Desafios e oportunidades para o comércio exterior em 2022

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Augusto Fernandes (*)

A crise mundial causada pela pandemia da Covid-19 e a corrida da retomada econômica após o início da vacinação evidenciaram problemas logísticos ao redor do mundo. Após um longo período de retração, empresas de todo o planeta têm gerado uma demanda maior do que a capacidade de transportar os produtos, elevando o preço dos fretes e aumentando os prazos para a exportação e importação.

Por trás do aumento espetacular do valor do frete marítimo está a chamada “crise dos contêineres”, uma incomum escassez de espaço disponível para o transporte de produtos. A falta de contêineres é motivada, principalmente, pela alta demanda nos grandes portos exportadores, como Ásia, Estados Unidos e a Europa, que atraem os armadores por serem mais rentáveis comparado a outros países.

Uma pesquisa recente encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que, entre 128 empresas e associações consultadas, mais de 70% admitiram sofrer prejuízos com a falta de contêineres. Afinal, muitas indústrias precisam de insumos importados para fabricar seus produtos.

Grande parte dessa situação é uma ressaca do ano passado. Quando as empresas reduziram suas compras em meio aos lockdowns, muitas empresas de transporte rodoviário também reduziram suas operações. Entretanto, quando a demanda reapareceu, o sistema de transporte não estava preparado.

Apesar das perdas, as empresas passaram a avaliar melhor seus custos em fretes internacionais, analisando as taxas e condições, rotas mais otimizadas e parceiros mais confiáveis. Diante desse cenário de incertezas e inseguranças, exportadores, importadores e prestadores de serviços de comércio exterior no Brasil passaram a contar com o apoio de tecnologias e softwares que foram desenvolvidos, criando um ambiente inovador de gestão.

Para 2022, o cenário é de recuperação e estabilização no comércio exterior, com os fretes marítimos atingindo uma certa estabilidade, apesar de não haver recuo nos preços. A avaliação otimista é reforçada por medidas adotadas visando agilizar e modernizar o setor no país. Especialistas acreditam que o comércio internacional avance rumo a sólida recuperação e que os desafios serão superados ao longo do tempo.

(*) Augusto Fernandes é CEO da JM Negócios Internacionais, empresa cearense que ocupa hoje o ranking como uma das maiores e melhores empresas de despacho aduaneiro do Nordeste.

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