é preciso destacar que a indústria brasileira tem iniciativas ambiciosas voltadas à economia de baixo carbono e à sustentabilidade”, afirmou Andrade.

Foto: Iano Andrade / CNI

O presidente da CNI destacou que a organização estará presente na Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP26) para discutir transição energética, precificação de carbono, economia circular e conservação florestal. O evento ocorre de 31 de outubro a 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia.

Andrade lembrou que o 38º EEBA ocorre em meio ao processo de transição no governo alemão e que na nova coalizão a sustentabilidade deverá ganhar ainda mais relevância nas relações comerciais entre Brasil e Alemanha. “As mudanças de governo e a diplomacia tem historicamente grande influência sobre a política externa dos países. Por essa razão, nossa expectativa é que o pragmatismo e o interesse nacional prevaleçam sobre as ideologias nas relações comerciais entre Brasil e Alemanha para ampliar os ganhos mútuos que vêm sendo alcançados nos últimos anos”, afirmou.

A Alemanha é o quarto principal parceiro comercial brasileiro, com participação de 3,4% na corrente de comércio em 2020. No último ano, 54% do total exportado foi composto por produtos da indústria de transformação. Em relação aos investimentos, em 2019, as empresas brasileiras tinham US$ 408 milhões investidos na Alemanha, com destaque para os setores de equipamentos médicos, plásticos e componentes eletrônicos, de acordo com dados do Ministério da Economia e da FDi Markets.

Ao eliminar gradualmente as tarifas para mais de 90% dos produtos, o tratado tem potencial para abrir mercados, estimular investimentos e melhorar o ambiente de negócios entre os dois blocos. “Por isso a CNI tem atuado pela ratificação e efetivas entradas em vigor do acordo que vem enfrentando resistência em países da Europa sobretudo em razão de questões ambientais”, completou Andrade.

Foto: Iano Andrade / CNI

O presidente da Federação das Indústrias Alemãs (Bundesverband der Deutschen Industrie – BDI), Siegfried Russwurm, também reconheceu a importância de avançar com o Acordo de Associação Birregional entre Mercosul e União Europeia e demonstrou disposição por parte do empresariado alemão nesse sentido. “O acordo entre União Europeia e Mercosul é uma base importante para essa cooperação bilateral. Juntamente com o Brasil, gostaríamos de nos engajarmos para impulsionar os pressupostos para ratificação do acordo comercial. É um importante instrumento para a parceria estratégica mais estreita entre as economias nacionais europeias e a América Latina”, afirmou.

Para o presidente da BDI, a sustentabilidade é um dos temas centrais no debate global atual, junto com digitalização, recuperação pós-pandemia da Covid-19 e mudanças provocadas pelo início do governo de Joe Biden nos Estados Unidos. “As pessoas entenderam que recursos mundiais são finitos e a relação entre economia, ecologia e sociedade recebe maior peso na cooperação bilateral”, afirmou.

Além da ratificação do acordo entre os dois blocos, Siegfried Russwurm defendeu a retomada das negociações para um Acordo para Evitar a Dupla Tributação (ADT) como outro instrumento importante para ampliar o comércio entre Brasil e Alemanha.

A parceria Brasil-Alemanha para um futuro sustentável é o tema central do 38º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA), que acontece nos dias 18 e 19 de outubro. Maior evento empresarial entre os dois países, o EEBA é organizado pela Confederação Nacional da Indústria e pela Federação das Indústrias Alemãs, em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil Alemanha (AHK).

Neste ano, o formato é online pela primeira vez. Os painéis desta segunda-feira incluem discussões sobre cooperação bilateral, cadeias globais de valor, digitalização, hidrogênio verde e desafios de saúde em um cenário pós-Covid-19.

Na terça-feira (19), a Comissão Mista Brasil-Alemanha de Cooperação Econômica realiza reunião fechada. Nos dois dias será feita a Rodada de Negócios entre empresas brasileiras e alemãs, organizada pela Rede CIN (Centros Internacionais de Negócios), pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ).

Parceria estratégica para o Brasil

A Alemanha é o quarto principal parceiro comercial brasileiro, com participação de 3,4% na corrente de comércio em 2020. No último ano, 54% do total exportado foi composto por produtos da indústria de transformação. Em relação aos investimentos, em 2019, as empresas brasileiras tinham US$ 408 milhões investidos na Alemanha, com destaque para os setores de equipamentos médicos, plásticos e componentes eletrônicos, de acordo com dados do Ministério da Economia e da FDi Markets.

Medidas para aperfeiçoar o ambiente de negócios entre Brasil e Alemanha

A CNI identificou 14 medidas com potencial para melhorar o ambiente de negócios e incrementar o comércio e os investimentos entre os dois países, a partir dos debates no grupo de trabalho Brasil-Alemanha. Conheça os pontos da agenda:

  1.   Assinatura e internalização do Acordo de Associação Birregional entre Mercosul e União Europeia;
  2.   Negociações para um Acordo para Evitar a Dupla Tributação (ADT);
  3.   Ampliação das liberdades do Acordo de Serviços Aéreo;
  4.   Aquisição ou arrendamento de terras por estrangeiros;
  5.   Adoção de plano de ação para a cooperação governamental na Indústria 4.0;
  6.   Cooperação para o desenvolvimento da Estratégia Brasileira de Hidrogênio e para a realização de projetos-piloto no Brasil;
  7.   Apoio ao pedido de acesso do Brasil à OCDE;
  8.   Conversão do projeto-piloto de Acordo de Compartilhamento de Exames de Patentes (PPH, na sigla em inglês) entre o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e o Instituto Europeu de Patentes (IEP) em permanente;
  9.   Extensão do período de deslocamento do Acordo de Previdência Social entre Brasil e Alemanha;
  10.   Propostas para a reforma da OMC;
  11.   Negociação de alternativas para o Órgão de Solução de Controvérsias (OSC) e o destravamento do Órgão de Apelação (OA);
  12.   Estabelecimento de acordo sobre assistência mútua administrativa em matéria aduaneira;
  13.   Apoio alemão para estabelecimento de plano de trabalho para negociação de Acordo de Reconhecimento Mútuo (ARM) entre os programas de Operador Econômico Autorizado (OEA) do Brasil e da União Europeia;
  14.   Adoção de padrões eletrônicos para o processamento do despacho aduaneiro e liberação das mercadorias antes da sua chegada no país.

(*) Com informações da CNI

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