Crise pulveriza comércio entre Venezuela e Brasil e intercâmbio retroage ao ano de 2003

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Da Redação

Brasília – A crise política e econômica que há anos flagela a Venezuela vem causando efeitos catastróficos no comércio exterior entre o país vizinho e o Brasil. E os números desse intercâmbio são desoladores. De janeiro a maio o fluxo do comércio bilateral (exportações mais importações) totalizou pouco mais de US$ 382 milhões, num forte indício de que em 2017 as trocas entre os dois países vão retroceder ao patamar mínimo registrado em 2003, quando somaram apenas US$ 883 milhões.

Com a redução drástica do preço do petróleo nos mercados internacionais, a Venezuela, país que tem na commodity sua principal fonte de receita, viu sua economia se esfacelar. O Produto Interno Bruto vem decaindo a taxas de dois dígitos, a inflação se aproxima de estratosféricos 800% ao ano e o país se vê praticamente sem divisas até mesmo para realizar as importações de itens básicos como alimentos e remédios.

Nesse contexto, há muitos anos a Venezuela deixou de ser um grande parceiro comercial do Brasil. Até 2014, o país ainda era um dos maiores mercados para produtos manufaturados brasileiros, como telefones celulares, motos e televisores, fabricados em sua grande maioria no Polo Industrial de Manaus.

Nos tempos de bonança petrolífera, o comércio com a Venezuela batia recordes sucessivos e o fluxo de comércio atingiu o auge em  2012, quando as trocas bilaterais alcançaram a cifra de US$ 6,052 bilhões, resultado de exportações brasileiras no montante de US$ 5,056 bilhões e embarques venezuelanos da ordem de US$ 997 milhões. Naquele ano, a balança comercial com a Venezuela proporcionou ao Brasil um superávit de US$ 4,059 bilhões.

De lá para cá, a corrente de comércio não parou de cair e em 2016 o intercâmbio entre os dois países gerou pouco mais de US$ 1,691 bilhão, fruto de exportações brasileiras no valor de US$ 1,276 bilhão e vendas venezuelanas no montante de US$  415 milhões. Com isso, o saldo em favor do Brasil declinou para pouco mais de US$ 861 milhões.

E o que parecia ruim caminha para tornar-se ainda muito pior este ano. De janeiro a maio, o Brasil exportou para a Venezuela pouco mais de US$ 180 milhões (uma forte queda de 57,41% em comparação com igual período de 2016) enquanto as vendas venezuelanas tiveram um desempenho pouco menos pífio, caindo apenas 8,47% para US$ 202 milhões. Esses números fizeram com que pela primeira vez desde o início da série história a Venezuela obtivesse um saldo positivo  histórico de US$ 22 milhões no comércio bilateral com o Brasil.

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