Do campo à mesa: tecnologia apoia desenvolvimento do setor agrícola

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Luiz Coradi (*)

No Brasil, o agronegócio é um dos mais importantes setores da economia. Apenas no ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) do setor agrícola cresceu 8,36%, sendo responsável por 27,4% do PIB nacional, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) e da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Esse crescimento da produção agrícola no país está diretamente relacionado à ampliação do uso da tecnologia no campo. Dos maquinários aos sistemas de gestão, a inovação vem apoiando o produtor rural a ter maior controle sobre a cadeia produtiva, com garantia de qualidade e economia.

Contando com recursos tecnológicos como os sistemas de gestão agrícola, as fazendas conseguem automatizar e gerenciar seus processos e, consequentemente, melhorar a eficiência de cada etapa de produção. São métodos e estratégias que otimizam o agronegócio desde o planejamento da safra, preparo do solo à colheita, gestão orçamentária, controle da frota e estoque, armazenamento, logística e até a comercialização dos produtos.

Enquanto as aplicações tradicionais de TI para gestão não atendem a necessidade específica do setor, os sistemas de gestão agrícola facilitam o acesso às informações em relação à produção e oferecem estratégias para otimizar o crescimento, gerando tomadas de decisões mais assertivas. Assim, além das fazendas reduzirem custos, também desenvolvem a produtividade e aumentam a receita.

Outra vantagem é a sustentabilidade, que demanda um olhar cada vez mais atento das práticas agrícolas. Diante de um cenário de restrição de terras, limitação de insumos como água, fertilizantes e químicos, e mudança climática, contar com um monitoramento eficaz da produção permite reduzir desperdícios e fazer um uso mais eficiente da terra, aperfeiçoando toda a cadeia produtiva.

Inovação de ponta a ponta

Além das plataformas de gestão, outras tecnologias também vêm contribuindo para o avanço do setor agrícola. É o caso da Internet das Coisas (IoT – Internet of Things), Inteligência Artificial (IA), drones, robôs, sensores e outros recursos, que estão cada vez mais digitalizando os processos do campo, tornando-os mais sofisticados, principalmente graças ao processamento de dados em grande escala.

Mas, mesmo avançando a passos largos, essas inovações ainda têm um amplo potencial de adoção a ser explorado no Brasil, contudo esbarram na ausência de infraestrutura de conectividade, que hoje representa o maior entrave da agricultura digital para 61% dos produtores rurais entrevistados em uma pesquisa realizada pela Embrapa no primeiro semestre de 2020.

Por outro lado, a tendência é que esse desafio seja superado na mesma medida que as soluções tecnológicas avançam, uma vez que muitas empresas de tecnologia já oferecem plataformas de ponta, embarcadas de forma a superar os problemas de baixa infraestrutura de conectividade.

Com o setor de tecnologia caminhando de braços dados com o setor agrícola, ganha não só o agronegócio e o meio-ambiente, como também o desenvolvimento econômico nacional como um todo. Inovação do campo à mesa: esse é o caminho do futuro.

(*) Luiz Coradi é Board Member da AdopTI, consultoria com portfólio exclusivo e especializado na plataforma de gestão empresarial SAP.

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