Diretora Geral da OMC virá ao Brasil para tratar de reflexos da guerra da Ucrânia no comércio, segurança alimentar e “acordo anticorrupção”

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Da Redação

Brasília – A Diretora Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, fará visita oficial ao Brasil nos dias 18 e 19 de abril para tratar de uma vasta agenda que inclui, entre outros temas, os reflexos da guerra na Ucrânia no comércio mundial, a falta de fertilizantes e a segurança alimentar internacional e a futura adesão do Brasil ao Acordo de Compras Governamentais (ACG) patrocinado pela OMC e também conhecido como “acordo anticorrupção”.

Em Brasília, ela será recebida pelo presidente Jair Bolsonaro, será homenageada com um almoço no Itamaraty, onde fará uma palestra e se reunirá com representantes do setor privado nacional, que vê com preocupação o movimento protecionista nos meios internacionais

Segundo fontes em Brasília,  a visita de Ngozy Okonjo-Iweala servirá para que ela trate de questões ligadas à segurança alimentar internacional, uma preocupação de todos os países na atualidade, e se informe sobre os esforços desenvolvidos pelo Brasil, um dos maiores fornecedores de alimentos do planeta, visando contribuir para assegurar a segurança alimentar em um momento geopolítico delicado.

Entre outros detalhes, a Diretora-Geral da OMC ouvirá das autoridades brasileiras que o País considera que para garantir a segurança alimentar é preciso uma drástica redução nos bilionários subsídios agrícolas concedidos principalmente pelos países industrializados e também por nações em desenvolvimento, como a Índia, que distorcem e prejudicam o fluxo mundial de produtos alimentares.

A Índia figura entre os maiores fornecedores de subsídios agrícolas, com recursos da ordem de US$ 60 bilhões anuais. Com isso, os indianos afetam não apenas países vizinhos como Bangladesh, Vietnã e Vanuatu, mas também produtores latinos, como o Brasil.

Os temas ligados à segurança alimentar estarão no foto da reunião de nível ministerial que a OMC realizará no próximo mês de junho. No evento, o protecionismo indiano certamente ocupará lugar de destaque nos debates a serem realizados em Genebra.

Os subsídios e o protecionismo indianos não são a única fonte de preocupação dos demais países agora e mais adiante, quando da realização da reunião. Há pouco tempo, o Egito decretou a suspensão das exportações de farinha, lentilha, trigo e massas. A Rússia e Belarus proibiram as exportações de fertilizantes e a Indonésia impôs rígido controle sobre as exportações de óleo de palma e outros óleos comestíveis, dos quais é a maior exportadora mundial.

A adesão do Brasil ao Acordo de Compras Governamentais (ACG) é outro tema a ser abordado durante a visita da Diretora Geral da OMC. A expectativa do governo brasileiro é de que a adesão ao chamado “acordo anticorrupção” aconteça no mês de junho. Pela magnitude de seu mercado, é grande o interesse dos países membros da Organização, na entrada do Brasil nesse mecanismo. Os Estados Unidos e os países-membros da União Europeia reivindicam a ampliação da oferta brasileira para as suas empresas poderem expandir suas vendas às empresas públicas brasileiras nos planos nacional, estadual e municipal.

O maior interesse dos grandes países  se concentra nas estratégicas áreas de defesa e da saúde. O governo brasileiro tem evitado atender a essas reivindicações e reitera que não existe nenhuma possibilidade de o Brasil promover uma abertura plena conforme reivindicam americanos e europeus.

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