Decisão sobre 5G deve ser fundamentada em aspectos técnicos e não ideológicos, defende especialista

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Da Redação

Brasília – A decisão do governo brasileiro em relação à empresa escolhida para fornecer os equipamentos para viabilizar a implantação da estrutura do 5G no Brasil terá grande impacto nas relações do Brasil com seus principais parceiros comerciais, a China e os Estados Unidos, e não deve ser uma escolha baseada em aspectos apenas ideológicos, de maior alinhamento com um ou outro país, mas fundamentada tecnicamente, levando em consideração todos os argumentos e informações disponíveis.

Essa é a percepção do Gerente da BMJ Consultores Associados, Fábio Lobato, ao analisar os rumores crescentes de que o presidente Jair Bolsonaro estaria avaliando a possibilidade de banir a chinesa Huawei da relação dos prováveis fornecedores de equipamentos para a rede 5G do Brasil.

No primeiro semestre de 2021, em data a ser definida, o governo brasileiro realizará o leilão que selecionará a operadora de telecomunicação que se encarregará da implantação da tecnologia no país. O certame deverá contar com a participação da Claro, Vivo, Tim e Oi e após a realização do leilão será conhecida a empresa que fornecerá os equipamentos à operadora selecionada.

Decisão sobre 5G deve ser fundamentada em aspectos técnicos e não ideológicos, defende especialista
Fábio Lobato – Gerente da BMJ Consultores Associados /Divulgação

Fábio Lobato destaca as declarações recentes do presidente Bolsonaro segundo as quais ele será o único responsável pela escolha da companhia fornecedora dessa tecnologia ao Brasil: “o presidente tem reiterado que essa decisão será exclusivamente dele. Ministros como Fábio Farias (Comunicações), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Tereza Cristina (Agricultura)  e o vice-presidente Hamilton Mourão também estão sendo consultados mas a decisão será exclusiva do presidente Bolsonaro”.

Para o especialista da BMJ Consultores Associados, esse é um tema complexo porque o Brasil tem uma relação intensa de comércio internacional, tanto em exportação quanto em importação, com a China e com os Estados Unidos.

Fábio Lobato ressalta que “a China é nosso principal parceiro e em seguida vêm os Estados Unidos. Sozinha, a China absorve mais de um terço das exportações brasileiras e essas exportações vêm crescendo, mesmo em tempos de pandemia. Enquanto isso, os Estados Unidos são um parceiro igualmente relevante e é importante destacar o fato de que a pauta exportadora para o mercado americano é recheada de produtos com valor agregado, frente às exportações fortemente concentradas em commodities que vão para a China. Os Estados Unidos são um mercado que não podemos perder e precisamos continuar contando com ele”.

De acordo com a percepção de Fábio Lobato, qualquer que seja a escolha feita pelo governo brasileiro, ela vai impactar fortemente a relação com os dois maiores parceiros comerciais do país. Ele sublinha que “se o presidente Bolsonaro optar pela saída da Huawei da relação dos fornecedores de tecnologia para a 5G brasileira, o Brasil ficaria numa situação confortável com os Estados Unidos, mas estaria em uma posição bem complicada em relação à China”.

A China, frisa o especialista, é um país muito forte no setor de tecnologia e vem se desenvolvendo bastante nessa área, onde se revela plenamente capaz de atender demandas enormes, como é o caso relativo à implantação da rede e 5G. É um setor ao qual a China vem se dedicando bastante nos últimos anos.

Um eventual afastamento da Huawei do processo colocaria algumas questões: se não for a Huawei, qual empresa será a escolhida?  Será uma empresa com preços mais elevados? A companhia chinesa tem preços bastante competitivos e a escolha por uma concorrente pode encarecer a implantação da estrutura da 5G no Brasil. Enfim, existem diversos pontos técnicos a serem considerados.

Com isso, reforça Fábio Lobato, uma decisão de afastar a Huawei do processo causará um impacto diplomático muito forte e, como já vem sendo anunciado pelo embaixador chinês no Brasil, constituiria “um novo marco nas relações diplomáticas entre os dois países”, numa forma indireta de dizer que esse tipo de decisão pode implicar em retaliações ao Brasil por parte do governo da China.

Ante  a complexidade do dilema que se coloca para o governo brasileiro, o Gerente da BMJ Consultores Associados reitera que “com certeza, essa é uma situação na qual o Brasil vai ter que tomar uma decisão com muita cautela, com todo o cuidado e o próprio presidente já afirmou que essa decisão somente será anunciada no ano  que vem e isto é bom porque dá tempo de se esperar pelo resultado das eleições nos Estados Unidos e ver até que ponto esse fato pode influenciar a decisão do governo brasileiro. É importante que seja feita uma reflexão sobre o impacto que essa decisão vai causar nas relações diplomáticas tanto com os Estados Unidos quanto com a China. O tanto que o Brasil precisa de um e de outro parceiro com certeza vai balizar essa decisão”.

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