Covid-19 atinge em cheio a indústria calçadista e faz desabarem as exportações do setor

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Da Redação (*)

Brasília –  Depois de amargar uma queda de  8,5% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2019, as exportações de calçados sofrerão um tombo ainda maior no segundo semestre do ano, com uma retração que poderá atingir pelo menos 46,4%, segundo pesquisa divulgada hoje (23) pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Caso a estimativa se confirme, o primeiro semestre fechará com uma redução de 23,2%, com o ano fechando em uma redução de 27,3% nos embarques de calçados para o exterior, sempre na relação com igual período de 2019.

O levantamento realizado pela Associação, representa as mais de 6 mil empresas produtoras de calçados do País, estima que a produção de calçados deva encolher pelo menos 49% no segundo trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

A queda será somada a um revés de 14,2% nos primeiros três meses do ano, o que deve resultar em uma retração de pelo menos 31,8% no primeiro semestre. Após uma estimativa positiva divulgada no início de 2020, de crescimento de até 2,5%, a crise provocada pelo avanço da pandemia fez com que a expectativa fosse revisada para uma queda de mais de 26% em relação a 2019.

Covid-19 atinge em cheio a indústria calçadista e faz desabarem as exportações do setorO presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirma que a crise já fez com que o setor perdesse 24,4 mil postos de trabalho, de 9% do total de empregos gerados pelas indústrias de calçados na posição de dezembro (270 mil).

O estado que mais perdeu postos no período foi São Paulo, com 7,9 mil postos perdidos. O Rio Grande do Sul perdeu 5,5 mil postos, Minas Gerais 5 mil e Santa Catarina 2,5 mil. Estados do Nordeste somam a perda de 3,3 mil empregos.

“O principal problema enfrentado pela indústria calçadista neste período tem sido o cancelamento de pedidos, bem como a postergação e faturamento dos mesmos. Com o varejo fechado, assim como a retração da demanda, não temos novos pedidos, não temos o que produzir. O setor, como produtor de moda, não tem a praxe de trabalhar com estoques”, lamenta o dirigente.

Segundo Ferreira, pesquisa realizada pela Abicalçados aponta que 51% das empresas do setor estão com atividades paralisadas, ou apenas finalizando produtos para utilização da matéria-prima em estoque, para posterior paralisação, sendo que 23% delas não têm previsão de retorno às atividades. “Muitas empresas estão conseguindo manter empregos por meio de acordos proporcionados pela MP 936, com férias coletivas e jornadas reduzidas”, conta.

Pesquisa Abicalçados

Impactos da Covid-19 no setor
(amostragem)

Demissões (23/03 a 17/04)
Brasil: 24.400 postos
SP: 7.900 postos
RS: 5.500 postos
MG: 5.000 postos
SC: 2.500 postos
NE: 3.300 postos

Principais problemas reportados: 84% cancelamento de pedidos; 75% postergação de faturamento/entrega de pedidos.

51% das empresas do setor estão paralisadas
23% sem previsão de retorno

Estimativa de impacto na produção de calçados

1º trimestre: – 14,2%
2º trimestre: – 49%
1º Semestre: – 31,8%
2º Semestre: – 22%
Ano 2020: – 26,5%

Estimativa de impacto nas exportações de calçados

1º trimestre:- 8,5% (efetivada)
2º Trimestre: – 46,4%
1º Semestre: – 23,2%
2º Semestre:- 31,3%
Ano 2020: -27,3%

(*) Com informações da Abicalçados

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