Conselho Empresarial Brasil-Tunísia se reúne em SP e decide criar metas para comércio bilateral

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São Paulo – O Conselho Empresarial Brasil-Tunísia voltou à ativa esta semana com a indicação de novos membros e novas atribuições. Na noite desta quarta-feira (06), os presidentes do colegiado, Rubens Hannun, pelo lado brasileiro, e Hassine Bouzid, pela parte tunisiana, assinaram uma declaração que marca a reativação do grupo. Uma das novidades é o estabelecimento de metas para a ampliação dos negócios entre os dois países.

 “Estamos começando a preparar um plano de metas e objetivos para chegar em 2016, na Tunísia, já com resultados muito concretos”, disse Hannun, que é vice-presidente de Comércio Exterior da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e cônsul honorário da Tunísia em São Paulo. Ele se referiu à próxima reunião do conselho, marcada para o ano que vem em Túnis.

Entre os objetivos do colegiado estão o aumento e a diversificação do comércio, o fortalecimento da cooperação bilateral, o incentivo a parcerias e a promoção de investimentos recíprocos. Para tanto, o órgão deve incentivar a participação dos empresários em feiras e outros eventos de negócios nos dois países, promover missões comerciais, trocar informações, organizar encontros empresariais, difundir a “Marca Tunísia” no Brasil e vice-versa, entre outras atribuições.

“Assumimos o compromisso de realizar muitas coisas, como facilitar os contatos [entre empresários], consolidar e diversificar as relações entre os dois países”, declarou Bouzid, que foi embaixador da Tunísia em Brasília de 2000 a 2005. “No relatório da situação [a ser apresentado em 2016], espero ver um aumento do volume do intercâmbio comercial em 2015 e 2016, mas também o começo da cooperação industrial. E por que não no setor farmacêutico, que é muito importante para a Tunísia?”, acrescentou.

A indústria farmacêutica é tida como promissora para os negócios entre os dois países, tanto que a Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica e de Insumos Farmacêuticos (Abiquif) e o laboratório Eurofarma fazem parte da nova composição do conselho.

Segundo o diretor executivo da Eurofarma, Walker Lahmann, a empresa está interessada em expandir suas operações para a África e considera a Tunísia como uma opção de instalação. “Por isso estamos aqui”, afirmou. Em sua avaliação, a nação do Norte da África chama a atenção pelo bom ambiente de negócios e pela estabilidade. O país é o único da região que conseguiu manter-se num processo de transição democrática após a Primavera Árabe, em 2011. A Eurofarma já tem unidades fabris fora do Brasil, na América Latina.

Delegação

Conselho Empresarial Brasil-Tunísia se reúne em SP e decide criar metas para comércio bilateralO relançamento do conselho ocorreu durante a visita de uma delegação tunisiana a São Paulo formada por empresários, representantes de entidades setoriais e do governo. Parte dos integrantes expôs na feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas), que termina nesta quinta-feira (07).

O embaixador da Tunísia em Brasília, Sabri Bachtobji, destacou que o trabalho realizado pela Câmara Árabe na promoção dos negócios bilaterais “vem dando frutos”. Ele observou, por exemplo, que a presença tunisiana na edição anterior da Apas, em 2014, “foi mais modesta”.

O diretor-geral adjunto do Centro de Promoção de Exportações da Tunísia (Cepex), Riadh Attia, fez uma avaliação positiva da programação da delegação, que incluiu um seminário na sede da Câmara Árabe e visitas a empresas. Segundo ele, há predisposição de empresários brasileiros em fazer negócios com os tunisianos e foram identificados alguns setores com maior potencial de exploração, como o de produtos agropecuários e de alimentos, especialmente a indústria de azeite de oliva – muito importante na Tunísia – o de autopeças e o de medicamentos.

“São setores em que a Tunísia tem vantagens competitivas”, declarou Attia. Ele acrescentou que a localização geográfica e acordos comerciais assinados facilitam o comércio de mercadorias produzidas no país com outras nações da África e do Oriente Médio, além da União Europeia. “Precisamos abrir novas perspectivas de cooperação, diversificar a pauta, pois dos dois lados ela está muito concentrada em produtos básicos”, disse.

Como exemplo, o executivo citou as exportações de fosfato da Tunísia ao Brasil, que caíram e afetaram significativamente as receitas do comércio bilateral. “Necessitamos identificar outros produtos e elevar o intercâmbio”, destacou.

O Cepex tem uma cadeira no conselho pelo lado tunisiano, assim como a Agência de Promoção de Investimentos na Agricultura do país árabe (Apia). De acordo com Hammami Sihem, responsável pela área de comunicação da Apia, a instituição quer promover parcerias entre brasileiros e tunisianos e setores como os de azeite de oliva, tâmaras, carnes e de lácteos. “O Brasil está mais avançado do que nós na área e queremos que apoiem a agricultura da Tunísia, a modernizar e promover o setor”, afirmou.

Ela conversou com empresas brasileiras participantes da Apas para despertar o interesse nos negócios com a Tunísia e em eventuais investimentos. A agência quer, por exemplo, atrair companhias do Brasil para expor e visitar o Salão Internacional de Investimento Agrícola e Tecnologia (Siat), que será realizado no próximo ano em Túnis, incluindo fornecedores de máquinas agrícolas.

O conselho Brasil-Tunísia foi criado em 2002, mas não se reunia há vários anos. A partir de agora, a ideia é que haja um encontro por ano, uma vez em cada país. Do lado brasileiro, a coordenação está a cargo da Câmara Árabe, e do tunisiano, da União Tunisiana da Indústria, Comércio e Artesanato (Utica).

Fonte: ANBA

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