Cotado a US$ 170 a tonelada, minério de ferro deve seguir entre destaques na pauta exportadora brasileira

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São Paulo – A alta nas cotações de minério de ferro deverá beneficiar a balança comercial brasileira em 2021, elevar a rentabilidade dos exportadores da commodity e deixar mais caros os produtos derivados de minério. O motivo para alta na cotação do minério decorre de uma queda na oferta provocada pela pandemia e uma demanda que não parou de crescer. Atualmente, a commodity é cotada em US$ 170 por tonelada. Em fevereiro do ano passado, estava em US$ 78 por tonelada.

De acordo com dados do Ministério da Economia, no ano passado o Brasil exportou US$ 22,7 bilhões em minério de ferro, dos quais US$ 16,3 bilhões foram para a China, o principal comprador. Um ano antes, as exportações de minério somaram US$ 22,6 bilhões, dos quais US$ 13,5 bilhões foram para a China. As exportações do produto para Omã, onde a Vale tem uma usina de pelotização, somaram US$ 560 milhões no ano passado, com queda em comparação aos US$ 660 milhões exportados em 2019 para o país árabe.

Divulgação/Vale

De acordo com o analista de investimentos da Terra Investimentos, Régis Chinchila, a China tem uma demanda elevada de metais básicos, como o minério de ferro, mas fornecedores de aproximadamente 70% das compras chinesas, o Brasil e a Austrália estão ofertando menos minério. “Com a demanda ainda elevada e os estoques baixos, somado ao anúncio da Vale que descartou sua meta de produção de minério de ferro para 2020, o preço desta commodity deve continuar subindo ainda no ano de 2021”, afirma Chinchila.

A Vale enfrentou barreiras não previstas em 2020, como condições climáticas desfavoráveis e a pandemia, que levaram à redução na produção no começo do ano. Já o fornecimento pela Austrália está menor porque o país da Oceania e a China enfrentam disputas diplomáticas e comerciais que afetam sua relação econômica.

Resultados

Há duas consequências diretas deste aumento no preço da commodity. A primeira é que o Brasil deverá exportar neste ano um volume menor de minério, porém com valor maior e maior rentabilidade. “Hoje a China já estuda meios de não ficar tão dependente de outros mercados, como Brasil e Austrália para o minério de ferro, tendo como meta, até 2025 obter pelo menos 45% do minério de ferro demandado das próprias indústrias chinesas. Porém, enquanto isso não acontece e o cenário continua com elevada demanda e baixa oferta, empresas mineradoras, como a Vale, tendem a se beneficiar”, afirma Chinchila.

(*) Com informações da ANBA

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