Covid-19 e fracasso do MAX 737 levam Boeing a cancelar compra da área de aviação civil da Embraer

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Da Redação (*)

Brasília –  O sonho acabou. A compra da área de aviação civil da Embraer pela Boeing, que vinha sendo negociada há dois anos e era dada concluída, está desfeita. A Boeing anunciou hoje (25) que encerrou o acordo com a Embraer, um negócio da ordem de US$ 5,2 bilhões. O rompimento foi justificado pela gigante americana com o argumento de que a fabricante brasileira não teria cumprido todas as suas obrigações contratuais destinadas a executar a separação da sua linha de aviões regionais, conforme estabelecido no contrato firmado pelas duas companhias em julho de 2018.

Em termos práticos, o que estava acertado foi a compra dos principais negócios da Embraer pela Boeing, com a manutenção de uma fatia minoritária do negócio resultante pela empresa brasileira. Sem  a concretização do negócio, a Embraer “volta” a ser uma fabricante brasileira de aviões.

Covid-19 e fracasso do MAX 737 levam Boeing a cancelar compra da área de aviação civil da Embraer
Divulgação

A Embraer ainda não se pronunciou formalmente sobre o cancelamento do acordo por parte da companhia americana. Em termos não oficiais, executivos da  Embraer afirmaram que os detalhes seriam mínimos e que a Boeing não renegociou o prazo encerrado ontem porque chegou à conclusão de que a aquisição da fatia da Embraer não seria viável no presente momento.

Por outro lado, fontes do setor aeronáutico brasileiro apresentam outros motivos para a desistência da Boeing. Entre eles, as dificuldades enfrentadas pela empresa devido a uma combinação de crise interna gerada pela paralisação da produção do 737 MAX, a grande novidade lançada nos últimos tempos pela Boeing, por problemas técnicos que geraram vários acidentes fatais e provocaram cancelamentos de centenas de unidades já comercializadas, somada à pandemia da Covid-19, que contribuiu ainda mais para forte queda, em países de todo o mundo, das encomendas das aeronaves fabricadas pela companhia.

Segundo o termo firmado em julho de 2018 pelas duas empresas e revisado posteriormente, ficou estabelecido que a Boeing pagaria  US$ 4,2 bilhões à Embraer, ou o equivalente a 80% do total dos ativos, e os 20% restantes seriam a participação minoritária mantida pela companhia brasileira. Além disso, haveria a formação de uma joint-venture para produção do avião de uso militar KC-390, fabricado pela empresa brasileira.

Em comunicado divulgado esta manhã, o presidente da Embraer Partnership & Grooup Operations, Marc Allen, afirmou que “nós trabalhamos diligentemente por mais de dois anos para a finalizar a transação com a Embraer. Durante os últimos meses, nós tivemos produtivas mas frustradas negociações sobre condições materiais precedentes não concluídas. Nós todos desejávamos concluir isso até a data final, mas não aconteceu. Estamos profundamente desapontados”. Entretanto, Marc Allen não informou quais itens do contrato a parte brasileira teria deixado de cumprir.

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