Cresce busca pela soja livre de desmatamento no mercado europeu

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Luciano Botelho (*)

Atentos à forma com que os recursos naturais estão sendo utilizados pela indústria do agronegócio, os consumidores, sobretudo os mais conectados e bem-informados, estão pressionando líderes globais a tomarem iniciativas que busquem uma produção mais sustentável no campo. Esse movimento, claro, não é uma preocupação recente. Praticamente todas as grandes empresas de agro, fabricantes de bebidas e alimentos já possuem uma agenda de sustentabilidade e boas práticas operacionais que reafirmam seus compromissos com o meio ambiente. Uma das maneiras de atestar isso, por exemplo, são as certificações.

No Brasil, a produção de soja certificada vem crescendo ano a ano. De acordo com uma pesquisa realizada pela associação internacional da soja responsável (Round Table on Responsible Soy Association – RTRS), o país é o responsável por 83% da produção mundial e a certificação já está presente em todas as cinco regiões. Isto porque o produtor brasileiro entendeu que, quando ele aprimora os padrões de sustentabilidade, isso também traz vantagens para o negócio dele. Soja com selo tem espaços diferenciados no mercado e o aprimoramento de práticas socioambientais impacta toda a cadeia: para quem planta, para quem compra e para quem consome. Ainda assim, a demanda por produtos certificados ainda é pequena.

Preocupados com as mudanças climáticas e tendo em vista formas de mitigar os impactos que as commodities possam causar no planeta, iniciativas como o European Green Deal, (Acordo Verde Europeu, em tradução literal) irão propor novas regras para importação de produtos ao mercado Europeu. Para nos anteciparmos a essas mudanças e de maneira proativa com a nossa extensa base de fornecedores na América Latina, a ADM investiu em ferramentas de rastreabilidade digital que permitem a análise e verificação automatizada de uma série de quesitos socioambientais, que fazem parte das políticas da empresa – incluindo o monitoramento do uso de solo por satélites, para atender aos diversos clientes globais de maneira contínua e sob os mais altos padrões de exigência.

Pensando nisto, acabamos de lançar uma nova certificação, o Traceability Protocol (Protocolo de Rastreabilidade), a qual garante que as commodities originadas encontram-se livres de desmatamento. No primeiro semestre de 2021, realizamos o primeiro embarque de soja com o selo TP no Porto de Santos (SP) com 84 mil toneladas O segundo partiu com 61 mil/ton de Aratu (BA). Ambos com destino a Europa.

No Paraguai, país considerado pela União Europeia como uma região de alto risco ambiental, também conseguimos exportar para a Europa, neste último semestre, 40 mil toneladas de farelo de soja com o selo da certificação ADM Responsible Soy, um programa da empresa para fornecedores globais que atende a aspectos sociais, ambientais, e de boas práticas de agricultura, reconhecido pela FEFAC (European Feed Manufacturers’ Federation), organização que aprova as regras e normas para o farelo de soja, autorizando os diferentes sistemas de certificações sustentáveis existentes que se enquadram nos padrões de sustentabilidade.

Entendemos que a sigla ESG – Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança, em tradução) subiu a régua no mundo dos negócios e precisa ser construída entre todos os atores que participam da cadeia de valor da soja, começando pelo consumidor consciente, disposto a colaborar com um valor justo que permita a transformação de todas as etapas até o início da mesma no campo.

(*)  Luciano Botelho, presidente da divisão de Oleaginosas da ADM América do Sul

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